Ministério das Relações Exteriores.

A cultura francesa rumo ao Norte

A companhia de teatro de rua Royal de Luxe em ação na capital islandesa, Reykjavik.

Dois países do norte da Europa, Islândia e Letônia, recebem a Primavera Francesa de 2007, dedicada à cultura, ao patrimônio e à criação artística da França, organizada por vários parceiros, entre eles, o Ministério das Relações Exteriores e o CulturesFrance.

Por que não na Islândia ?

Jean-Baptiste Charcot (1867-1936), oceanógrafo e amigo fiel do povo islandês, cruzava o mar do Norte a bordo de seu navio, o Pourquoi-pas ? (Por que não?), nome escolhido para a Primavera Francesa na Islândia, que aconteceu de 22 de fevereiro a 12 de maio de 2007 nos festivais e nos palcos de um país de vanguarda, criando, nessa ocasião, uma exposição permanente sobre o comandante no Centro de Pesquisa Científica de Sandgerdi.

Do fauvismo (uma exposição vinda do museu de Belas Artes de Bordeaux, com pinturas que influenciaram gerações de artistas islandeses) ao hip-hop, com o grupo Pockemon Crew, passando pelos concertos de Émilie Simon e Dionysos (ver dossiê) ou uma exposição dedicada aos designers, o programa é bastante variado. Uma criação inédita reuniu o coreógrafo Serge Ricci e o Ballet da Islândia, enquanto Molière e Marie Darrieussecq foram montados no Teatro Nacional. O Festival Food & Fun recebeu chefes franceses estrelados no Reykjavik Art Museum.

No fechamento dessa Primavera, a pianista Hélène Grimaud deu um concerto com a Orquestra Sinfônica islandesa e as marionetes gigantes da companhia de teatro de rua Royal de Luxe assumiram lugar de destaque na capital, Reykjavik.

Para saber mais: www.pourquoipas.is


Uma primavera francesa na Letônia

Lançada em 21 de março, a Primavera Francesa organizada até 21 de junho na Letônia assumiu uma envergadura inédita para o tamanho desse pequeno país báltico bastante aberto à cultura. Essa Primavera também respondeu à vontade de muitos parceiros franceses, que em 2005 haviam recebido a temporada Surpreendente Letônia na França, de descobrir, por sua vez, esse país. Foi o caso das cidades de Bordeaux e Lyon, muito presentes, de regiões como Aquitânia, Alsácia e Baixa-Normandia, de uma cidade como Cabourg (parceira da cidade de Jurmala) e cujo prefeito fez uma conferência sobre Marcel Proust. Também foi o caso das escolas superiores – Arte e Design em Saint-Étienne e Artes Decorativas em Strasbourg – cujos alunos foram recebidos na Academia de Belas Artes de Riga, com uma exposição ao término dos trabalhos.


Dentre os inúmeros eventos, destacamos o Festival do Filme Francês em várias cidades do país, a retrospeciva François Truffaut e a apresentação de filmes de animação de Michel Ocelot (autor de Kirikou); obras interpretadas por artistas letões (entre elas A Danação de Fausto de Berlioz pela Orquestra Nacional Sinfônica e o coro Latvija, sob a batuta de um maestro francês); concertos de música contemporânea (Pierre Henry, papa da música concreta e Yann Tiersen); a participação de vários escritores de destaque, como Jean Echenoz, que teve dois de seus romances traduzidos, Ravel e Vou embora; chefes franceses em grandes restaurantes letões; intercâmbios entre industriais, estudantes, universitários e parcerias econômicas; além das lendas da Bretanha, da porcelana de Sèvres, do circo e da moda, etc.


Todos os letões, ou quase, participaram, a começar pela primeira deles, a Presidente Vaira Vike-Freiberga, que fez uma conferência sobre sua pesquisa das dainas, canções letãs tradicionais, publicada em francês pela editora William Blake et Co.

Para saber mais: www.printempsfrancais.lv

 

Monique Perrot-Lanaud, jornalista

A companhia Montalvo-Hervieu na Primavera Francesa na Letônia.