Ministério das Relações Exteriores

Sarkis e seu museu imaginário

Sami Sarkis nasceu em Istambul (Turquia) em 1938, mas escolheu Paris para fazer com que sua arte desabrochasse. De origem armênia, estudou no Liceu Francês da cidade turca, antes de fumar seu primeiro Gauloise[1] no café-restaurante La Palette, em Saint-Germain-des-Prés. Isso foi em 20 de setembro de 1964, aos vinte e seis anos, com a cabeça cheia de telas impressionistas, textos de Camus, Sartre e do cinema da Nouvelle Vague[2]. “Paris é um lugar extraordinário, a partir do qual você pode olhar o mundo inteiro. Desde que cheguei aqui, essa mistura de culturas me inspirou”, explica.

Quarenta e três anos e 450 exposições mais tarde, Sarkis é reconhecido internacionalmente por seu trabalho proteiforme e mestiço. Suas instalações em homenagem a Paris, nesta primavera [boreal] de 2007, são uma mistura de pintura, escultura, vídeo, som, música e fotografia... Elas evocam a memória, a transmissão e provocam o encontro de objetos de origem heteróclita. Este museu imaginário foi construído por Sarkis em seu ateliê de 450 metros quadrados instalado por ele em Villejuif, próximo a Paris, há seis anos. “É um lugar à parte, um ateliê voador, pois permite um vôo mental!”, e também permite ver o mundo.

Monique Perrot-Lanaud, jornalista


- Sarkis: rencontres avec Uccello, Grünewald, Munch, Beuys (Sarkis: encontros com Uccello, Grünewald, Munch, Beuys), até 21 de maio no Museu do Louvre, no âmbito do Ano da Armênia na França.

- Inclinaison (Inclinação), até 3 de junho no Museu Bourdelle, em Paris.

[1]. Célebre cigarro escuro francês.

[2]. Corrente do cinema francês animada nos anos 1960 por cineastas como François Truffaut e Jean-Luc Godard.