Sucessos industriais, o espírito de equipe

A ATV-nave de abastecimento - constitui uma das principais conribuições européias
à estação espacial internacional
Hoje, Airbus e Ariane, amanhã, GALILEU ou: quando os países europeus reúnem suas competências...
“Ariane é um forte símbolo do que a Europa é capaz de realizar quando está unida”: era o que afirmava Charles Hanin, presidente da conferência espacial européia, já em 1973. Naquele ano, dez países europeus (França, Alemanha, Bélgica, Reino Unido, Holanda, Itália, Suíça, Espanha, Suécia e Dinamarca, em ordem decrescente de participação financeira no projeto) decidiram desenvolver um programa capaz de garantir a autonomia da Europa em matéria de lançamentos espaciais.
Trinta anos depois, a quinta geração do Ariane continua a concretizar um êxito técnico, industrial e comercial excepcional. Referência mundial em termos de transporte espacial, o Ariane detém mais de 50% de parcelas de mercado nos lançamentos em órbita geoestacionária.
Airbus é o fruto de uma outra bela aventura européia. Criada nos anos 1970 por França e Alemanha sob a forma de GIE (Grupamento de Interesse Econômico), a empresa aeronáutica conquistou, em três décadas, mais da metade do mercado dos aviões civis, ultrapassando sua concorrente, a gigante americana Boeing.
O sucesso da Airbus está diretamente ligado a suas inovações tecnológicas. Em seu lançamento, em 1987, o A320 foi o primeiro avião civil a oferecer comandos de vôo elétricos. Ele é, hoje, um dos aviões de transporte de passageiros mais vendidos no mundo. Atualmente, no programa da Airbus (tornada, desde 2001, uma empresa integrada, da qual 80% pertencem à EADS – European Aeronautic Defence and Space Company – e 20% à BAE – British Aerospace), está o sucesso do A380. Ainda em fase de certificação no momento, o maior avião de linha do mundo poderá transportar até 850 passageiros em vôos sem escala de 15.000 km.
“Success story”
Iniciado pela União Européia e pela Agência Espacial Européia (ESA), GALILEU [] poderá ser a próxima “success story” européia. Operacional a partir de 2010, o programa de radionavegação por satélite precisa de um investimento estimado em 3,4 bilhões de euros. Mais preciso, confiável e seguro que o americano GPS (Global Positioning System), GALILEU baseia-se numa constelação de 30 satélites e estações terrestres. Uma vez implantado, permitirá aos usuários, equipados com receptor adequado, conhecer sua posição em tempo real, com precisão a de um metro. Vários setores de atividades serão beneficiados: transportes (localização de veículos, busca de itinerários, controle de velocidade e sistemas de monitoramento), serviços sociais (auxílio para os portadores de necessidades especiais e para os idosos), justiça e alfândega (controle de fronteiras), trabalhos públicos (sistemas de informação geográfica), resgate de pessoas perdidas, ou lazer (orientação no mar e na montanha principalmente)... GALILEU também deve gerar mais de 100.000 empregos.
Emmanuel Thévenon,
jornalista
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