| Copa
do Mundo de Rúgbi 2007. A França
recebe o mundo

O
XV de France fecha sua turnê de outono,
em novembro de 2006, com uma vitória
sobre a Argentina (27 a 26) no Estádio
da França, em Saint-Denis, na França.
Os dois times vão se reencontrar no
jogo de abertura do mundial.
Organizada
a cada quatro anos desde 1987, a Copa do Mundo
de Rúgbi acontecerá desta vez
na França, de 7 de setembro a 20 de
outubro de 2007 (algumas partidas, contudo,
serão realizadas na Grã-Bretanha).
Além do aspecto esportivo, a competição
será uma oportunidade para fazer com
que os franceses conheçam melhor a
beleza e o valor do rúgbi.
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Secretamente,
eles sonham repetir a façanha
de 1998. Há nove anos, ao vencer
a Copa do Mundo de Futebol em casa,
a seleção francesa de
Zinedine Zidane levou o país
à loucura. Este ano, o time
de Bernard Laporte, treinador da seleção
do XV de França, está
convencido de que chegou a sua vez.
Em 7 de setembro, no gramado do Estádio
da França, nos arredores ao
norte de Paris, eles jogarão
contra a Argentina na abertura desse
evento que promete ser uma grande
festa popular. Dos 2,4 milhões
de ingressos à venda desde
novembro de 2005, em torno de 1,5
milhões já foram vendidos!
“Nosso
primeiro objetivo era lotar os estádios.
Conseguimos”. Bernard Lapasset,
presidente da Federação
Francesa de Rúgbi (FFR) e do
Comitê de Organização,
está satisfeito. “Nas
cidades que sediam jogos da Copa do
Mundo, algumas atividades ligadas
ao evento estão previstas,
como aconteceu durante a Copa do Mundo
de Futebol em 1998. Assim, em Nice,
o rúgbi foi o tema principal
do carnaval”.
Com um orçamento
de 204 milhões de euros advindo,
em grande medida, da venda de ingressos,
o Comitê de Organização
da Copa do Mundo de 2007 pensou grande.
Além de Cardiff (País
de Gales) e de Edimburgo (Escócia),
dez cidades franceses sediarão
os jogos: Bordeaux, Lens, Lyon, Marselha,
Montpellier, Nantes, Paris, Saint-Denis,
Saint-Étienne e Toulouse. Assim,
42 das 48 partidas acontecerão
na França, dentre as quais
as duas semifinais e a grande final.
Uma aventura
humana
Esporte praticado
sobretudo nas
regiões do sudoeste da França,
o rúgbi, que possui 266.000
praticantes na França, quer
aproveitar essa Copa do Mundo para
aumentar sua área de atuação.
O estímulo provocado pela Copa
do Mundo já é visível:
12.000 pessoas apresentaram-se para
trabalhar como voluntários.
No final, 6.000 foram selecionadas
em mais de vinte departamentos.
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“Esses voluntários vão
viver a mesma emoção
dos jogadores do XV de França
ou de qualquer outra equipe às
vésperas de uma competição,
comentam no Comitê de Organização.
Graças à disciplina
e à motivação,
esses voluntários irão
até o fim desta aventura humana
única e excepcional”.
No plano
estritamente esportivo, essa Copa
do Mundo deverá ser bastante
disputada: várias seleções
podem chegar ao título, como
os temidos All Blacks (Nova Zelândia),
os Wallabies (Austrália), os
Springboks (África do Sul),
os atuais campeões do mundo,
o XV da Rosa (Inglaterra) e, é
claro, os Bleus (França), time
vencedor do Torneio das Seis Nações,
em março de 2007.
“Temos
que ganhar essa Copa do Mundo, adverte
Jo Maso, ex-jogador e atual empresário
da seleção francesa.
É o que repetimos a nossos
jogadores há dois anos. Queremos
fazer como nossos primos do futebol
e do handebol [vencedores em 2001],
que já se consagraram campeões
do mundo”. Se os deuses do rúgbi
aceitarem o oráculo, a França
viverá de novo inesquecíveis
momentos de êxtase.
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Cerca
de 6.000 voluntários da organização
da Copa do Mundo de rúgbi recebem
os jogadores da equipe nacional em
18 de março de 2007. São
dez as cidades francesas que receberão
as equipes dos vinte países
participantes.
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A
partida França/País de
Gales durante o Torneio das VI Nações,
no Estádio da França,
em 2007. |
Para saber mais:
(site oficial
da Copa do Mundo)
(site da Federação Francesa
de Rúgbi)
(site da associação Jovem
Planeta Rúgbi, responsável
pela operação “o
francês na jogada”).
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Uma escola de vida
Segundo a
lenda, Winston Churchill definiu pessoalmente
esse jogo, criado na Inglaterra, seu
país natal, como “um
esporte de bandidos praticado por
nobres”. De fato, o rúgbi,
praticado hoje no mundo inteiro depois
de ter atravessado o Canal da Mancha
no final do século XIX, conservou
a imagem de uma atividade fundada
em um conjunto de valores. E o surgimento
do profissionalismo, em meados dos
anos 90, ainda não mergulhou
esse esporte de quinze jogadores na
deriva de seu primo, o futebol.
Jogadores,
treinadores, árbitros e simples
amantes do esporte são os primeiros
a afirmar: o respeito aos companheiros
de equipe, ao árbitro e aos
adversários, assim como a solidariedade
e a generosidade continuam a ser os
pilares sólidos desse esporte.
“Acontece de tudo nesse esporte.
Uma comédia humana cheia de
sensibilidade, esperanças e
decepções, risos e lágrimas”,
dizia o diretor de cinema francês
Louis Malle. A ponto de fazer desse
esporte uma escola de vida.
“O
rúgbi desenvolve valores educativos
fundamentais, sobretudo o espírito
de solidariedade. Quando se joga rúgbi,
compreende-se facilmente que, sem
os outros, não podemos fazer
nada. Esse esporte desenvolve o humanismo”,
acredita o ator francês Pascal
Légitimus. A formação
e o emaranhado de solidariedades combativas,
depois a sucessão de passes
para aquele que está atrás,
no apoio... O grande dramaturgo Jean
Giraudoux não estava enganado:
“Oito jogadores fortes e ativos,
dois rápidos e astutos, quatro
grandes e rápidos e um último,
mistura de fleuma e sangue-frio. O
rúgbi é a proporção
ideal entre os homens”. O rúgbi?
Um hino à diversidade.
Cyril
Pocréaux, jornalista
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Tomando a francofonia
de assalto
Fazer do
esporte um instrumento de aprendizado
da língua francesa: o objetivo
da operação, “o
francês na jogada”, é
claro. “Queremos utilizar o
vetor excepcional que representa a
Copa do Mundo de Rúgbi para
facilitar o crescimento da língua
francesa no mundo”, explica
Ivan Kabacoff, adido de cooperação
para a língua francesa no Ministério
das Relações Exteriores.
Foi com o estímulo
da Associação Jovem
Planeta Rúgbi que o projeto
nasceu. Preparado por Patrick Dunand,
professor de francês residente
na Austrália, um guia pedagógico
interativo terá como missão
ensinar aos aprendizes francófilos
os fundamentos da língua de
Molière a partir de termos
do rúgbi.
Outras ações
também serão realizadas
sob a ótica do mundial. O “Kit
de Sobrevivência” (ou
“French it up » na língua
de Shakespeare) e sessões de
aulas de francês destinadas
aos torcedores australianos são
exemplos disso. Realizadas em colaboração
com a Aliança Francesa de Sidney,
brochuras com as cem frases indispensáveis
em francês para os torcedores
durante sua estada na França
serão distribuídas para
os australianos que voarem para a
Europa no outono. A médio prazo,
esse precioso aliado será distribuído
a todos os torcedores estrangeiros.
Na Namíbia,
na Nova Zelândia, assim como
nas Ilhas Fidji, na Argentina e no
Reino Unido, outras iniciativas estão
sendo realizadas para familiarizar
os torcedores com as palavras “made
in France”. Enfim, mensagens
curtas, divulgadas na TV5 e na RFI,
apresentarão os jogadores estrangeiros
que participarão do campeonato,
mostrando seus primeiros contatos
com o mundo francófono. A mensagem
é clara. Sim, posso falar rúgbi
em francês!
Romain
Prat, jornalista
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