Ministério das Relações Exteriores

 

 

Nantes, fábrica de cultura



Em 2006, 50.000 pessoas freqüentaram as atividades e espetáculos oferecidos
pelo Lieu Unique.

Construções de ontem para utilizações de hoje. Como em numerosas cidades francesas, Nantes recupera seu patrimônio industrial. História de uma conversão que deu certo: a da antiga fábrica de biscoitos LU em um importante centro cultural.

Em 1886, o casal que fundou a fábrica de biscoitos Lefèvre-Utile de Nantes, desejara deixar uma marca na arquitetura da cidade, construindo uma fábrica/palácio que ao mesmo tempo seduzisse o olhar e simbolizasse uma poderosa e florescente indústria.

Nos anos 70, esta fábrica fechou e foi comprada por um grande grupo. Ela permaneceu fechada até 1997, quando a cidade de Nantes decidiu promover a reabilitação do local, que era reconhecido como patrimônio industrial. A partir dos arquivos de família do confeiteiro nantês e de antigas fotografias, o projeto, confiado ao arquiteto Jean-Marie Lepinay, irá devolver ao templo da gula seu antigo esplendor em cores azul, vermelho e ouro e decoração Art Nouveau.

A torre da fábrica de biscoitos LU, restaurada em 1998, emblema do patrimônio industrial da cidade de Nantes, pertence hoje ao Lieu Unique, centro de artes e encontros.

Um novo espaço de arte e de vida

Tudo foi reconstruído igual ao que era, porém com materiais atuais. Com a diferença de que as antigas iniciais LU designam agora o Lugar Único, que explora todas as formas de arte, principalmente as contemporâneas. Em cartaz: dança, teatro, artes plásticas, música, encontros e cursos de arquitetura ou literatura para todos os públicos.

Esse espaço de intenso intercâmbio cultural, aberto em 2000, ao mesmo tempo é um espaço de vida e convívio. Pois podemos sentar e tomar um drink, fazer uma refeição, comprar um objeto design ou um bom livro e até deixar as crianças na creche... Em 2006, 50.000 pessoas (10% da população de Nantes) freqüentaram as atividades propostas, como espetáculos de dança contemporânea, acompanhamento da produção de artistas, ou freqüentaram ateliês literários. 500.000 visitantes já cruzaram as suas portas.

A partir do mês de dezembro de 2006, um hamman, construído no subsolo da fábrica, é também um convite ao descanso do corpo e um sistema panorâmico especial permite descortinar a cidade do alto da torre. Uma maneira de receber públicos que não estão habituados a espaços culturais: esta é a aposta feita pelo diretor do Lugar Único, Jean Blaise, para quem a cultura é “ao mesmo tempo um vetor de coesão social e de desenvolvimento econômico e um lugar de reconquista de locais inesperados”

Mélina Gazsi, jornalista

www.lelieuunique.com