Ministério das Relações Exteriores.

Por um verdadeiro espaço europeu da pesquisa

Janez Potocnik, membro da Comissão Européia responsável pela Ciência e Pesquisa,
no vernissage da exposição destinada ao projeto de reator termonuclear experimental internacional Iter, lançado oficialmente em novembro de 2006

Consciente de que a pesquisa e a inovação são determinantes para o crescimento das economias modernas, a Europa definiu como objetivo destinar 3% de seu PIB, de hoje até 2010, à P&D (pesquisa e desenvolvimento).

Airbus, Ariane, GSM, web… A Europa pode orgulhar-se de vários êxitos científicos e tecnológicos, embora a UE não invista tanto na pesquisa quanto seus principais concorrentes. Em 2003, destinou apenas 1,96% de seu PIB (a França destinou 2,19%) contra 2,80% para os Estados Unidos.

Desde sua criação, a UE desempenha um papel cada vez mais importante na pesquisa. Em 1958, criou um Centro Comum de Pesquisa (CCR), que garante a segurança dos reatores nucleares. Participa também de vários organismos internacionais, como o Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear (CERN), o Laboratório Europeu de Biologia Molecular (LEBM), o Observatório Austral Europeu (ESO ou European Southern Observatory) e a Agência Espacial Européia (ESA ou European Space Agency).

Programas-quadro ambiciosos

Seu envolvimento traduz-se, principalmente a partir de 1984, nos programas-quadro de pesquisa e desenvolvimento técnico (PCRDT). Esses programas têm por objetivo evitar o duplo emprego e auxiliar a UE a utilizar melhor seu potencial, criando um “espaço europeu da pesquisa”. O sexto PCRDT, concluído em 2006, mobilizou mais de 24 bilhões de euros em quatro anos.

Sete áreas são prioritárias: ciências da vida, tecnologia para a sociedade da informação, nanotecnologias, aeronáutica, segurança alimentar, desenvolvimento sustentável, cidadãos e governança. Em maio de 2004, a Comissão Européia constituiu a principal rede de pesquisa mundial sobre as doenças relacionadas ao príon, agente infeccioso que ataca o sistema nervoso central. Em alguns anos, o GALILEU, graças a uma constelação de 30 satélites, proporcionará à Europa um sistema avançado de radionavegação independente [ver Label France nº 62].

O orçamento da pesquisa européia ainda deverá dobrar no âmbito do 7o PCRDT (2007-2013), chegando a 48 bilhões de euros. Entre os vários projetos, a Europa subvenciona o projeto ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor). Esse reator, construído na França, em Cadarache (Bouches-du-Rhône), busca demonstrar a viabilidade da fusão nuclear como fonte de energia quase inesgotável e pouco poluente [ver LF nº 61].

Uma outra prioridade é a “Vigilância mundial para o meio ambiente e a segurança” que deve auxiliar os dirigentes a prever ou combater as crises ambientais. Finalmente, o Instituto Europeu da Tecnologia (IET) deve ser criado nos próximos anos, como confirmou a reunião de cúpula informal de Lahti em 20 de outubro de 2006, bem como o Conselho Europeu da Pesquisa, um organismo independente que selecionará projetos de pesquisa segundo critérios de excelência.

Para saber mais:

RTD info, principal revista da União Européia sobre a pesquisa européia, disponível em alemão, inglês, espanhol e francês no site: europa.eu.int/comm/research/rtdinfo/index_fr.html.