Ministério das Relações Exteriores

Centro Pompidou. Trinta anos de audácia e criatividade

A fachada pela qual o público tem acesso ao Museu de Arte Moderna, às exposições temporárias, à biblioteca ou ao terraço que se projeta sobre Paris.
Alguns números…
• O Centro Pompidou recebeu mais de 5,1 milhões de pessoas em 2006.
• 19 % dos visitantes são turistas estrangeiros.
• O orçamento do Centro chega a 104,5 milhões de euros (além de seus próprios recursos).
• O Ircam criou cerca de 430 obras desde 1977.

Em janeiro de 1977, o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges-Pompidou abria suas portas em Paris. Desde então, esse lugar excepcional destinado à criação, cosmopolita e aberto a todas as formas artísticas, vem sendo testemunha e, ao mesmo tempo, protagonista no cenário cultural francês e internacional nas últimas décadas. E pretende continuar sendo.

“Nossa Senhora do Encanamento”, “refinaria de petróleo”, “verruga de vanguarda”, etc. Estes foram alguns dos apelidos irônicos recebidos pelo Centro Pompidou, ou Beaubourg, como é mais naturalmente chamado, por ser este o nome da rua em que está instalado. O Centro está comemorando trinta anos! A audaciosa arquitetura que emprega câmaras-de-ar e tubos coloridos, ousada pela dupla de arquitetos italiano e britânico Renzo Piano e Richard Rogers, provocou o maior espanto. Entretanto, apesar das controvérsias que opuseram defensores e detratores, esse projeto revolucionário tornou-se logo um sucesso.

Sucesso esse que se confirmou com o tempo. De fato, cerca de 17.000 visitantes dirigem-se todo dia a seus diferentes espaços, usando a escada rolante que, como uma lagarta, desliza ao longo da fachada de vidro que se projeta sobre a praça com sua multidão e seus saltimbancos. Se uns vão ao Museu Nacional de Arte Moderna, outros lançam-se à descoberta das exposições temporárias ou da Biblioteca Pública de Informação, cujo acesso é livre.

A arquitetura do prédio não perdeu nada do seu caráter inovador trinta anos depois.

Aposta ganha

Ninguém duvida que esse projeto soube responder às expectativas de seus iniciadores. Em 1969, Georges Pompidou, então presidente da República, ambicionava fazer dele “um museu e um centro de criação onde as artes plásticas fossem vizinhas da música, do cinema, dos livros, da pesquisa audiovisual, etc.” A diversidade dos eventos culturais que, desde então, dão ritmo à vida do Beaubourg mostra o quanto a aposta foi ganha: citemos as exposições “Paris-Berlim” (1978 e, desde 1997, anualmente), “Dali” (1980), Matisse (1993), “Feminino-Masculino” (1995), “Dada”(2005) e “Yves Klein” (2006), as leituras de William Burroughs, os balés de Merce Cunningham, as peças de Tadeusz Kantor ou ainda os concertos de Pierre Boulez, fundador do Instituto de Pesquisa e Coordenação Acústica/ Música (Ircam), verdadeiro laboratório musical do Beaubourg.

Segundo maior acervo do mundo

Desde as suas origens, o Centro Pompidou não deixou de enriquecer seus acervos, tornando-os cada vez mais internacionais, a ponto de contar com o segundo acervo de arte moderna e contemporânea do planeta, atrás apenas do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (Estados Unidos). O Beaubourg dispõe de mais de 59.000 obras (artes plásticas, fotografia, arquitetura, design, filmes, arte digital...) que faz circular pelo mundo todo. Uma dinâmica que pretende continuar desenvolvendo uma vez que o centro tem hoje como prioridade, além de fortalecer o apoio à cena francesa, “o enriquecimento e o aumento do acervo” e “a ampliação do cenário artístico internacional”, buscando particularmente detectar novos talentos e movimentos inéditos nos países emergentes.

O desenvolvimento da pesquisa é outra ação que o Centro Pompidou deseja manter. Com essa finalidade, ele criou em 2006 um Instituto de Pesquisa e Inovação, cuja vocação é explorar novas áreas (cinema, espetáculos, etc.), incorporando a dimensão das tecnologias digitais.

Por fim, o Beaubourg não pretende diminuir a atenção dada ao público jovem. Muito pelo contrário: os adolescentes deverão dispor futuramente de um espaço especialmente concebido para eles, baseado nas noções de inovação, design e espaço em movimento.

Para saber mais: www.centrepompidou.fr

Centre Pompidou: trente ans d’histoire, (Centro Pompidou: trinta anos de história) sob a direção de Bernadette Dufrêne, editora do Centro Pompidou, Paris, 2007.

Florence Raynal, jornalista

Dois eventos de primeira grandeza

Desde 1º de fevereiro de 2007, após dois anos de obras, o Centro Pompidou apresenta uma nova montagem de seu acervo de arte moderna a fim de marcar seus trinta anos. São assim destacados os laços entre as diversas formas de expressão artística: pintura, escultura, fotografia, design, etc. Além disso, o Beaubourg oferece em 2007 uma programação que compreende o conjunto de suas áreas de atividade. Em particular, de 25 de abril a 15 de agosto, ele organiza uma grande exposição multidisciplinar, “Ares de Paris”, cujo título evoca a obra de mesmo nome de Marcel Duchamp. Uma maneira de relembrar a retrospectiva feita sobre o artista que marcou a inauguração do Beaubourg. Cerca de 58 artistas e 16 paisagistas, designers e arquitetos expõem seus trabalhos sobre o tema da cidade e da vida urbana.

F. R.

 

Artes plásticas, arquitetura, design, filmes, arte digital... O Beaubourg dispõe de mais 59.000 obras.

À conquista de Metz e... Xangai

Em 7 de novembro de 2006, foi lançada a pedra fundamental do edifício confiado aos arquitetos Jean de Gastines e Shigeru Ban, que servirá como envelope para um segundo Beaubourg, em Metz (300 km a nordeste de Paris). O Centro Pompidou-Metz, cuja inauguração está prevista para 2009, deverá ser, segundo Bruno Racine, presidente do Centro Pompidou, “uma projeção” do Beaubourg sem ser uma “réplica”. Ele permitirá particularmente que as obras do acervo do Museu Nacional de Arte Moderna sejam vistas por um novo público, sobretudo europeu, visto que Metz fica perto da Alemanha e do Benelux.

Olhando mais além, o Centro Pompidou prepara-se agora para implantar na cidade chinesa de Xangai uma extensão “fundada no intercâmbio e no diálogo”. Esta será beneficiada pela experiência do Beaubourg, que será responsável pela concepção de sua programação e “se enriquecerá, por sua vez, com um conhecimento aprofundado dos cenários chinês e asiático”.

F. R.