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 Relação dos textos

                                          
                     Análises e reflexões 

                     Situação das religiões na França
        
por
Danièle Hervieu-Léger*                                                                 agosto de 2001 

 

A principal característica do cenário religioso francês é indiscutivelmente a presença dominante do catolicismo na história e na cultura nacionais. Mas esta primeira observação é imediatamente seguida de uma outra: a França é também um dos países menos religiosos numa Europa por sua vez mais secularizada que qualquer outra região do mundo. Mais recentemente, essa descrição veio a ser enriquecida por um novo elemento: a França abriga a maior população muçulmana da Europa, cerca de 5 milhões de pessoas que hoje reivindicam sua plena integração no espaço nacional. À parte essas "tendências gerais" delineia-se uma paisagem religiosa em plena recomposição: uma recomposição que transforma profundamente os termos do compromisso laico que há um século enquadra a gestão da religião nos limites da República.

 

 Catolicismo: o fim de um mundo
 
A Igreja católica e os debates éticos
 
As "minorias religiosas históricas ", entre a diluição cultural e a reafirmação da identidade
 
Desregulamentação institucional e individualização das crenças
 
As reivindicações comunitárias
 
Um desafio para a laicidade
 
Bibliografia

 

Catolicismo: o fim de um mundo

Os franceses ainda seriam católicos? A pergunta se justifica, ante a contínua erosão das práticas, o definhamento demográfico do clero e a desestabilização de uma civilização paroquial que modelou nossas paisagens, nosso patrimônio arquitetônico e nossa cultura. Após as fissuras reveladas pela Primeira Guerra Mundial, o nítido declínio esboçado no período de 1945-1950 acelerou-se bruscamente a partir da década de 70. Em 1981, 71% dos franceses declaravam-se católicos. Em 1999, são 53% os que o fazem. A prática mensal do culto era de 18% em 1981; hoje, ela é de 12%, caindo para menos de 8% no caso da prática semanal, o que equivale a uma queda de 35%. Esta queda chega a 53% entre os franceses de 18 a 29 anos, apenas 2% dos quais vão à igreja toda semana. Em 1965 havia 41.000 padres; em 1975, 35.000. Em 2000 eles eram 20.000, um terço dos quais com menos de 66 anos. Acredita-se que em 2020 a França terá, no máximo, 6.000 a 7.000 padres. Em 1983, contavam-se 37.500 paróquias, das quais 14.200 tinham um padre residente. Já em 1996 elas eram 30.700, das quais apenas 8.800 com um padre residente. Desde o início dos anos 80 o número de batismos e casamentos na igreja, que por muito tempo manteve-se estável, sofre uma nítida retração: no fim da década de 60, 4 crianças em 5 eram batizadas durante seu primeiro ano de vida; já em 2000 é o caso de uma criança em duas, proporção que em 2020 será apenas de uma em três.

Diante desses números, o catolicismo francês parece sem forças. Mas há indícios de que não perdeu sua vitalidade, parecendo inclusive capaz, nesse contexto de extrema secularização, de suscitar formas originais de mobilização. Amplas operações de reestruturação do tecido comunitário estão em andamento em todas as dioceses. O envolvimento ativo dos leigos, que se tornou indispensável ante o déficit do clero, é notável. 600.000 leigos, dos quais a esmagadora maioria é de mulheres, incumbem-se da catequese, animam a vida litúrgica e preparam os fiéis para receber os sacramentos. Uma parte deles está oficialmente encarregada das esmolarias (hospitais, estabelecimentos escolares, prisões) e mesmo de paróquias (845 em 2001, contra 28 em 1983). O número de diáconos aumenta rapidamente: de 1.500 atualmente, passará a 3.500 em 2020, mantendo-se o ritmo atual das ordenações. Finalmente, o sucesso de fórmulas pastorais novas ou renovadas, como os grandes encontros de jovens e as peregrinações, parece demonstrar que a Igreja continua dispondo, independentemente do definhamento das observâncias, de uma capacidade ainda respeitável de mobilização.

Mas esse dinamismo é frágil. Considerando-se a atual pirâmide etária e o escasso envolvimento das gerações mais jovens, o número de leigos que mantêm viva a instituição deverá inevitavelmente estagnar. A diminuição do número de clérigos acentua seu confinamento a tarefas rituais de que só eles podem desincumbir-se: à frustração que experimentam faz eco o mal-estar dos leigos freqüentemente em situação precária no exercício das responsabilidades pastorais que lhes são confiadas. E a capacidade de mobilização da Igreja em relação à juventude mantém-se limitada basicamente às camadas sociais que constituem seu viveiro tradicional: à parte a minoria de jovens que ainda desfrutam de uma socialização católica em família, "o efeito JMJ" (a mobilização associada às Jornadas Mundiais da Juventude lideradas pelo papa, que sempre têm ampla repercussão nos meios de comunicação) é extremamente precário e volátil, ou pelo menos pouco capaz de renovar, a curto ou médio prazo, formas estáveis de envolvimento católico.

 

A Igreja católica e os debates éticos

A hierarquia da Igreja católica francesa tem hoje plena consciência dessa fragilidade. Renunciando a uma "reconquista" que em outros tempos mobilizou esforços missionários generosos e inventivos, mas que hoje apresenta impasses bem conhecidos, ela se empenha em acompanhar teológica e pastoralmente o testemunho minoritário ao qual se vê confinada. A posição modesta assim assumida é apenas marginalmente contestada por certas correntes, que desejariam reforçar a visibilidade da instituição respondendo de forma direta, no terreno do dogma e da moral, às necessidades de certeza de uma parte da população católica, desestabilizada pelas mudanças sociais e culturais do presente. Assumindo corajosamente suas fraquezas do passado, discreta no terreno político, a Igreja esforça-se por exercer na cena pública um "magistério ético" que lhe seja próprio. Mas a empreitada é difícil, pois cada vez menos os franceses parecem mais inclinados a considerar que ela seja capaz de fornecer uma resposta aos problemas morais (menos de 22% entre 1981 e 1999), aos problemas que se manifestam na vida em família (menos de 25% entre 1981 e 1999) e aos problemas sociais (menos de 21% entre 1990 e 1999). A intangibilidade das posições romanas sobre a contracepção e o aborto, o divórcio, a homossexualidade e a procriação assistida acentua inexoravelmente o divórcio cultural entre a Igreja católica e a opinião pública francesa. A Igreja insiste, com toda lógica, em que define suas posições tendo como referência a mensagem de que é depositária, e não em função das expectativas da sociedade. Mas essa exterioridade assumida em relação às questões que envolvem primeiro que tudo a produção das normas coletivas certamente não tende a facilitar o posicionamento da instituição nos grandes debates éticos contemporâneos: é o que se observa nos debates em torno do controle das manifestações da vida e da eutanásia. Se existem expectativas na sociedade francesa em relação ao catolicismo, não obstante a erosão da confiança na instituição (que passou de 54% de opiniões positivas em 1981 a 44% em 1999), elas dizem respeito basicamente à capacidade da Igreja de "responder às necessidades espirituais" dos indivíduos. Mas essas necessidades vão hoje buscar sua satisfação num mercado de bens simbólicos amplamente aberto, no qual a Igreja está efetivamente presente, mas sem dispor de qualquer monopólio.

 

As "minorias religiosas históricas ", entre a diluição cultural e a reafirmação da identidade

A fragilização do catolicismo na França não significa que as minorias religiosas históricas sejam poupadas pelas atuais recomposições. O protestantismo e o judaísmo também tiveram de enfrentar delicados problemas de redefinição de sua identidade pública:

- calcula-se que existam 600.000 ou 700.000 protestantes franceses, dois terços dos quais são calvinistas da Igreja Reformada da França, das Igrejas Reformadas Independentes e da Igreja Reformada Concordatária da Alsácia e da Lorena. O número de luteranos é estimado em 200.000. Em contraste com a Igreja católica, o protestantismo francês (que não enfrenta problemas de recrutamento pastoral) tem uma história de relação positiva com a democracia, os ideais modernos de liberdade e a laicidade _ uma laicidade para cuja construção contribuíram grandes figuras protestantes, particularmente no terreno da escola. Essa "modernidade protestante", escorada na importante contribuição dos protestantes à vida pública e ao serviço do Estado, proporcionou ao protestantismo francês uma imagem globalmente positiva na opinião pública. Um número expressivo de franceses não protestantes (500.000) declara sua afinidade pessoal com uma religião que é sinônimo de austeridade e rigor, mas também de compromisso social e abertura para a racionalidade crítica. Mas essa afinidade do protestantismo francês com o humanismo laico e a cultura moderna do indivíduo contribui ao mesmo tempo para uma certa diluição da "diferença protestante", diluição essa  reforçada pelo grande número de casamentos mistos e igualmente favorecida, na opinião de alguns, pela abertura ecumênica das instituições protestantes francesas. Os protestantes "liberais", que nunca lêem a Bíblia nem dão educação religiosa aos filhos, compõem com efeito pouco mais de um quarto da população protestante global. Mas é preciso frisar ao mesmo tempo a progressão de um protestantismo evangélico, batista ou pentecostal, que já não se limita à Missão Popular Cigana, inaugurada na França em 1952 e ligada à Federação Protestante da França, que hoje conta com 100.000 fiéis na Europa. O sucesso (estatisticamente limitado, mas significativo) de um protestantismo emocional e identitário, fortemente refratário ao ecumenismo, relança no próprio interior das Igrejas da Reforma a questão da especificidade protestante e das modalidades de sua afirmação na sociedade francesa;

- o judaísmo francês (600.000 a 700.000 pessoas) também atravessa graves turbulências. A experiência bi-secular da emancipação e da integração, o traumatismo do genocídio e a criação do Estado de Israel modificaram profundamente as condições de afirmação da identidade judaica, numa sociedade em que as escolhas religiosas são uma questão de decisão individual e não mais de transmissão familiar e comunitária inconteste, e na qual os casamentos mistos multiplicaram-se. Criado por Napoleão em 1808, o Consistório, dirigido por um presidente leigo e um grande rabino, é formalmente incumbido da administração do "culto israelita", entendido no contexto confessional como uma "Igreja judaica".

Esse modelo especificamente francês de organização foi abalado pela chegada à França, na década de 60, dos judeus da África do Norte, filiados a um judaísmo de forte componente étnico, que abriram restaurantes e lojas de alimentação, mas também suas próprias sinagogas, escolas e serviços comunitários. Esse meio empenhado na preservação dos particularismos étnico-religiosos é o terreno onde se desenvolve a atividade de correntes neo-ortodoxas obcecadas com a dissolução da identidade judaica. Tais movimentos preconizam ao mesmo tempo o retorno a uma observância religiosa integral e a reafirmação comunitária do judaísmo francês. O mais conhecido é o dos Loubavitch, herdeiros de uma tradição revitalizada nos Estados Unidos. Seus adeptos na França são estimados em 10.000.

 

Desregulamentação institucional e individualização das crenças

Estas primeiras considerações sobre a situação das grandes confissões evidenciam, numa espécie de convergência, a desregulamentação das instituições que caracteriza mais que tudo a cena religiosa. O traço dominante da modernidade religiosa, na França e em outros países, não é, como se pensou por muito tempo, a perda das crenças e a ascensão irresistível da indiferença espiritual. O percentual de franceses (14%) que declaram firmemente não terem qualquer crença religiosa aumentou ligeiramente nos últimos vinte anos, mas vem aumentando muito menos rapidamente que o número dos que declaram acreditar num "poder" ou "força sobrenatural" que não identificam com precisão. Em contrapartida, a crença num Deus pessoal (com os atributos do Deus judaico e cristão) vem regularmente sofrendo uma erosão. O fato mais marcante não é o recuo do crer, mas sua disseminação individualista, à margem dos grandes "códigos do crer " definidos pelas instituições religiosas. Numa sociedade em que a autonomia dos indivíduos afirma-se em todos os setores, a crença religiosa não constitui exceção. Os indivíduos voltam-se menos para a conformidade às "verdades" codificadas por instituições do que para a autenticidade de uma busca espiritual pessoal. Vão cada vez mais livremente "montando" os pequenos relatos de crença que lhes permitem conferir um sentido subjetivo a sua experiência do mundo. E a ampliação dos recursos culturais disponíveis contribui para a proliferação dessas composições de crença "à la carte". O sucesso das espiritualidades orientais, a moda de um budismo aclimatado às expectativas de realização pessoal dos indivíduos (600.000 franceses declaram-se próximos dessa fé) e a disseminação da crença na reencarnação (declarada por 20% dos franceses) constituem indícios significativos desse maciço desenvolvimento de uma espiritualidade da auto-realização, que dá absoluta prioridade aos direitos da subjetividade.

 

As reivindicações comunitárias

Mas esse movimento de individualização não resume por si só a direção tomada pela modernidade religiosa. Esta, na medida em que desestabiliza os grandes códigos de sentido que forneciam aos indivíduos respostas às questões últimas de sua existência, dá origem ao mesmo tempo a novas demandas de certezas compartilhadas. A instabilidade característica de sociedades submetidas ao imperativo da mudança suscita reafirmações de identidade através das quais os indivíduos tentam enfrentar a condição social e psicológica incerta em que os confina esta mudança. Essa é a principal explicação para o recurso identitário ao islã por parte das jovens gerações oriundas da imigração e em posição de integração social, econômica e cultural precária. Mas seria equivocado imaginar que tais afirmações identitárias envolvem apenas os muçulmanos. Hoje em dia, em todas as sociedades democráticas os indivíduos querem cada vez mais estar em condições de fazer uso público de seus direitos privados, e não obstante a histórica rejeição na França de todas as formas de comunitarismo, o país não está livre dessa tendência. Ela envolve em especial a afirmação pública das identidades religiosas, que numa sociedade profundamente secularizada exprimem uma condição minoritária que requer um reconhecimento específico. Essa lógica identitária permeia o judaísmo francês, mas também um catolicismo amplamente privado dos alicerces majoritários de que se prevaleceu no passado.

 

Um desafio para a laicidade

Desregulamentação institucional e adaptações individualistas por um lado, reforço das identidades comunitárias por outro: a modernidade religiosa inscreve-se especificamente nessa tensão que inverte os princípios fundamentais sobre os quais repousa o modelo francês de laicidade. Construída para conter as eventuais intromissões da Igreja romana na esfera pública, a laicidade "histórica" repousa em três pilares: em primeiro lugar, a afirmação do caráter privado das crenças; em segundo, a proteção pública do exercício pacífico do culto; e finalmente a regulação interna da vida das comunidades pelas próprias autoridades religiosas. Acontece que esse sistema, consagrado pela lei de 1905, está hoje abalado. Por um lado, os indivíduos reivindicam cada vez mais amplamente (no terreno religioso como em todos os demais terrenos) o reconhecimento público da especificidade de suas identidades individuais e comunitárias. Por outro, a desregulamentação institucional da esfera religiosa priva o Estado do apoio cooperativo das autoridades religiosas reconhecidas como tais pelos fiéis. Duas questões expõem claramente as dificuldades de adaptação das políticas públicas relativas à religiosidade a este novo contexto.

- a primeira é a da "luta contra as seitas ", orientada até agora pelo projeto de erradicar as formas desconhecidas e consideradas ameaçadoras de religiosidade que se expressa à margem do contexto confessional consagrado pela história. É pouco provável que essa política defensiva seja capaz, além da repressão normal dos delitos e crimes de direito comum, de conter a proliferação (internacionalizada) dos novos grupos religiosos e movimentos espirituais favorecida pela desmonopolização das grandes instituições da esfera da crença;

- a segunda (e mais importante) é a do islã, que se tornou a segunda maior religião da França. Essa presença do islã não é, como tal, uma realidade nova: não será necessário aqui relembrar a importância da presença muçulmana na França colonial, nem a antiga implantação de populações de imigrantes provenientes dos países islâmicos no território metropolitano. Mas a situação transformou-se profundamente nos últimos trinta anos, assim como a condição dos imigrantes vindos do Magreb para trabalhar na França. A sedentarização definitiva das famílias no país e a chegada à idade adulta de gerações muçulmanas nascidas na França (e titulares atualmente da nacionalidade francesa) contribuem para o estabelecimento duradouro de um islã de diáspora, para o qual a perspectiva de retorno ao país de origem perdeu toda plausibilidade concreta. A proliferação das salas de oração, a reivindicação de espaços próprios muçulmanos nos cemitérios ou a afirmação (cujo impacto polêmico é bem conhecido) do direito das moças de usarem o véu na escola são as manifestações mais evidentes de uma demanda de reconhecimento público do lugar do islã que acompanha essa estabilização definitiva da população muçulmana. Esta reivindicação afirma-se com uma força tanto maior na medida em que a integração econômica, social e cultural revela-se mais difícil para os interessados, especialmente os jovens. Para estes, os mais vulneráveis às ameaças de exclusão, a religião tende a se tornar, como demonstra uma série de pesquisas recentes, o lugar da conquista possível de sua dignidade e da construção de sua individualidade. Eles reivindicam o direito de viver pública e coletivamente um islã de que se apropriam como uma dimensão fundamental de sua identidade cultural e social, a única que podem reivindicar especificamente face aos "franceses de berço". Eles vivem sua religião – cuja herança raramente lhes terá sido transmitida pelos pais – numa vasta constelação de associações, cuja proliferação frisa por si só a fraca estruturação do islã francês e sua dispersão em múltiplas correntes.

Esta situação apresenta diretamente o problema da institucionalização do islã e de sua integração na paisagem religiosa francesa. Como não dispõe constitutivamente de uma autoridade central reguladora (do tipo da Conferência dos Bispos ou do Consistório judaico), o islã não se presta ao empenho de confessionalização voltado em sua direção por todos os governos (de direita ou de esquerda) que há vinte anos preconizam uma organização do islã francês. Neste sentido, o acordo de julho de 2001 sobre a formação de um Conselho Francês do Culto Muçulmano constitui provavelmente um marco. Mas nem por isso tudo pode ser considerado resolvido.

Por ser a base de identidades coletivas fortes, o islã inverte a lógica da privatização das crenças religiosas necessária ao sistema confessional, um sistema, além disso, no qual só muito parcimoniosamente ele desfruta de acesso ao exercício livre e digno do culto em espaços reservados a essa finalidade. O estímulo público à construção de mesquitas, que permitiria esse exercício em condições normais, ainda encontra fortes resistências locais. Questiona-se com freqüência se o islã é capaz de adaptar-se à modernidade democrática. Esta questão não estará corretamente colocada enquanto esquecermos que toda religião ganha corpo e evolui junto com a população na qual se encarna _ no caso, a dos muçulmanos franceses, que reivindicam justamente sua plena integração à sociedade francesa.

À parte o problema próprio do islã, a questão principal vem a ser, na realidade, a da própria laicidade e de sua capacidade de adaptar seus valores, suas práticas e seus dispositivos jurídicos à cena religiosa pluralizada com a qual deve desde já conviver.

 

Bibliografia

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Baubérot J.
Le protestantisme doit-il mourir? Paris, Seuil, 1988

Bréchon P. (ed.)
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Hervieu-Léger D. Le pèlerin et le converti. La religion en mouvement, Paris, Flammarion, 1999

Hervieu-Léger D. La religion en miettes ou la question des sectes, Paris, Calmann-Lévy, 2001

Khosrokhavar F. L’islam des jeunes, Paris, Flammarion, 1997

Pelletier D. Les catholiques en France depuis 1815, Paris, La Découverte, 1997

 

 

 

Ver também:

*Danièle Hervieu-Léger é diretora de estudos na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e diretora do Centro de Estudos Interdisciplinares dos Fatos Religiosos (CEIFR, CNRS/EHESS).
As opiniões expressas neste artigo são da exclusiva responsabilidade do autor
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