Ministério das Relações Exteriores

Falsificação, uma calamidade global

Os países europeus unem suas forças para controlar as importações e interceptar os produtos falsificados, graças aos agentes do escritório europeu anti-fraude (O.L.A.F).

O mercado da falsificação desenvolveu-se de maneira alarmante nos últimos anos. Limitada antes apenas aos produtos de luxo, a indústria dos falsificados invade agora quase todos os setores da economia. Uma verdadeira calamidade contra a qual a França tenta se proteger.

Uma semana como outra qualquer no aeroporto de Roissy-Charles-de-Gaulle, perto de Paris. A alfândega acaba de apreender um lote de um conhecido remédio que controla distúrbios sexuais masculinos; poucos dias antes, tinha interceptado um estoque de óculos de sol que reproduziam modelos criados por marcas famosas; amanhã, descobrirão, talvez, peças eletrônicas falsificadas, imitações de perfumes ou alimentos adulterados. O mercado das falsificações está em plena expansão: segundo a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5 a 9 % do comércio mundial seria hoje de produtos ilegais.

A França acaba de assinar com a China um acordo de cooperação para lutar contra a falsificação. Apreensão de bolsas, chapéus e relógios falsificados de marcas francesas e italianas de luxo em uma loja em Pequim (China) em maio de 2007.

Sérios riscos para a saúde

O relatório elaborado em 2006 por ocasião do lançamento, na França, de um programa de mobilização contra a falsificação qualifica claramente essa atividade ilícita de verdadeira “calamidade”. Para Pascal Couvry, cuja agência de comunicação dirigiu essa campanha com o apoio do Ministério da Economia, das Finanças e da Indústria, os consumidores ainda não estão suficientemente conscientes dos efeitos nefastos da falsificação, notadamente em matéria de saúde: “Penso especialmente nesses falsos medicamentos contra a febre amarela ou o câncer, que são verdadeiros venenos”. Ele cita também as peças de automóveis, fraudulentas e perigosas; os brinquedos, cuja resistência está longe de ser garantida e cujas peças os bebês correm o risco de ingerir, ou ainda os alimentos adulterados que podem provocar intoxicações graves. Sem falar dos cosméticos que provocam alergias e as lentes de sol que não protegem os olhos...

Se a falsificação passou, em alguns anos, do estágio artesanal para o industrial, é porque se trata de uma atividade extremamente lucrativa na qual, segundo especialistas, a cada euro investido ganham-se dez. Trata-se, pois, de uma mina de ouro para o crime organizado. Pascal Couvry comenta: “Quando diferentes redes de traficantes deram-se conta de que a indústria da falsificação era tão rentável quanto as indústria da droga, das armas e da prostituição e bem menos arriscada do que elas, começaram a investir pesadamente nesse novo mercado”.


A globalização e o desenvolvimento da venda pela Internet aceleraram o processo. O Comitê Colbert[1] , que reúne na França sessenta grifes de luxo bastante mobilizadas na luta contra a falsificação, não mede palavras ao criticar o “anonimato e o sentimento de impunidade por trás da web” e denuncia “o apoio logístico” oferecido por alguns sites coniventes.

Por uma mudança de mentalidade

Para Elisabeth Ponsolle des Portes, delegada-geral do Comitê Colbert, é preciso agora desenvolver “instrumentos e uma vontade coletiva de todos os Estados” e provocar uma “verdadeira mudança de mentalidade nos consumidores”. A mensagem divulgada nos aeroportos em abril de 2007 pelo Comitê Colbert, em parceria com a Alfândega, destaca sem ambigüidade as graves penas a que os contraventores estão sujeitos[2].

Infelizmente, a maioria dos consumidores minimiza o delito. Uma pesquisa realizada em 2006 mostra que 34% dos franceses acreditavam que a compra de um produto falsificado “não era grave”. A mentalidade começa entretanto a mudar, mesmo em países considerados mais tolerantes, nos quais casos de intoxicação de bebês com leite adulterado provocaram ondas de indignação nacional.

Na França, a luta contra a falsificação já é uma prioridade do governo, manifestada especialmente pelo aumento do controle alfandegário e da legislação. Paris preconiza também o desenvolvimento da cooperação bilateral: acordos no setor alfandegário foram reforçados em 2006 com a Itália e a Rússia e um protocolo acaba de ser assinado entre a França e a China. Portanto, talvez tenha chegado a hora de uma conscientização internacional.

Marie-Michèle Martinet, jornalista

Atualmente em franca expansão, a indústria de medicamentos falsos – que representa 10% do mercado farmacêutico mundial – está nas mãos de máfias perfeitamente estruturadas. Os falsos antibióticos, anticoagulantes e anticancerígenos põem em risco a vida dos doentes.

 

O impacto na economia: o caso da França

- 6 bilhões de euros de perda anual de divisas
- 30.000 empregos destruídos
- 1 a cada 2 empresas acredita estar exposta ao problema da falsificação

[1]. www.comite-colbert.com

[2]. Na França, a multa infligida ao comprador pode chegar a 300.000 euros e a pena de prisão pode chegar a três anos.