Ministério das Relações Exteriores

César 2007: o triunfo da diversidade

Cartaz de "Não conte a ninguém", que conquistou cerca de 3 milhões de espectadores na França.

Em sua trigésima-segunda edição, a prestigiada cerimônia de entrega do César, que premia anualmente o cinema francês, escolheu dois filmes que são emblemáticos do ecletismo da produção francesa, ambos adaptações de romances ingleses: Lady Chatterley, de Pascale Ferran, inspirado na obra literária de D. H. Lawrence e Ne le dis à personne (Não conte a ninguém), segundo longa-metragem assinado pelo ator Guillaume Canet, adaptação do best-seller contemporâneo de Harlan Coben.

Figura respeitada do cinema autoral francês, Pascale Ferran (Petits Arrangements avec les Morts, L’Âge des Possibles) surpreendeu com sua adaptação bastante moderna e inspirada de O Amante de Lady Chatterley, que ganhou o cobiçado César de melhor filme, além dos prêmios de melhores fotografia, figurinos, adaptação e, finalmente, de melhor atriz, pela notável atuação de Marina Hands, até então mais conhecida dos palcos.

 

Pascale Ferran faz uma leitura delicada e passional do romance subversivo de D.H. Lawrence, que conta a história da relação adúltera entre uma jovem castelã e um guarda-caça na Inglaterra dos anos 1920, onde o desabrochar da natureza instiga o desejo, ocasionando o encontro de duas pessoas vindas de mundos opostos e a quem, apesar disso, o amor consegue reunir.

Essa obra rara e audaciosa, aplaudida pela crítica e recompensada com o prêmio Louis-Delluc, já teve de enfrentar grandes obstáculos. Em um sistema de produção dominado pelas redes de televisão, que definem cada vez mais o formato dos filmes, apenas a rede franco-alemã Arte aceitou financiá-la. Pascale Ferran, aliás, chamou a atenção do público, em sua intervenção bastante apreciada, para a ameaça que sofre o cinema de arte na França.


Cartaz de Lady Chatterley, com a legenda: “É o desejo que faz o mundo girar”.

A diretora Pascale Ferran, César de melhor filme por Lady Chatterley, encarnada por Marina Hands, César de melhor atriz.

Já tendo sido vendido para quase todo o mundo e eleito o melhor filme francês do ano, com o prêmio Lumière, concedido pela imprensa estrangeira, Não conte a ninguém também recebeu as honrarias do meio cinematográfico. Guillaume Canet, eleito melhor diretor aos trinta e três anos, assina um thriller palpitante cuja direção é inventiva e eficiente (o filme também recebeu o César de melhor montagem). Oito anos após o assassinato de sua mulher, Alex vê ressurgirem os demônios do passado e acaba arrastado por uma espiral infernal. Essa narrativa em ritmo alucinante, que alterna cenas de ação com momentos de emoção, levou cerca de três milhões de espectadores às salas de cinema.

Uma produção que reúne um elenco de primeira linha: François Cluzet (César de melhor ator pela primeira vez em sua carreira), com uma interpretação admirável, André Dussolier, Jean Rochefort, Natalie Baye, Kristin Scott Thomas, Marie-Josée Croze e ainda Marina Hands!