Ministério das Relações Exteriores

 

 

Lille ou uma bem-sucedida aposta na cultura



O caminho dos elefantes na parada indiana “Bombaysers de Lille” em 2006.

Sem renegar seu passado operário, a capital da região Nord-Pas-de-Calais optou há muito tempo pela cultura para mudar sua imagem e dinamizar suas atividades.

“Nos anos 70 Lille adotou uma política cultural (...). O objetivo confesso era utilizar a cultura para mudar a imagem da cidade, até então vista como cidade operária, com pouco interesse”, explica Marie-Christine Staniec-Wavrant, conselheira cultural de Lille Metrópole. Trinta anos depois, a nomeação de Lille como capital européia da cultura em 2004 veio coroar esses esforços e Lille tornou-se um dos centros urbanos franceses onde as atividades culturais são as mais efervescentes e as mais encorajadas: a cultura representa 15% do orçamento municipal.

Orgulhosa de sua identidade social e operária, a cidade não deixa de “ouvir a rua” e de se dirigir à maior parte da população no âmbito de sua política cultural, graças a preços acessíveis e mecanismos de ajuda às famílias e aos jovens.

Com espetáculos de rua, grandes apresentações e investimentos em locais de renome como a Ópera (aqui mostrada), Lille tornou-se uma das cidades mais engajadas na vida cultural, destinando a isso 15% do orçamento municipal.

Locomotivas Culturais

A cidade multiplicou os locais de criação. Embora investimentos maciços tenham sido destinados aos grandes equipamentos (Ópera, Teatro Municipal), um sem-número de locais marcados pelo passado operário da cidade foram reformados e se tornaram motor cultural em seus respectivos bairros. Um exemplo disso são a Maison Folie[*] Moulins – que era uma cervejaria – ou a Maison Folie Wazemmes – antiga tecelagem, que datam do século XIX, apresentam espetáculos, gratuitos em sua maior parte, e projetos com quotas de 20% de artistas do bairro.

Antigo hangar, o Tri Postal tornou-se um local de exibições de obras contemporâneas. A antiga fábrica Dilor abriga as novas culturas urbanas. O antigo salão de festas de Fins foi reformado e organiza novamente bailes populares e concertos de música atual.

Mobilização de todos

A cidade conta com um grande número de associações e criadores que, em seu nível, movimentam a cultura. Esta última, por sua vez, os ajuda graças a uma generosa política de subvenções. Todos os artistas tornam-se parceiros dessa política: as escolas, com o projeto de prática musical que é oferecido a 12.500 alunos de Lille; as universidades, que acolhem debates, concertos e exposições; até mesmo os comerciantes, que participam propondo atividades e utilizando suas vitrines para exibir temas apropriados.

Lille, cidade operária? Cidade popular? As imagens esplendorosas do desfile indiano “Bombaysers de Lille”, manifestação cultural centrada na Índia que ocorreu na cidade em 2006, deram a volta ao mundo graças aos meios de comunicação. Mais de 1.000 jornalistas vindos de vários países lá estavam. Para os leitores de Sunday Times (semanário britânico), do Soir (diário belga) ou de Índia Today (semanário indiano), Lille é, em 2007, uma metrópole contemporânea, cosmopolita, audaciosa e vibrante.

Nadia Khouri-Dagher, jornalista


[*]
Marca criada por ocasião de Lille 2004 para designar antigos locais industriais convertidos em locais de cultura multidisciplinares, onde acontecem muitas coisas (daí o nome de “Folies”).

www.mairie-lille.fr