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 Sumário n°60

 Editorial

 Dossiê 60e  aniversário  da ONU: mudanças em  vista

Editorial do Ministro das Relações Exteriores

 

Uma relação transatlântica equilibrada

Nosso país deve também participar intensamente dos esforços para que se estabeleçam relações transatlânticas equilibradas e dinâmicas. Do Líbano ao Afeganistão, passando pelos Bálcãs, a França, a Europa e os Estados Unidos já cooperam estreitamente em diferentes campos de ação. Mas os desafios mundiais aos quais somos confrontados pedem mais ambição e acordo. É o caso do Oriente Médio, onde tudo deve ser feito para que a esperança de paz entre israelenses e palestinos, hoje tão próxima, se concretize. É o caso também da África, essa “nova fronteira” onde se concentram todas as ameaças, mas também todos os riscos e todas as esperanças do mundo de hoje – o desenvolvimento, a saúde, o meio ambiente, mas também a democracia, a justiça e a segurança. Os valores que a França e os Estados Unido têm em comum, nossos interesses, nosso futuro, merecem um diálogo aberto, honesto, sereno dentro do respeito às convicções de cada um. Foi por essa razão que me dirigi a Washington e Chicago já no início de julho. Responder à crise, saber antecipá-la, criar também meios para apaziguá-la, tudo isso faz parte das missões cotidianas de nossa diplomacia. No Oriente Médio, continuaremos a trabalhar por um Iraque estável e soberano, apoiando a coragem do povo iraquiano e exortando incansavelmente ao diálogo entre todas as comunidades. Continuaremos também a privilegiar com o Irã a via de um diálogo construtivo, notadamente na área nuclear, para que possa ser encontrada uma solução dentro do respeito aos princípios de não-proliferação e que afaste qualquer ameaça.

O brilho de nossa cultura

Vários outros temas mobilizarão nossos diplomatas em missão ou em Paris nos próximos meses – com nossos amigos do Magreb, com a Rússia, grande potência vizinha e parceira maior da comunidade internacional e também na Ásia e na América Latina, onde a França tem a intenção de estar mais presente. A difusão de nossa língua, o brilho de nossa cultura, nosso combate em favor da diversidade cultural, assim como o dinamismo de nossas empresas no mercado internacional representam diferenciais importantes para nossa influência e para a difusão de nossos valores e nosso savoir-faire. Juntamente com Brigitte Girardin, ministra da Cooperação, do Desenvolvimento e da Francofonia, pretendo tirar o máximo proveito de tudo o que a França tem de melhor para que nosso país continue a desempenhar, no cenário internacional, o papel que lhe cabe. Reforçar a segurança, consolidar a paz e a democracia passam também pela instauração de um diálogo multilateral mais eficaz e mais afirmativo. É com esse espírito de responsabilidade que a França defenderá, a partir de setembro em Nova Iorque, sua visão de uma globalização mais humana e mais justa, durante esses dois encontros maiores que são a Cúpula sobre os objetivos do milênio e a 60ª Assembléia Geral das Nações Unidas. Eu sei que ela será ouvida com atenção, dada a mensagem universal que não cessou de promover ao longo de sua história.

Philippe Douste-Blazy


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