Ferdinand de Lesseps, unificador de mares
Enfrentando vários desafios diplomáticos e tecnológicos, Ferdinand de Lesseps escava, no Egito, o prodigioso Canal de Suez, lançando assim as fundações do canal do Panamá. Duzentos anos após seu nascimento, a memória desse “perfurador de istmos” continua viva.
![]() Nascido em 1805 em Versalhes (perto de Paris), filho de pai diplomata e de mãe parente de Eugênia de Montijo, que depois viria a ser esposa de Napoleão III, Ferdinand segue carreira diplomática até 1849. É nomeado cônsul geral em Alexandria (Egito). Chamado de volta à França depois de algumas decepções na Itália, retira-se em sua propriedade de La Chênaie (Indre). Mergulha apaixonadamente no estudo de vários trabalhos feitos sobre o istmo de Suez e, por sua vez, elabora um projeto. Em 1854, desembarca no Egito e submete o projeto a seu amigo, o vice-rei Muhammad-Saïd Pacha, que lhe concede “o poder exclusivo de constituir e dirigir uma companhia universal para a perfuração do istmo de Suez e a exploração de um canal entre os dois mares”. Será necessário, entretanto, esperar até 1859 para que os trabalhos comecem e mais dez anos para que o canal seja inaugurado, no mês de novembro, com a presença da imperatriz Eugênia, cuja ajuda foi preciosa. ![]() De Suez ao PanamáNão faltaram dificuldades, primeiramente de ordem diplomática. Os britânicos eram pouco inclinados a apoiar um projeto que ameaçasse sua supremacia na rota das Índias. Em seguida, de ordem técnica. Ferdinand de Lesseps teve que conduzir a água do Nilo por esse istmo desértico para abastecer os canteiros de obras, mas também construir a partir do nada o Porto de Saïd, para receber o material vindo da Europa e os navios que transitavam pelo canal. Uma obra com 193 quilômetros de extensão e, atualmente, com 151 metros de largura. Animado com seu sucesso e sua eleição para a Academia de Ciências em 1873 [1], Lesseps quer reiterar sua experiência e dá início, em 1879, à criação do canal inter-oceânico do Panamá. Mas a aventura não tem sucesso: ela termina em um retumbante escândalo financeiro. Em 1889, a liquidação da Companhia Universal do Canal Inter-Oceânico do Panamá é anunciada. Acusado de fraude e abuso de confiança, Lesseps é condenado, em 1893, a cinco anos de prisão. O julgamento, entretanto, foi anulado pelo Supremo Tribunal de Justiça. Enfraquecido, Lesseps falece em 7 de dezembro de 1894. Vinte anos mais tarde, o canal do Panamá era concluído e inaugurado pelos Estados Unidos. Mas a memória daquele que foi o pioneiro a permitir esse progresso não se apaga no Panamá, onde é lembrado pela alcunha de “o grande francês”. Florence
Raynal
[1] Será também eleito para a Academia Francesa, em 1884.
|
||||||





