| Letras
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Dominique
Bourgon: o cotidiano à porta
De
seu cotidiano na periferia de Belfort
(leste da França), Dominique Bourgon,
de cinqüenta e dois anos, zeladora
de um prédio HLM[1],
publicou um livro: Un sens à la
vie (Um sentido para a vida), coletânea
de novelas, fragmentos de histórias
e trechos de vidas que conheceu durante
os anos em que foi zeladora. Por meio
dos testemunhos dos locatários,
ela fala dos “habitantes sensíveis
de um bairro problemático”,
os problemas do desemprego ou das expulsões,
a solidão, a violência, o
suicídio... Confidente e testemunha
de cenas extremas, ela retrata a história
de Sr. Mansour, filho de um atirador senegalês,
ou a do Pequeno Jenko, vindo da Bósnia.
Bourgon evoca também os sorrisos
forçados de uma moça que
trabalha no caixa e os estupros coletivos
narrados por Nadia e Fathia. Retratos
habilmente montados que contam de maneira
crua, mas também com humor e poesia,
os sofrimentos de vidas dilaceradas. |
A
escrita apurada, que mistura vários
estilos e cuja qualidade foi comentada
pela crítica, tornou-se uma necessidade
para Dominique Bourgon no dia em que viu
uma mulher jogar-se do 18º andar.
Ela quis, então, denunciar a existência
caótica desses anônimos,
deixando um registro de “todas essas
histórias empilhadas no concreto”.
Un Sens à la vie, (Um sentido para
a vida) de Dominique Bourgon, editora
Seuil, Paris, 2007. |
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Nancy Huston sonda
o século
Em seu último
romance, grande sucesso de venda antes
de ser a ganhadora do prêmio Femina
2006, a romancista e ensaísta
canadense Nancy Huston, que desde os
vinte anos adotou a França, explora
as “linhas de falha” que
atravessam a história de uma
mesma descendência através
de quatro narradores sucessivos, todos
com seis anos de idade nas diferentes
épocas narradas. Primeiro, vem
Sol, em 2004, convencido de que é
um gênio, puro produto da “América
dos Bush e Schwarzie”, super-protegido
pela mãe, surfando escondido
pela Internet em busca de fotos de Abou
Ghraib ou de vídeos pornográficos.
Em seguida, há Randall, que,
em 1982, foi com seus pais viver em
Israel, onde descobriu o ódio
entre as comunidades. Depois vem Sadie,
mãe de Randall, que se converteu
ao judaísmo, mas que, em 1962,
contenta-se em admirar loucamente sua
mãe, célebre cantora sem
letras. Por fim, Kristina, essa mãe
que encontramos na Alemanha vencida
de 1944, confrontada aos mistérios
de suas origens.
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As quatro personagens têm personalidades
opostas e parece que nada as une, a não
ser uma mesma marca de nascença
em seus corpos. É assim, entretanto,
que a autora tece outros laços
fortes que correm de uma a outra e revelam,
de trás para frente, os segredos
dessa família por meio dos traumas
de infância e acontecimentos históricos
do século XX.
Lignes
de faille (Linhas de falha), de Nancy
Huston, editora Actes Sud, Arles, 2006.
Audrey
Levy, jornalista |
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As midiatecas no
mundo todo
Durante o 27º
Salão do Livro de Paris (de 23
a 27 de março de 2007), uma dezena
de midiatecas, entre as 400 que compõem
a rede cultural francesa em 167 países,
foram colocadas à disposição
para a operação “Volta
ao mundo das midiatecas”. Um evento
organizado pelo Cultures France, promotor
cultural do Ministério da Relações
Exteriores, da Cultura e das Comunicações,
que conseguiu ligar em tempo real, graças
ao dispositivo webcam, o público
do Salão do Livro aos escritores
e agentes culturais reunidos nas midiatecas
francesas no exterior. Autores franceses
como Pascale Roze, Jean-Christophe Rufin,
Marie Darrieussecq e Erik Orsenna puderam,
do mesmo modo, conversar ao vivo com
seus admiradores nos cinco continentes.
A rede de midiatecas
francesas no exterior é a mais
ampla do mundo, com um acervo de 5 milhões
de documentos e 8 milhões de
visitantes por ano.
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Tirthankar Chanda,
jornalista
[1].
De “habitation
à loyer modéré”:
conjunto habitacional a preços populares.
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