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O ultramar francêsjaneiro de 2001
Graças aos domínios e territórios de ultramar, a França transcende o contexto geográfico europeu, estendendo-se pelos quatro cantos do mundo. Para além de seu próprio perímetro hexagonal, seus limites misturam-se às correntes dos oceanos Índico, Atlântico e Pacífico, até as geleiras do continente Antártico, prolongando-se ainda na grande floresta amazônica. Longe dos clichês simplificadores, a grande singularidade do ultramar francês reside em sua rica pluralidade. Aos contrastes de climas, paisagens e espécies animais e vegetais soma-se um mosaico de culturas e identidades que enriquecem a república cidadã, aberta ao mundo e fraterna. Abolição da escravatura, instauração do sufrágio universal, marcha progressiva para a igualdade social: são etapas-chave que há mais de século e meio cadenciam a vida dos povos do ultramar (DOM). Das antigas "possessões" francesas aos atuais departamentos, territórios e coletividades territoriais ou departamentais, a história que liga a República ao ultramar é uma história em marcha. É incontestável que o ultramar afirma-se como a escola da diversidade da República francesa. Assim, Martinica, Guadalupe, Guiana e Reunião constituem os quatro departamentos franceses de ultramar (DOM). Nesta qualidade, gozam da mesma igualdade de direitos e da mesma identidade legislativa que cada departamento do Hexágono francês, com o acréscimo de possibilidades de adaptação, levando em conta suas situações específicas. Além disso, a Constituição francesa abriu caminho para os estatutos à la carte, exemplificados pelos processos de evolução pelos quais enveredaram particularmente a Nova Caledônia, a Polinésia Francesa e Mayotte… Ao atribuir ao ultramar o direito a uma evolução diferenciada e escolhida, a República francesa atende às aspirações à responsabilidade das populações de ultramar, dando-lhes os meios de serem, mais que atores, promotores de seu destino.
Reunião A ilha de Reunião faz parte do arquipélago das Mascarenhas. A floresta tropical e os maciços vulcânicos (ponto culminante em 3.069 metros) tornam extremamente interessante sua paisagem. Em 1638, o navio "Saint-Alexis", a caminho das Índias, toma posse desta ilha deserta em nome do rei Luís XIII. A Reunião torna-se departamento francês em 1946. Com uma superfície de 2.512 km², a Reunião tem 706.300 habitantes, constituindo notável convergência de populações: africana, asiática, malgache e européia. A população da Reunião é a maior de todo o ultramar francês. A ilha oferece áreas de excepcional qualidade ambiental, contando com uma rede de reservas biológicas que se estende por 7.000 hectares. A economia da Reunião apóia-se principalmente em três setores: agricultura (cana de açúcar, rum, essências vegetais), pesca (4º produto de exportação, após a produção agrícola) e turismo. A Reunião distingue-se igualmente em matéria de pesquisa científica, especialmente com a criação do laboratório vulcanológico do pico da Fornalha e do centro meteorológico de Saint-Denis, responsável pela vigilância dos ciclones em todo o Oceano Índico. Mayotte Mayotte é a mais meridional das quatro ilhas do arquipélago de Comores. Com uma superfície de 374 km² e 135.000 habitantes, é formada por duas ilhas principais e cerca de trinta ilhotas. Conhecida como "Ilha dos Perfumes", Mayotte também é famosa por seu lago, um dos mais belos do mundo (1.100 km² ). Em 1841, o sultão de Mayotte cede a ilha à França, que a integra a seu império colonial. Em 1946, o arquipélago de Comores torna-se território de ultramar. Três das ilhas do arquipélago decidem em referendo, em 1974, tornar-se independentes, mas Mayotte opta por continuar francesa. Este apego da população à República vem-se fortalecendo constantemente desde então. A partir de 1998, Mayotte envereda por um processo de evolução estatutária, que prevê em algum momento sua departamentalização. A economia de Mayotte repousa principalmente em sua agricultura. As exportações agrícolas concentram-se em três produtos: o ylang-ylang (utilizado na indústria de perfumes para mais de três quartos das exportações), baunilha e canela. Fora dos circuitos muito freqüentados, a ilha se oferece aos visitantes em toda a autenticidade de sua natureza e de sua cultura.
Martinica Com uma superfície de 1.100 km², Martinica é o menor dos departamentos de ultramar, situado no coração do arco antilhano no mar das Caraíbas. Seu relevo, de origem vulcânica, oferece uma paisagem variada, dominada pelo vulcão da montanha Pelada (1.397 m), que marcou a história da ilha com a erupção de 1902. Com 381.400 habitantes, a composição da população dá testemunho de uma história de mestiçagens: negros da África, descendentes de imigrados indianos, sírios, chineses. A população européia é composta de bequês – descendentes dos primeiros colonos– e metropolitanos. Inicialmente, a ilha é povoada por índios arawaks. Torna-se colônia do reino da França em 1674. A escravidão é abolida por decreto de 27 de abril de 1848, por iniciativa de Victor Schoelcher. Martinica é um departamento de ultramar desde 1946. O setor terciário fornece 75% dos empregos. A agricultura é a principal fonte de receitas de exportação da ilha. A banana é a maior produção agrícola e o principal recurso econômico. Ela representa 49,5% da produção agrícola final, gerando cerca de 40% das receitas de exportação. O turismo passa por um considerável desenvolvimento, empregando mais de 11.000 assalariados e contribuindo com mais de 7% do PIB comercial. Guadalupe Este arquipélago, com superfície total de 1.704 km², é constituído de seis ilhas: Guadalupe continental com a Baixa Terra, dominada pelo vulcão Soufrière (1.484 metros), e a Grande Terra, Désirade, Saintes, Marie-Galante e mais ao norte São Bartolomeu e a parte francesa de São Martinho. Situada no arco antilo-caribenho, Guadalupe continental, com 1.438 km², é a maior ilha das Antilhas francesas, com 422.500 habitantes. Inicialmente a ilha é habitada por índios arawaks, tornando-se colônia do reino da França em 1674. Ao longo do século seguinte, desenvolve-se uma economia baseada no açúcar e na escravidão, abolida por decreto de 27 de abril de 1848 por iniciativa de Victor Schoelcher. Guadalupe é um departamento de ultramar desde 1946. A economia de Guadalupe apóia-se na agricultura (sendo a banana um de seus principais vetores), no turismo e nos serviços. Principal atividade econômica do departamento, o turismo é praticamente o único recurso das ilhas de São Martinho e São Bartolomeu. Guiana No nordeste da América do Sul, entre o Suriname e o Brasil, a Guiana ocupa uma área de 90.000 km². A floresta equatorial cobre 9/10 do território. Trata-se do maior departamento francês, e também do de maior extensão florestal. Na Cúpula da Terra realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, a França propôs que a Guiana fosse transformada num pólo de excelência em matéria de proteção da floresta tropical e de eco-desenvolvimento. Com 157.213 habitantes, dos quais mais de 50. 000 vivem em Caiena, a Guiana tem uma densidade de 2 habitantes/km². Caracterizada por suas múltiplas origens, a população divide-se principalmente entre os crioulos guianenses (cerca de 40% da população), os ameríndios, os metropolitanos e os "h’mongs". Os primeiros habitantes da Guiana foram os índios tupi-guarani. Em 1852, Napoleão III determinou a transferência da prisão de forçados para a Guiana. Mas o governo francês poria fim ao degredo dos condenados em 1938. A Guiana tornou-se departamento francês pela lei de 19 de março de 1946. Há muito integrada à era da tecnologia espacial, a criação em 1964 do Centro Espacial guianense contribuiu amplamente para dinamizar a atividade no departamento. A base de Kourou ocupa um lugar importante na economia. Terra de exuberância, aventura e iniciação por excelência, o turismo verde constitui para a Guiana um eixo importante de desenvolvimento. São Pedro e Miquelon O arquipélago de São Pedro e Miquelon situa-se no noroeste do Atlântico, a 25 km do litoral do Canadá. Composto de duas ilhas, tem 6.300 habitantes, numa superfície total de 242 km². Em 1535, Jacques Cartier toma posse do arquipélago, que passa à soberania francesa. Franceses procedentes da Bretanha, da Normandia e do País Basco, em sua maioria pescadores, fundam São Pedro. As ilhas tornam-se definitivamente francesas em 1816. São Pedro e Miquelon tornou-se uma coletividade territorial em 1985. A pesca é o principal recurso do arquipélago. Recentemente, foram empreendidas explorações petrolíferas preliminares em suas águas. Este programa de perfuração pode prenunciar uma nova vocação para São Pedro e Miquelon. A vizinhança do Canadá é um trunfo importante para o turismo local, que explora a imagem de "terra francesa da América do Norte" conquistada por São Pedro e Miquelon.
Nova Caledônia Situada no conjunto melanésio, a Nova Caledônia tem uma superfície de 18.575 km². O arquipélago abrange a Grande Terra, com o dobro do tamanho da Córsega, as quatro ilhas Lealdade, o arquipélago das Belep, a ilha dos Pinheiros e algumas ilhotas distantes. A Nova Caledônia surpreende pela variedade de paisagens que oferece. O arquipélago tem 200.000 habitantes, divididos em duas comunidades principais: os melanésios (mais de 44%) e os europeus (mais de 34%). Os melanésios são os habitantes originais da Nova Caledônia. James Cook é o primeiro europeu a chegar a esta terra, em 1774. O território tornar-se-ia possessão francesa em 1853. Os anos 80 são marcados pelo advento do movimento independentista kanak. Os acordos firmados em 1988 permitiram acalmar o clima de instabilidade política e proceder a um reequilíbrio econômico. Desde 1998, a Nova Caledônia vem-se empenhando num processo original de evolução institucional. A partir de 2014, os eleitores que residam há pelo menos 20 anos no arquipélago serão convocados a se manifestar sobre a conquista da plena soberania. A Nova Caledônia dispõe de riquezas naturais consideráveis. Terceiro produtor mundial de níquel, seu solo contém também outros minerais: cromo, cobalto, ferro, cobre, chumbo, zinco e jaspe. A agropecuária, concentrada principalmente na criação de bovinos e nas culturas de café e copra, é a atividade de 28% da população. Os produtos da pesca, constituídos em 80% de atum, são exportados para o Japão. A partir de 1996, a exploração do camarão tropical impôs-se como segunda atividade de exportação do território. O turismo ocupa uma posição privilegiada na Nova Caledônia, cujas belezas naturais valeram-lhe o título de ilha "mais próxima do Paraíso". Polinésia Francesa Cobrindo uma superfície emergida de 4.200 km², a Polinésia Francesa compõe-se de 118 ilhas de origem vulcânica ou coralina, agrupadas em cinco arquipélagos (Société, Marquises, Australes e Tuamotu/Gambier), dispersados por 2.500.000 km². Dos 220.000 habitantes da Polinésia Francesa, 43% têm menos de 20 anos. Esta população é constituída de mais de 82,8 % de polinésios, 11,9% de europeus e 4,7% de asiáticos. Os primeiros visitantes europeus chegam no século XVI. A história da conquista do Pacífico é marcada por uma luta de influência entre a Inglaterra e a França, até que a rainha polinésia Pomaré IV solicita o protetorado da França. Um ano depois, o conjunto dos arquipélagos era integrado à República francesa. Em 1946, a Polinésia Francesa torna-se território de ultramar, desfrutando desde 1996 de um estatuto de autonomia. A pesca e a exploração da copra são as duas atividades tradicionais. A estrutura econômica é completada pelo comércio, o artesanato, a indústria e mais recentemente o turismo, que se aproxima de 20% do PIB, assim como a perlicultura (cultura de pérolas negras), que se tornou a primeira exportação (em valores) do território. Desde a suspensão dos testes nucleares franceses no Centro de Experimentação do Pacífico, em abril de 1992, o Estado compromete-se a apoiar a mutação econômica e social da Polinésia Francesa por um período de 10 anos. Wallis e Futuna Este arquipélago, formado por três ilhas vulcânicas (Wallis, Futuna e Alofi), faz parte da Oceania polinésia. A ilha de Wallis, 200 km a nordeste de Futuna, leva o nome do marinheiro que descobriu em 1767 esses 96 km². Futuna (64 km2 ) e a ilhota vizinha de Alofi (51 km²) foram descobertas em 1616 por navegadores holandeses. Neste território de 14.166 habitantes, 34% da população vivem em Futuna. Só no século XIX firma-se a presença européia, com a implantação de missões católicas e a conclusão dos primeiros tratados de protetorado entre a França e os três reinos. Em 1959, a esmagadora maioria da população (94,37%) aprova em referendo o estatuto de território de ultramar. Tendo-se mantido extremamente tradicional, a economia desse território é ainda pouco monetarizada. A maioria da produção é auto-consumida, e as trocas são limitadas. As principais atividades são a agricultura, a criação porcina, a pesca e o artesanato. O turismo ainda é pouco desenvolvido.
As Terras Austrais e Antárticas Francesas (TAAF) São terras descobertas em 1772 pelos navegadores Crozet e Kerguelen. Com estatuto de território desde 1955, as Terras Antárticas e Austrais Francesas (TAAF) são constituídas da ilha de São Paulo (7 km²), da ilha de Amsterdam (54 km²), das ilhas Crozet (115 km²) e Kerguelen (7.215 km²) e da terra Adélie (432.000 km²). Situam-se no sul do oceano Índico e no continente Antártico. Neste território, isolado e inóspito, a população é formada pelos membros de expedições científicas e técnicas instaladas nas diferentes bases. Diversos programa científicos são realizados, sob a responsabilidade do Instituto Francês para a Pesquisa e a Tecnologia Polar, a partir de bases instaladas nas ilhas Kerguelen e na terra Adélie. Essas pesquisas, de interesse planetário, são especialmente de atmosfera, meteorologia, poluição, meio ambiente e superfície do planeta, biologia, oceanografia … Para elas convergem numerosas iniciativas de cooperação internacional. A economia baseia-se na pesca (algas, krill, salmão). Com as terras austrais, a França ampliou seu domínio marítimo em 1.750.000 km.
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