Ministério das Relações Exteriores

Paul Andreu, o arquiteto francês da Ópera de Pequim

Paul Andreu conclui, em julho de 2007, uma das obras mais importantes de sua longa carreira: o Grande Teatro Nacional da China. Uma ilha cultural no meio de um lago situado no centro da capital chinesa.

Foram necessários quase oito anos para que o edifício cultural mais esperado do país, símbolo da nova China, fosse construído. O Grande Teatro Nacional da China, instalado na Avenida Chang’An, a cerca de 500 metros da Praça da Paz Celestial e da Cidade Proibida, terá três salas de espetáculo, uma ópera com 2.416 lugares, uma sala de concertos, um teatro e espaços destinados a exposições. “A Ópera de Pequim, o elemento central do complexo, formará uma pérola barroca colocada sobre a água”, comenta o arquiteto francês.

Canteiro de obras faraônico

Paul Andreu, sessenta e nove anos, não é um recém-chegado ao império do Meio. O arquiteto construiu o aeroporto de Pudong e o centro de Artes Orientais de Xangai, trabalhando atualmente na concepção de uma nova cidade administrativa em Chengdu e um estudo de urbanismo para Nanjing. Talvez ele seja hoje o francês mais célebre da China graças ao canteiro de obras faraônico da Ópera de Pequim, no qual cerca de 4.000 operários, espalhados por um canteiro de obras gigantesco, trabalharam dia e noite durante cinco anos para fazer com que o grande domo futurista em titânio e vidro, cercado por um lago de 35.000 metros quadrados, saísse da terra.

A realização da Ópera de Pequim é o resultado de uma longa carreira para esse ex-aluno da Faculdade Politécnica, que se tornou arquiteto no final dos anos 1960, cujo talento está presente nos quatro cantos do mundo. Conhecido na França pela realização do aeroporto de Roissy-Charles-de-Gaulle e seus numerosos terminais, o Grande Arco da Défense e ainda o trampolim olímpico de Courchevel, Andreu exportou sua experiência para o mundo inteiro.

Durante quase quatro anos, o criador de Roissy trabalhou em cerca de sessenta aeroportos e construiu mais de vinte deles, do Chile ao Japão, passando pelo Egito, a serviço dos Aeroportos de Paris. Foi apenas em 2002 que se decidiu a alçar vôo solo, abrindo seu próprio escritório de arquitetura. Admirador de Charles Garnier (o arquiteto da Ópera de Paris) e amante das artes, esse embaixador da arquitetura francesa no exterior foi recompensado com um dos prêmios de maior prestígio (o Globo de Cristal 2006, da Academia Internacional de Arquitetura, o Grande Prêmio nacional de arquitetura).

Julien Nessi, jornalista

Para saber mais...

• Le Grand Théâtre National de Pékin. Comment réussir un opéra, de Charles Garnier à Paul Andreu, (O Grande Teatro Nacional de Pequim. Como realizar com sucesso uma ópera, de Charles Garnier a Paul Andreu) de Gérard Fontaine, ed. Agnès Viénot, 2003.

• J’ai fait beaucoup d’aérogares, (Fiz muitos aeroportos) de Paul Andreu, ed. Descartes & Cie, 1998.