Depois do Metropolitan Museum of Art de Nova York (abril-agosto de 1997), o British Museum de Londres comemora os 150 anos da Maison Cartier, apresentando mais de duzentas peças originais criadas entre 1900 e 1939. Um período rico em influências para esse joalheiro francês que se torna então o favorito das elegantes - a atriz Sarah Bernhardt, assim como a Belle Otéro são suas clientes - e das cortes reais da Rússia, da Grécia, do Sião ou da Inglaterra.

Louis-François Cartier, fundador da casa em 1847, soube perceber a paixão de sua clientela pela novidade. Ele assina uma griffe que se nutre de todas as influências, tanto etruscas quanto contemporâneas. Graças a ele, nesse início de século os adornos tornam-se um complemento indispensável às toaletes e à alta costura nascente. Como um virtuose da pedra e sempre na vanguarda, Cartier percorre o mundo em busca de novas fontes de inspiração.

Quando a moda está mais para as jóias em forma de buquês e outros vasos de flores, ele imagina sublimes adornos em estilo "guirlanda". Em reação ao exagero do estilo Art Nouveau, ele eliminou os engastes graças à utilização da platina, para permitir que a opulência das gemas não seja ofuscada.

No momento em que a silhueta feminina se moderniza e quando os balés russos fazem sucesso em Paris, Louis Cartier, sócio do pai desde 1898 na célebre Maison, contrata em 1909, para assessorá-lo com seu talento de desenhista, Charles Jourdan, com vistas a dar uma renovada na linha. Misturando as ametistas e as esmeraldas e os pendantifs chineses aos motivos japoneses, este último volta as costas para os tons pastel e coloca lado a lado os azuis e verdes lançando o "décor pavão".

Em 1925 a cor explode em "tutti fruttis" deslumbrantes inspirados nos pintores Picasso e Matisse, antes que a Art Déco venha influenciar pulseiras e colares de formas geométricas. Sem esquecer, é claro, as ligações com a Índia e a Pérsia, às quais Cartier abriu-se graças às fabulosas encomendas feitas pelos marajás de Jaipur. Todos esses objetos, pedrarias e desenhos nós descobrimos aqui maravilhados.

Isabelle Spaak
Jornalista

British Museum "Cartier 1900-1939", Londres
De 1° de outubro de 1997 a 1° de fevereiro de 1998.