Ministério das Relações Exteriores

Entrevista com Henri Loyrette, presidente-diretor do Museu do Louvre

“Sonho com um Louvre à vontade em sua época”

A Vênus de Milus é uma das obras-primas das coleções de antigüidades gregas,
etruscas e romanas do Louvre.

Com 8,3 milhões de visitantes, o Louvre bateu um novo recorde de visitação em 2006, tornando-se o museu mais visitado do mundo. Impulsionado por Henri Loyrette, o museu multiplicou as iniciativas para colocar suas coleções e seus conhecimentos a serviço de outras instituições culturais dos quatro cantos do mundo.

Na direção do Louvre desde abril de 2004, após ter sido diretor do Museu d’Orsay, em Paris, Henri Loyrette não parou de trabalhar para dar brilho a essa velha instituição de mais de 200 anos [o Museu do Louvre foi fundado em 1793]. Em Paris, o número de visitantes é cada vez maior graças, sobretudo, a um rico calendário de exposições temporárias, ao seu funcionamento noturno, gratuito para os menores de 26 anos e a uma programação excepcional de eventos. Paralelamente, o museu realiza vários projetos “fora dos muros”, seja no interior da França, com a abertura em 2010 de um Museu do Louvre na cidade de Lens, no norte da França, ou além das fronteiras nacionais.

Entre as novas ações do Louvre, uma das mais comentadas é a abertura do Museu do Louvre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. De que se trata?

Esse país solicitou nossa ajuda para a concepção de um novo museu. Decidimos inserir o conjunto dos museus franceses em um projeto coletivo, no centro do qual se encontra o Louvre. Durante trinta anos, esse museu, que se quer universal, se chamará “Louvre Abu Dhabi”. Depois, o compromisso do Louvre e da França diminuirá progressivamente até que o museu se torne totalmente autônomo.

Primeiramente, a ajuda da França aos Emirados Árabes se dará em relação à concepção do museu, em seguida, haverá o empréstimo de obras (durante dez anos), a organização de exposições (durante quinze anos), assim como programas de formação. Graças a essa operação, o Louvre poderá financiar vários projetos de investimento para os quais não dispunha de recursos.

O Louvre também estabeleceu uma parceria com o High Museum de Atlanta, nos Estados Unidos.

A suntuosa galeria de Apolo, cujo teto foi realizado por Charles Le Brun (séc. XVII) e Eugène Delacroix (século XIX).

De 5,6 milhões de visitantes em 2001, o Louvre passou a 8,3 milhões em 2006, tornando-se o museu mais freqüentado do mundo.

Esse museu, um dos mais dinâmicos do sudeste dos Estados Unidos, foi escolhido como o parceiro ideal para um projeto inovador: apresentar o Louvre, em sua diversidade e riqueza, ao exterior. Essa parceria de três anos (2006-2009) prevê uma série de nove exposições temporárias que refazem a história do Museu do Louvre, desde sua criação até nossos dias, assim como intercâmbios escolares, eventos culturais e colóquios. Essa operação, que parece obter um grande sucesso de público, permitirá ao Louvre, como contrapartida, financiar uma parte da restauração das salas de mobília do século XVIII.

 

Como está a cooperação cultural no setor de antigüidades?

Nos últimos anos, nossa atenção voltou-se, sobretudo, para os países do Oriente Médio. Por um lado, por envolverem a maioria dos departamentos de antigüidade do Louvre(*) e, por outro, criamos em 2003, com o apoio do presidente da República Jacques Chirac, um oitavo departamento dedicado às artes do Islã. Estabelecemos assim parcerias com vários países, dentre os quais a Arábia Saudita, o que permitiu uma exposiç-ão em Riad, em 2006, de obras-primas de nossas coleções de arte islâmica. Uma segunda exposição está prevista no Louvre em 2009. Temos também um acordo com o Irã, que prevê exposições no Louvre e em Teerã, assim como uma cooperação científica, intercâmbios de pessoal e um programa de buscas arqueológicas no Sudão.

Reforçamos também cooperações mais antigas com países como a Jordânia, onde implementamos uma operação de conservação e de valorização de elementos do patrimônio jordaniano, no sítio de Jerash. Ou ainda com a Síria, onde trabalhamos em um projeto de restauração do Museu Nacional de Damasco. Desenvolvemos também programas de pesquisa, de publicações científicas, de exposições e de buscas arqueológicas com vários outros Estados, da África do Norte às fronteiras da Índia, passando por países do Golfo sem esquecer, obviamente, o Egito

 

As salas inundadas de luz do futuro museu do “Louvre Abu Dhabi” nos Emirados Árabes Unidos.

Quais são seus planos para o Museu do Louvre num futuro próximo?

Gostaria, primeiramente, que o Louvre pudesse cobrir melhor as zonas geográficas ainda mal representadas em suas coleções, como as Américas e o mundo eslavo. Uma de minhas prioridades é, também, continuar o esforço atual para trazer novos públicos ao museu, como os jovens dos bairros menos favorecidos. Em geral, sonho com um Louvre que não perca seu passado glorioso, mas que esteja decididamente aberto para o futuro. Enfim, que o Louvre esteja à vontade em sua época.

O Louvre instaurou uma operação de conservação e valorização do patrimônio jordaniano no sítio de Jerash.


O museu do Louvre em números

Visitantes: de 5,6 milhões em 2001 a 8,35 milhões em 2006.
Porcentagem de visitantes estrangeiros: 67 % (os Estados Unidos em primeiro lugar).
Número de obras no acervo: 445.000 das quais 35.000 estão expostas.
Número de obras em museus da região: em torno de 30.000.
Número de obras emprestadas na França e no exterior: mais de 1.400.
Número de obras tomadas de empréstimo a museus estrangeiros: em torno de 1.000.

Planta do futuro museu do “Louvre Adu Dhabi”, projetado pelo escritório do arquiteto Jean Nouvel.

(*) Os sete departamentos do Louvre são os de antigüidades orientais, egípcias, gregas, etruscas e romanas, esculturas, objetos de arte, pinturas e artes gráficas, ao quais foi acrescentado agora o de artes do Islã.