Ministério das Relações Exteriores.

Uma cultura da pluralidade de culturas



Os países europeus compartilham uma herança cultural comum que compreende, principalmente, a antiguidade greco-romana. Museu Thorvalsens em Copenhage, Dinamarca.

Promover uma cultura européia que respeite e, ao mesmo tempo, apóie a variedade das culturas de seus membros é a proeza realizada com êxito pela Europa. Nessa área, unidade rima com diversidade.

Contribuir para o “florescimento das culturas dos países-membros, respeitando as diversidades nacionais e regionais e dando destaque à herança cultural comum”..., esta é, desde 1992 e do tratado de Maastricht, uma das ricas ambições da União Européia. Ambição para a qual a UE forjou instrumentos. A fim de construir um “espaço cultural europeu”, ela desenvolveu um programa, o Cultura 2000 – que será prolongado para Cultura 2007-2013 – visando encorajar a cooperação entre os atores culturais. Como algumas das prioridades encontram-se: facilitar a mobilidade cultural na UE, apoiar a criação e a difusão de obras, beneficiar sua circulação e desenvolver o diálogo cultural.

Do patrimônio à música, da literatura às artes plásticas, nenhuma área será esquecida. Mais de 10% dos créditos, por exemplo, são destinados à tradução de obras literárias européias, à promoção da literatura e da leitura, à formação de tradutores, bibliotecários e editores e ao acesso à literatura. Encontros de escritores, festivais de poesia, redes européias de autores de teatro...são subvencionados. 
Outros exemplos: o programa Cultura estimula a produção e a turnê de peças de teatro na Europa, a criação e difusão de espetáculos de dança e a cooperação entre cursos de música em torno de projetos comuns...


A exposição do artista alemão Martin Kippenberger, na Tate Modern Gallery, em Londres (Grã-Bretanha). O diálogo intercultural está no centro da ação da União Européia.

Da poesia à dança, passando pelo cinema

O audiovisual não ficou esquecido: um programa específico, Mídia (que será estendido a 2007), foi destinado a esse setor. Esse programa complementa os mecanismos nacionais de incentivo à produção, bastante desenvolvidos na França. Mídia já contribuiu, por exemplo, para a dinamização do cinema na UE, onde 700 filmes são rodados por ano (o mesmo que os Estados-Unidos) e, com o objetivo de facilitar sua circulação, subvenciona sua dublagem ou legendagem. Finalmente, outra ação de iniciativa principalmente da França é um projeto de biblioteca digital européia, que também está em curso.

Buscando valorizar e forjar a existência de uma cultura européia, a UE fez da defesa da diversidade cultural uma de suas lutas. O apoio ativo que a França deu à Convenção para a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, adotado em 2005 pela UNESCO, confirma essa postura. Foram, de fato, graças à coesão e à determinação dos Vinte e Cinco que se obteve a adesão da comunidade internacional a esse tratado. A Convenção, cuja ratificação está em curso, reafirma o direito soberano dos Estados de conservar, adotar e implementar em seus territórios as políticas que julgarem apropriadas nessa área.

Feroz defensora da diversidade cultural, a UE só poderia apoiar a diversidade lingüística, cuja riqueza ela afirma. O plurilingüismo, aliás, é um de seus princípios de funcionamento desde 1958. Um processo que continua, uma vez que, desde a ampliação da UE, nove outras línguas somaram-se às onze línguas oficiais e de trabalhos iniciais. Finalmente, manifestando mais uma vez seu desejo de abertura, a UE declarou o ano de 2008 “o ano europeu do diálogo intercultural”.

Florence Raynal,
jornalista