Ministério das Relações Exteriores

Pancho: a política em grandes traços

Seus desenhos são reconhecidos imediatamente nos jornais franceses, por seu traço denso e seus personagens maciços. Um detalhe, um gesto, uma expressão revelam a vaidade e o ridículo de suas posturas. Sua ironia é algumas vezes feroz e freqüentemente maliciosa. Pancho é um desenhista do absurdo que tem saudade da inocência.

Quando chegou a Paris, em 1983, Pancho, que havia deixado sucessivamente o Uruguai e a Argentina por causa dos golpes de Estado, acabara de passar oito anos na Venezuela, seu país natal. Pouco a pouco, ele foi sendo adotado pelos principais jornais franceses (o diário Le Monde, o semanário Le Canard Enchaîné) e seus leitores. Quando se fala em “talento” e “trabalho”, ele responde que teve “muita sorte” e reconhece, embora com modéstia, “não ter sido fácil”. Não é para menos, pois era a terceira vez que começava do zero com a família e, desta vez, mudando de continente e de língua!

“Viver na França foi mesmo uma escolha familiar e, hoje, eu me sinto em casa”, comenta. Quanto ao meu passado, acho que é uma riqueza que contribui para a diversidade cultural francesa!”. Esta lhe parece essencial: “A França é um ponto de encontro e Paris, mais ainda; estamos na linha de frente em relação ao que acontece culturalmente no mundo”.

Olivia Marsaud, jornalista