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ano La Fayette. Sob a bandeira das Luzes

O
marquês de La Fayette, em uniforme de
capitão, por Louis Léopold Boilly
(1788).
O ano
inteiro de 2007 será dedicado à
celebração, da região de
Auvergne aos Estados Unidos, do 250o aniversário
do nascimento de La Fayette, aquele que os americanos
do século XVIII gostavam de chamar de
“Nosso Marquês”.
Nada
menos que 27 cidades nos Estados Unidos têm
o nome de La Fayette e nada menos que uma dezena
de condados também! Em Washington, em
frente à Casa Branca e no centro de uma
praça, que também tem o seu nome,
está a estátua eqüestre desse
nobre francês nascido no castelo de Chavaniac,
na região de Auvergne (centro da França)
em 1757, a quem foi atribuído, a título
póstumo, o título de cidadão
de honra dos Estados Unidos da América
em 8 de agosto de 2002, um privilégio
bastante raro. Isso se deve ao fato de que,
do outro lado do Atlântico, Marie Joseph
Paul Yves Roch Gilbert du Motier, mais conhecido
pelo nome de marquês de La Fayette, continua
a ser uma figura heróica ligada à
história da independência americana.

O
general George Washington e o marquês
de La Fayette na batalha de Valley Forge
em 1777, durante a guerra da Independência.
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Um “herói
de Dois Mundos”
Incorporado
ao exército dos Estados Unidos
como major geral e, em seguida, coronel
da cavalaria, o marquês de La
Fayette de fato participou, em 1781,
da célebre e decisiva batalha
de Yorktown, na Virgínia, ao
lado do general George Washington, com
as tropas do conde de Rochambeau e a
frota do conde de Grasse. Essa batalha,
vencida pelas forças aliadas
americanas e francesas, marca a rendição
do exército britânico e
o término da guerra de Independência
americana. Foi em Paris, no hotel York,
que se assinou, em 3 de setembro de
1783, o acordo de paz pelo qual o reino
da Inglaterra reconhece a independência
das treze colônias, símbolo
da aproximação entre americanos
e franceses, que são “os
filhos das Luzes e de seus ideais”.
É o que quer lembrar o ano La
Fayette, sendo “bem mais do que
uma simples série de manifestações
comemorativas e pontuais”, como
destaca a Embaixada da França
em Washington.
Victoire era
o nome da fragata[1]
que o jovem francês, nobre e rico,
fretou por conta própria em abril
de 1777, quando cruzou os mares em direção
à América pela primeira
vez. Com apenas vinte anos, acabara
de se unir a uma das famílias
mais influentes do reino da França,
casando-se com a neta do duque de Noailles.
Recém-nomeado tenente dos mosqueteiros
negros da casa militar do rei, seu caminho
parecia traçado: seguir a carreira
militar do pai, trajetória natural
para um jovem filho de uma família
tradicional e ilustre. La Fayette, entretanto,
decidiu tomar outros rumos, desafiando
a proibição do rei, alistando-se
como voluntário e sem soldo como
“defensor dessa liberdade que
idolatro (...), vindo como amigo oferecer
meus préstimos a esta República
(dos Estados Unidos) tão interessante...”,
escrevia a sua mulher, em 7 de junho
de 1777, ao chegar à Filadélfia.
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Defensor
da liberdade e das Luzes
Pouco
tempo antes, a declaração
de Independência dos insurretos
das colônias inglesas havia sido
proclamada em 4 de julho de 1776 e Benjamin
Franklin desembarcou em Paris naquele
mesmo ano em busca de apoio. O espírito
das Luzes estava no ar. As idéias
dos filósofos apaixonavam, fazendo
com que a causa da independência
atraísse muitos voluntários
do exterior...
Em sua chegada ao Novo Mundo, o jovem
marquês foi nomeado comandante de
uma divisão, depois de ter sido
ferido na batalha de Brandywine, em setembro
de 1777. Ele gozou então de enorme
popularidade, o que foi muito importante
para a conclusão do tratado franco-americano
de 6 de fevereiro de 1778, pacto de comércio
e de amizade, bem como aliança
militar. O que lhe permitiu obter de Luis
XVI o envio de um corpo expedicionário
aos Estados Unidos em 1780. A vitória
de outubro de 1781 fez dele um herói
da liberdade, recebido como tal em seu
retorno à França no ano
seguinte.
A conquista de direitos
A
constituição dos Estados
Unidos da América foi aprovada
em 1787. Vários exemplares circulavam
na França e inspiravam as mentes
esclarecidas entre a nobreza e a burguesia.
A Revolução Francesa era
iminente. Deputado da nobreza nos Estados
Gerais de 1789[2],
La Fayette propôs um projeto de
declaração dos direitos
do homem e do cidadão, próxima
do modelo do outro lado do Atlântico.
Depois de tantos combates justos, Monsieur
de La Fayette viveu sucessos mais fortes,
mas continuou a inflamar-se pela defesa
dos mais oprimidos. Como digno “primogênito
da liberdade” que, ao lado dos americanos,
escreveu uma das páginas mais célebres
da História.
[1].
Navio de guerra
com três mastros.
[2].
Assembléia
política que reunia em torno do
rei os três corpos da nação:
o clero, a nobreza e o terceiro estado
(campesinato e burguesia).
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Um ano para celebrar
a amizade franco-americana
Dentre
as diversas manifestações
organizadas nos Estados Unidos em 2007-2008,
citemos um grande seminário sobre
o tema: “É preciso reacender
as Luzes?”, com intelectuais franceses
e americanos, jornalistas e membros do
Congresso, em Washington DC; uma série
de conferências sobre a história
diplomática da guerra de Independência,
a questão anti-escravagista no
contexto das revoluções
americana e francesa, em Washington DC
e na Filadélfia; concertos, espetáculos
teatrais, leituras de textos e projeções
de filmes.
Do
lado francês, destacamos, em maio
de 2007, a cerimônia de colocação
de uma placa na casa, em Paris, onde morreu
La Fayette em 1834, colóquios e
reconstituições históricas
no interior do país.
Para saber mais:
• La Fayette,
la stature de la liberté, (La Fayette,
estatura da liberdade) de Gonzague Saint
Bris, ed. Télémaque, 2006.
• :
para obter o programa da comunidade de
aglomeração de Issy-les-Moulineaux,
próximo a Paris, onde se instalaram
mais de 50 empresas americanas ou que
exportam para os Estados Unidos.
•
: Centro Internacional de Lafayette, na
Louisiana.
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