As bonecas russas: de Barcelona
a São Petesburgo
Três anos após
o sucesso de “L’Auberge espagnol”
(Albergue espanhol, três milhões
de espectadores), em que são narradas
as aventuras de Xavier, um jovem estudante francês
expatriado em Barcelona que ganha uma bolsa
para um ano mais festivo do que de estudos,
Cédric Klapisch pega, de novo, os franceses
Romain Duris, Audrey Tautou, a belga Cécile
de France, a inglesa Kelly Reilly, e recomeça.
Nessa nova aventura, o divertido bando de co-locatários
europeus chega perto dos trinta anos. Xavier
distanciou-se de sua vocação de
romancista e ganha a vida escrevendo artigos,
roteiros água-com-açúcar
para a TV e biografias inconsistentes. Quanto
ao coração, ele multiplica suas
relações sem conseguir encontrar
a “mulher de sua vida”. Sua busca
identitária e amorosa o leva, através
de um tempo-espaço fragmentário
como um quebra-cabeças, de Paris a São
Petesburgo, passando por Londres. Cédric
Klapisch produz uma comédia cosmopolita
fervilhante e original em que o roteiro ritmado,
a fantasia e o humor seduziram mais de 650.000
espectadores franceses em duas semanas.
Grande angular sobre a América
Latina
De 26 de setembro a 2 de
outubro de 2005, acontece a décima-quarta
edição do Festival Cinemas e Culturas
da América Latina de Biarritz. Por meio
de uma série de eventos – projeções
de longas e curta-metragens, encontros literários,
exposições, shows e espetáculos
de dança – o encontro convida para
o diálogo cultural. No quadro do Ano
do Brasil na França, o Festival dá
destaque ao curta-metragem brasileiro. E aos
sessenta anos do Estúdio Churubusco do
México (espaço prestigiado onde
os maiores diretores do mundo, como Luis Buñuel,
Felipe Casals e David Lynch, já filmaram),
que terá a oportunidade de difundir seus
melhores filmes.
Vinte velinhas para a Géode
Para festejar seu vigésimo
aniversário, a célebre sala esférica
da Cidade das Ciências e da Indústria
de La Villette, em Paris, que divulga o “cinema
de sensação” e documentários
em sua tela gigante de 180 graus, ofereceu,
em maio de 2005, uma retrospectiva dos maiores
filmes de sua história: “L’Eau
et les hommes” (A água e os homens),
de Pierre Willemin, Everest, de David Breashears,
passando por “Les Ailes du courage”
(As asas da coragem), de Jean-Jacques Annaud.
Uma programação excepcional que
reafirma o caráter único desse
espaço que atrai aproximadamente 500.000
espectadores por ano.
Les Ames grises na telona
Onze anos após a
adaptação de Coronel Chabert,
de Balzac, com Fanny Ardant e Gérard
Depardieu, o diretor Yves Angelo transforma
agora em imagens um romance contemporâneo
de sucesso: “Les Ames grises” (Almas
cinzentas), que revelou Philippe Claudel para
o grande público (prêmio Renaudot
2003). O filme nasce de um estreita colaboração
entre o cineasta e o escritor, começa
com o assassinato de uma garotinha, em 1917,
em um vilarejo do interior. Essa notícia
de jornal, tendo a Primeira Guerra Mundial como
pano de fundo, cria um estranho clima de desconfiança.
Yves Angelo reúne na tela o grande Jean-Pierre
Marielle e Jacques Villeret que representou
um de seus últimos papéis (o ator
faleceu em janeiro de 2005). Entre sombra e
luz, esse drama sutil põe em relevo a
dualidade da natureza humana.
Stéphanie
Secqueville
jornalista