Discurso de S.Exª o Sr. Antoine POUILLIEUTE, Embaixador da França no Brasil,
por ocasião da entrega das insígnias de Comendador da Legião de Honra ao
Sr. Oscar NIEMEYER, arquiteto.

Rio de Janeiro- 12 de dezembro de 2007

Mestre,
Caros Amigos,

Tomados por uma sincera emoção, estamos hoje reunidos em torno de sua pessoa em seu belo ateliê de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Em primeiro lugar, porque o Senhor é uma lenda, não só no Brasil, mas bem além dele. Tão logo recebeu seu diploma de arquiteto, o Senhor foi trabalhar com Lúcio COSTA. Seu destino cruzou com o do Presidente KUBITSCHEK na Pampulha, em Belo Horizonte. E todos o consideram o pai de Brasília, capital intrépida cujos monumentos André Malraux disse estarem “a serviço do espírito”.

Em seguida, por estarmos a três dias de seu aniversário, no dia quinze de dezembro, data na qual estará celebrando seus cem anos: um século de trabalho, de criação e de genialidade para que as curvas do tempo desenhassem “o precioso estojo da vida”, segundo a bela expressão de LE CORBUSIER.

Finalmente, porque ao receber, em dezessete de setembro passado, em Paris, os grandes arquitetos da época, o Presidente Nicolas SARKOZY fez questão de homenagear a sua pessoa nomeando-o Comendador da Legião de Honra, a mais elevada distinção civil e militar francesa.

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Mestre, saiba que os franceses que não conhecem o Brasil admiram-no primeiramente pelas obras que lhes ofereceu, como a Casa da Cultura do Havre, ou a Bolsa do Trabalho de Bobigny. Eles têm, em seguida, um grande respeito por seu engajamento político quando a ditadura impôs-lhe um exílio que o levou à França : a sede do Partido Comunista Francês em Paris, ou a do jornal “L’Humanité”, em Saint-Denis, são o testemunho de suas convicções de sempre. Por fim, eles leram seus livros, especialmente “Minha Arquitetura”, publicado em 2004, no qual o Senhor explica o quanto a curva “inspirada na mulher e na natureza” força a poesia poderosa e sensual do concreto.

O homem é a sua paixão e o universal a sua dimensão. Muitas de suas obras já estão classificadas como patrimônio mundial da Unesco. E o que há de mais universal do que, em Nova York, o edifício de vidro que é a sede da Organização das Nações Unidas? O traço mais simples que faz uma mão inspirada é muitas vezes o mais eterno. Tenho, assim, uma admiração muito particular por sua escultura intitulada “A Mão Oferecendo uma Flor”, que ornamenta o Parque de Bercy em Paris, perto da passarela Simone de BEAUVOIR, enquanto que, do outro lado do Sena, destaca-se a Biblioteca Nacional da França.

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Mestre, a França saúda-o com fraternidade. Ela felicita-o calorosamente. Ela deseja-lhe com toda afeição um feliz aniversário. A honra hoje é mais do Embaixador da França que o condecora, do que do jovem Comendador da ordem criada em 1802 por Napoleão Bonaparte.

Assim, que me seja permitido dizer-lhe: “Oscar NIEMEYER, em nome do Presidente da República Francesa, nós o tornamos Comendador da Ordem Nacional da Legião de Honra.”

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