Ministério das Relações Exteriores

Face au Monde: operações humanitárias

A associação consegue tratar por ano de dez a quinze jovens pacientes em cirurgias de ponta ao custo de 10 a 15.000 euros.

Ao sair do hospital Armand Trousseau, em Paris, a pequena Aïcha, de dezesseis meses, esboçou um pálido sorriso para sua mãe. O primeiro desde o acidente que sofreu um ano antes. Naquela noite, no Sul da Argélia, uma vela mal apagada incendiou seu cobertor, queimando-a gravemente. Ferida em uma das mãos, que teve de ser amputada, a pequena teve também o rosto tomado pelo fogo. As chamas destruíram seu nariz, suas pálpebras e reduziu sua boca a um pequeno orifício. Duas semanas depois da intervenção cirúrgica em Paris, Aïcha e sua mãe voltaram para a Argélia para reencontrar a família.

“A menina terá de voltar com freqüência à França para passar por outras cirurgias, observa o doutor Gérald Franchi, presidente de Face au Monde, que realizou a cirurgia. Procedemos por etapas, pois cada cirurgia é pesada. Mas, pouco a pouco, ela terá de volta o seu rosto, “passaporte social”, lugar onde exprimimos o jogo sutil dos sentimentos”.

Aïcha é uma das dez ou quinze pacientes pelas quais a associação humanitária se responsabiliza a cada ano. Todas essas crianças viveram uma história edificante. Denis, um menino romeno de seis anos, pôde enfim encarar o olhar dos outros. Ganhou um novo nariz, depois de ter o seu devorado por um rato quando tinha seis meses e também pôde encontrar uma família adotiva. Os outros se chamam Louaï, Marita, Mamoud, Viktor… Eles vêm da Argélia, Bulgária, Serra Leoa, países que não dispõem de condições técnicas nem humanas para ajudar essas crianças que sofrem de malformação facial grave, tumor na cabeça ou seqüelas de traumatismos no rosto.

Intervenções altamente especializadas

As associações humanitárias tampouco podem intervir nos locais, pois seria ainda mais dispendioso enviar equipes multidisciplinares. De fato, a cirurgia reparadora do rosto exige normalmente a colaboração de neurocirurgiões, cirurgiões plásticos, estomatologistas, pediatras, dermatologistas, otorrinos, radiologistas, anestesistas, enfermeiras especializadas, intérpretes, etc.

O caso de Aïcha foi identificado por um médico argelino que trabalhava na periferia de Paris. Amigo da família, enviou uma carta acompanhada de fotos suficientemente explícitas. “Em seguida, explica Gérald Franchi, procuramos nos assegurar de que nenhuma outra solução seria possível, especialmente em seu país de origem. Em seguida, pedimos o orçamento ao hospital, pois os custos são altos, de 1.350 a 2.160 euros por dia de hospitalização. O tratamento da menina custou mais de 10.000 euros...”. Além disso, há a questão da logística, notadamente para a obtenção do visto de entrada na França, nem sempre fácil para certos países...

A associação Face au Monde surgiu em 2003, do empenho dos médicos do serviço de cirurgia plástica e maxilo-facial e da professora Marie-Paule Vazquez, do hospital Trousseau. Antes, crianças como Aïcha eram hospitalizadas sem custos pela Assistência Pública dos Hospitais de Paris (APHP). Uma questão de generosidade, mas também uma oportunidade de praticar, para essas equipes de cirurgiões altamente especializados, operando patologias raras graças a uma bateria de técnicas desenvolvidas nos anos 1950 no hospital Foch (Suresnes).

Em 2003, entretanto, por motivos orçamentários, a APHP mudou de política e a hospitalização deixou de ser gratuita para os pequenos pacientes, que não tinham cobertura do sistema de saúde francês. Da noite para o dia, eles passaram a ter de desembolsar entre 10 e 15 mil euros em dinheiro por intervenção. Para as famílias era difícil, ou quase impossível, conseguir esse dinheiro. “A criação de uma associação foi a única solução para continuarmos os tratamentos em andamento e para iniciarmos outros”, comenta o Dr. Franchi.

Coleta de fundos

Para “encarar” tais custos, os voluntários organizam leilões e torneios esportivos. Nelson Montfort, padrinho da associação e jornalista famoso, organiza todos os anos o troféu “Face au Monde” no clube de golfe de Maintenon, perto de Rambouillet (na região parisiense). É a oportunidade de reunir celebridades, como o patinador Philippe Candeloro ou o ator Stéphane Freiss, assim como convidados de grandes empresas. Um desconhecido doou recentemente 10.000 euros para a associação.

Além das cirurgias, o dinheiro ajuda a manter pesquisas para novos tratamentos de deformidades do rosto. “Mas nossos recursos ainda são insuficientes, garante Dr. Franchi. Precisamos contratar um funcionário para cuidar exclusivamente da gestão da associação e da captação de recursos junto a empresas e fundações...”.

Enquanto esperam, uma associação semelhante, a Facing the World, foi criada em Londres (Grã-Bretanha) por um cirurgião britânico formado em Paris. Outra também deve ser criada na Bulgária. “Nossa idéia, conclui o Dr. Franchi, é criar uma rede internacional a fim de mudar o destino dessas crianças e fazer com que possam sorrir de novo para a vida”.

Face au Monde
BP 20144 - 75863 PARIS CEDEX 18
Doutor Gérald Franchi, presidente - E-mail: contact@faceaumonde.fr
http://www.faceaumonde.fr/
http://www.facingtheworld.net/
Atenção, as imagens podem ferir a sensibilidade de algumas pessoas.