| Uma
coleção infanto-juvenil na editora
Seuil
Passagem de
conhecimentos

Um autor
de referência encarregado de explicar
um assunto da atualidade relacionado à
história ou à filosofia, para
seus filhos ou netos: este é o princípio
original de uma coleção lançada
pela Editora Seuil, que une exigência
intelectual e convivialidade do diálogo.
 |
É uma
aventura editorial ímpar e renovadora,
que nasceu de uma atitude espontânea
do escritor Tahar Ben Jelloun. Ele acabava
de tratar, em um programa de televisão,
do “racismo explicado à
minha filha” e desejava continuar
a reflexão por escrito. O livro,
publicado pela Seuil em 1998, obteve
um enorme sucesso e vendeu 100.000 exemplares,
de modo que outros títulos foram
publicados com o mesmo princípio:
uma testemunha renomada transmite seus
conhecimentos para uma criança
ou netos respondendo às suas
perguntas.
A fórmula
convence pela diversidade de temas,
por sua gravidade (a Resistência
Francesa, a fome no mundo, as religiões,
o divórcio, etc.) e, sobretudo,
pela excelência de seus autores,
que são, na maior parte das vezes,
especialistas: Régis Debray com
A República, Marc Ferro com Século
XX, Jacques Duquesne com Deus, uma obra
que vendeu mais de 70.000 exemplares,
Annette Wieviorka com um testemunho
sobre Auschwitz (60.000 exemplares),
Jacques Le Goff falando da Idade Média,
que conhece tão bem...
A pedagogia em prática
O princípio
do diálogo adulto/criança
permite a abordagem, de forma simples
e incisiva, de assuntos às vezes
complexos. Autor de Louis XIV, Jean-Christian
Petitfils reconhece : “Foi um
desafio. O exercício, no fim
das contas, mostrou-se bastante difícil.
Nessa obra, de cunho didático
e sintético, eu quis integrar
os desenvolvimentos recentes da nova
história política”.
Essa coleção encanta,
enfim, pela autenticidade da relação
familiar que se estabelece: as publicações
aparecem como testemunhos de amor –
ainda que bem escondidos sob a erudição,
são perceptíveis pela
doçura do tom, pela preocupação
de não estigmatizar a ignorância
e pelo desejo ardente de tornar inteligível
a paixão de uma vida a alguém
que dá continuidade a sua linhagem.
A dedicatória de Michel Vovelle
a sua neta Gabrielle, em sua Revolução
Francesa, é um exemplo dessa
vontade de transmissão. O grande
especialista em 1789 conta: Guardo como
um tesouro a medalha de meu pai, Gaétan
Vovelle, professor (1899-1960), na qual
está escrito que “Todas
as crianças do mundo são
meus filhos”.
Monica
Valby, professora universitária
e jornalista
|
| Falar de amor em
família
O amor
explicado a nossos filhos (de Nicole Bacharan
e Dominique Simonnet, 2000) nasceu de
uma colaboração de todos
os membros de uma família dita
“recomposta”: o pai, a mãe
e seus respectivos filhos, cinco ao todo,
com idades entre treze e dezoito anos,
durante o período de elaboração
do livro. A partir de uma conversa depois
de um jantar de verão, sob as estrelas
do sul da França, os dois adultos,
que já eram autores, sentiram a
necessidade de seus adolescentes de colocar
para fora emoções às
vezes perturbadoras. Eles se perguntaram:
falar de amor? Entre pais e filhos? Evocar
e explicar o sentimento amoroso, o desejo,
o prazer e também as proibições,
a necessidade de estar à escuta
de si mesmo e do outro? A confiança
e o respeito que unem essa família
inspiraram esse texto terno e corajoso,
de cunho filosófico e existencial.
A ser lido por todos, não apenas
pelas crianças.
M. V.
|
|