A fábrica de sonhos de Michel Gondry

A “massa” única desse artesão genial, diretor de clipes, filmes publicitários e longa-metragens, fez dele um videasta consagrado nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, antes que fosse reconhecido na França.
Michel Gondry é um menino grande. Um adulto que soube conservar seu lado criança, com a capacidade de reinventar o universo o tempo todo, de olhar o mundo de maneira única e onírica. Um verdadeiro criador que brinca com os gêneros e as convenções.
Nascido em 1963 em Versalhes, perto de Paris, Gondry estudou artes aplicadas na capital, optado depois pela música, tornando-se baterista de um grupo de pop-rock no final dos anos 1980; foi quando começou a fazer os clipes do grupo que passavam regularmente na MTV. A cantora islandesa Björk, na época iniciando sua carreira, encantou-se com o trabalho do diretor e entrou em contato com ele... A rica parceria entre os dois foi seguida por clipes para Daft Punk, Lenny Kravitz, Rolling Stones e muitos outros.
Nos meios descolados de Nova Iorque e Londres, Gondry tornou-se rapidamente uma referência. Seu estilo único, feito de experimentações e pedaços de barbante, contos e filmes rascunhados, poéticos e aéreos, faz dele um diretor de clipes extremamente vanguardista.

"A ciência dos sonhos",
lançado em 2006, é o
primeiro longa metragem
rodado na França,
com traço autobiográfico,
de Michel Gondry
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Um diretor inovador
Depois dos clipes, ele entrou para o universo da publicidade, fazendo filmes para Levi’s, Air France, Nike e Adidas. Em 2001, lançou seu primeiro longa-metragem em inglês, Human Nature, uma fábula filosófica sobre a condição humana. Com uma recepção morna da crítica, o filme permitiu, contudo, que seu nome chegasse aos ouvidos do grande público, que só o descobriu três longos anos depois com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Conduzido pelo grande Jim Carrey, essa incrível história de amor e de memória apagada colocou Michel Gondry entre os mais brilhantes diretores da atualidade e lhe rendeu um Oscar de melhor roteiro.
2006 é o ano da consagração, com o lançamento seguido de dois filmes. O título do primeiro, uma ficção, já parece encarnar o programa de Michel Gondry: La Science des Rêves (A Ciência dos Sonhos). Nova história de amor atípica entre Charlotte Gainsbourg e Gael García Bernal, esse filme marca o retorno de Gondry a seu país de origem, uma vez que a maioria do elenco é francesa. O segundo filme, Block Party, é um documentário musical com a nata da soul music e do hip-hop americano que relembra a paixão do diretor pela música, sem jamais esconder seu estilo incomparável e suas escolhas estilísticas sempre surpreendentes.
Pierre Langlais, jornalista
Para saber mais:
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