Mestre,
Caros Amigos,
Tomados por uma sincera
emoção, estamos hoje reunidos
em torno de sua pessoa em seu belo ateliê
de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Em primeiro lugar, porque
o Senhor é uma lenda, não só
no Brasil, mas bem além dele. Tão
logo recebeu seu diploma de arquiteto, o Senhor
foi trabalhar com Lúcio COSTA. Seu
destino cruzou com o do Presidente KUBITSCHEK
na Pampulha, em Belo Horizonte. E todos o
consideram o pai de Brasília, capital
intrépida cujos monumentos André
Malraux disse estarem “a serviço
do espírito”.
Em seguida, por estarmos
a três dias de seu aniversário,
no dia quinze de dezembro, data na qual estará
celebrando seus cem anos: um século
de trabalho, de criação e de
genialidade para que as curvas do tempo desenhassem
“o precioso estojo da vida”, segundo
a bela expressão de LE CORBUSIER.
Finalmente, porque ao receber,
em dezessete de setembro passado, em Paris,
os grandes arquitetos da época, o Presidente
Nicolas SARKOZY fez questão de homenagear
a sua pessoa nomeando-o Comendador da Legião
de Honra, a mais elevada distinção
civil e militar francesa.
*
Mestre, saiba que os franceses
que não conhecem o Brasil admiram-no
primeiramente pelas obras que lhes ofereceu,
como a Casa da Cultura do Havre, ou a Bolsa
do Trabalho de Bobigny. Eles têm, em
seguida, um grande respeito por seu engajamento
político quando a ditadura impôs-lhe
um exílio que o levou à França
: a sede do Partido Comunista Francês
em Paris, ou a do jornal “L’Humanité”,
em Saint-Denis, são o testemunho de
suas convicções de sempre. Por
fim, eles leram seus livros, especialmente
“Minha Arquitetura”, publicado
em 2004, no qual o Senhor explica o quanto
a curva “inspirada na mulher e na natureza”
força a poesia poderosa e sensual do
concreto.
O homem é a sua paixão
e o universal a sua dimensão. Muitas
de suas obras já estão classificadas
como patrimônio mundial da Unesco. E
o que há de mais universal do que,
em Nova York, o edifício de vidro que
é a sede da Organização
das Nações Unidas? O traço
mais simples que faz uma mão inspirada
é muitas vezes o mais eterno. Tenho,
assim, uma admiração muito particular
por sua escultura intitulada “A Mão
Oferecendo uma Flor”, que ornamenta
o Parque de Bercy em Paris, perto da passarela
Simone de BEAUVOIR, enquanto que, do outro
lado do Sena, destaca-se a Biblioteca Nacional
da França.
*
Mestre, a França
saúda-o com fraternidade. Ela felicita-o
calorosamente. Ela deseja-lhe com toda afeição
um feliz aniversário. A honra hoje
é mais do Embaixador da França
que o condecora, do que do jovem Comendador
da ordem criada em 1802 por Napoleão
Bonaparte.
Assim, que me seja
permitido dizer-lhe: “Oscar NIEMEYER,
em nome do Presidente da República
Francesa, nós o tornamos Comendador
da Ordem Nacional da Legião de Honra.”