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Análises e reflexões
A
população francesa
no início do ano 2000
por
Guy Desplanques*
março de 2001
Em 1° de janeiro de 2001, a população da França eleva-se a
60,7 milhões de habitantes: 59 milhões vivem na metrópole e 1,7 milhão
nos quatro departamentos d’álém-mar. Em 1950, a França metropolitana
tinha pouco menos de 42 milhões de habitantes. Em aproximadamente meio
século, portanto, a população aumentou mais de 40% (figura 1).
Crescimento lento, se o compararmos ao da população mundial, que passou
de 2,5 a 6 bilhões de habitantes no mesmo período, o equivalente a um
aumento de 140% ; mas crescimento relativamente forte se comparado ao dos
países vizinhos, pois desde 1950 a expansão populacional do conjunto dos
países que hoje integram a União Européia foi de aproximadamente 27%.
Três
quartos do crescimento devem-se ao excedente natural
Uma
fecundidade acima da média européia
A
expectativa de vida continua a aumentar
Uma
população cada vez mais velha
A
França continua a receber muitos estrangeiros
Crescimento
do litoral ocidental e das regiões mediterrâneas
Crescimento
urbano, mas recuperação das cidades-centros
Bibliografia
1
- A população da França no mundo e na Europa
|
Zona
|
|
População
(em milhões)
|
|
Taxa
de variação anual (%)
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
| |
1900
|
1950
|
1975
|
2000
|
1900-1950
|
1950-1975
|
1975-1998
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
França metropolitana
|
40,6
|
41,6
|
52,6
|
59,2
|
0,05
|
0,94
|
0,48
|
|
Part na União Européia
(em
%)
|
nd
|
14,1
|
15,1
|
15,7
|
nd
|
0,28
|
0,17
|
|
Part no mundo
(em %)
|
2,5
|
1,7
|
1,3
|
1,0
|
-0,79
|
-0,96
|
-1,12
|
|
União Européia
(15 países)
|
nd
|
295,8
|
348,6
|
376,5
|
nd
|
0,66
|
0,31
|
|
Mundo
|
1650,0
|
2521,0
|
4050,0
|
6050,0
|
0,85
|
1,91
|
1,62
|
Fontes : ONU e
Eurostat.
Crescimento acentuado também em relação ao do meio século anterior,
considerando-se que a população da França metropolitana (na divisão
atual) era de 40,6 milhões em 1900.
Três
quartos do crescimento devem-se ao excedente natural
Muito acentuado no período de 1950-1975, época do
baby-boom e
de desenvolvimento econômico rápido, o crescimento demográfico diminui
nitidamente a partir de então. Ao longo da década passada, a população
aumentou em aproximadamente 250.000 pessoas por ano: um aumento da ordem de
200.000 por excedente dos nascimentos sobre as mortes e de 50.000 por
execedente derivado das migrações com o exterior (figura 2). Em
2000, o excedente natural aproxima-se de 240.000 e representa dois terços
do excedente natural do conjunto da União Européia, cujo crescimento
demográfico deve-se sobretudo ao excedente migratório; em 2000, é
estimado em 800.000, num aumento populacional de 1,16 milhão.
2- Evolução da população da França metropolitana desde
1950
|
Período
|
População no início do período
|
Variação
anual média |
|
|
|
Saldo
migratório anual |
Contribuição
do saldo migratório (em %)
|
| |
|
|
Número
anual médio
|
|
|
| |
|
|
Nascimentos
com vida
|
Mortes
|
Excedente natural
|
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
| |
|
|
|
|
|
|
|
|
1950-1959
|
41 570 000
|
382 200
|
816 000
|
527 700
|
288 300
|
93 900
|
24,6
|
|
1960-1969
|
45 354 800
|
515 300
|
845 200
|
535 000
|
310 300
|
205 000
|
39,8
|
|
1970-1979
|
50 528 200
|
319 800
|
796 000
|
548 800
|
247 200
|
72 600
|
22,7
|
|
1980-1989
|
53 731 400
|
283 400
|
776 300
|
542 800
|
233 500
|
49 900
|
17,6
|
|
1990-1999
|
56 577 000
|
264 900
|
536 300
|
530 400
|
205 900
|
59 000
|
22,3
|
|
2000
|
59 225 700
|
|
|
|
|
|
|
Fonte : INSEE -
Estimativas.
Uma fecundidade acima da média européia
Em aproximadamente 30 anos, a fecundidade, medida pelo índice sintético
de fecundidade, caiu fortemente: de aproximadamente 3 filhos por mulher em
1964, este índice caiu para 1,65 em 1994 (figura 3). Esta tendência
não é exclusiva da França. Em todos os países desenvolvidos da Europa
Ocidental e da América do Norte, o início dos anos 60 foi um período de
alta fecundidade. Por volta de 1970, na maioria desses países, à exceção
dos países mediterrâneos, as mulheres reduziram sua fecundidade, não raro
mais acentuadamente que na França. Ao longo dos anos 80, a mesma tendência
manifestou-se na Itália e logo na Espanha, em Portugal e na Grécia. Nesses
países, especialmente a Espanha e a Itália, a fecundidade é hoje das mais
fracas do mundo, com menos de 1,2 filho por mulher.
3 – Índice sintético de fecundidade em alguns países

Desde o meado da década de 90, o índice sintético de fecundidade subiu
novamente para 1,89 em 2000, ano em que cerca de 780.000 bebês nasceram na
França metropolitana. A retomada também é observada em certos países da
União Européia, embora menos acentuadamente. Ao mesmo tempo que diminuía
a fecundidade, o tamanho das famílias foi-se limitando em torno de dois
filhos. Por outro lado, elevou-se a idade de maternidade, que em 2000 é em
média de 29,4 anos.
A
expectativa de vida continua a aumentar
No ano de 2000, a expectativa de vida dos homens é de 75,2 anos, e a das
mulheres, de 82,7 anos. No início do século, a expectativa de vida era de
aproximadamente 50 anos. No último quarto de século, o ganho foi de 6 anos
no caso dos homens e de 5,6 no das mulheres, a um ritmo aproximado de três
meses por ano. Com uma expectativa de 82,7 anos para as mulheres, a França
é o primeiro entre os países europeus, encontrando-se em posição
intermediária no que diz respeito aos homens. Embora venha diminuindo há
cerca de 10 anos, a defasagem entre os dois sexos continua maior que em
muitos países europeus. A mortalidade infantil caiu a níveis muito baixos:
menos de 5 mortes antes de um ano por mil nascimentos. Os recentes ganhos de
expectativa de vida devem-se sobretudo à queda da mortalidade de adultos. A
queda da mortalidade foi acompanhada de melhora da saúde. A expectativa de
vida sem incapacitação, indicador que associa mortalidade e estado de
saúde, medido pela incapacidade, aumentou durante a década de 80 (1). No
caso dos homens, o tempo de incapacitação chegou inclusive a diminuir.
Uma
população cada vez mais velha
Em 1º de janeiro de 2001, pouco mais de uma pessoa em quatro tem menos
de 20 anos, e cerca de 16% têm 65 anos ou mais (figura 4). Dez anos
antes, a proporção dos franceses com mais de 65 anos era de apenas 14%. O
aumento demonstra o envelhecimento da população, entendido como aumento da
proporção de pessoas idosas (figura 5). A tendência é antiga, mas
era ocultada pela chegada a este grupo etário das "classes
esvaziadas" nascidas em 1915-1919. A proporção de pessoas de 85 anos
ou mais aumentou ainda mais rapidamente, passando de 0,9% em 1975 (menos de
500.000 pessoas) para mais de 2% no início de 2001 (cerca de 1,2 milhão).
Hoje, a queda da mortalidade em idades elevadas desempenha um papel capital
no envelhecimento: não só aumenta, numa geração, a proporção de
pessoas que chegam aos 60 anos, como essas pessoas vivem mais tempo passada
esta idade.
4 - Distribuição
da população total por sexo e idade em 1° de janeiro de 2001

5 – Evolução da estrutura etária em %
|
Idade
|
|
|
Anos
|
|
| |
|
|
|
|
| |
1960
|
1980
|
1990
|
2000
|
| |
|
|
|
|
|
0-19 anos
|
32,2
|
30,6
|
27,8
|
25,6
|
|
20-39 anos
|
28,2
|
29,0
|
30,3
|
28,2
|
|
40-59 anos
|
23,0
|
23,4
|
22,9
|
25,7
|
|
60 anos
ou mais
|
16,7
|
17,0
|
19,0
|
20,5
|
|
de 75
anos
ou mais
|
4,3
|
5,7
|
6,8
|
7,1
|
|
de mais de 85
anos
|
0,6
|
1,1
|
1,5
|
2,1
|
|
Total
|
100,0
|
100,0
|
100,0
|
100,0
|
Fontes : Recenseamentos e
estimativas INSEE.
Em
1º de janeiro de 2001, há aproximadamente igual quantidade de mulheres e
homens de 30 anos ou mais ; com 84 anos, o número de mulheres é duas vezes
maior.
A
França continua a receber muitos estrangeiros
Depois da Segunda Guerra Mundial, o forte crescimento econômico dos
"Trinta Anos Gloriosos" escorou-se no recurso à mão-de-obra
imigrada. Quando sobreveio a crise, em 1974, a imigração de trabalhadores
foi interrompida, mas numerosas famílias vieram ao encontro dos
trabalhadores anteriormente chegados. Nos últimos anos, apesar de uma
política restritiva, não cessaram totalmente, portanto, as entradas
provenientes do exterior. Globalmente, ao longo da década transcorrida, a
imigração teria contribuído diretamente para um aumento de
aproximadamente 500.000 pessoas na população. Em 1999, ano do
recenseamento, a França tinha 3,26 milhões de estrangeiros e 4,3 milhões
de imigrantes (2), parte dos quais adquiriu nacionalidade francesa. De 1990
a 1999, o número de imigrantes aumentou 3%, a mesma proporção que no
conjunto da população. Em conseqüência das naturalizações, o número
de estrangeiros de mais de 18 anos (3) manteve-se praticamente estável.
Mais que o número, o que se modificou foi a composição desta população.
A imigração dos anos 50, 60 e 70 era em grande parte composta de
italianos, espanhóis, portugueses e habitantes dos países da África do
Norte. Em 1999, três grupos somam aproximadamente 500.000 pessoas: os
portugueses, os argelinos e os marroquinos. Vêm em seguida os turcos, os
italianos, os espanhóis e os tunisinos, assim como o conjunto dos países
da África negra. Em termos de imigrantes, a Itália e a Espanha estão mais
representadas, mas grande parte deles adquiriu nacionalidade francesa. Nos
anos 90, diminuiu a entrada de demandantes provenientes dos países da
União Européia, muito embora, com a abertura das fronteiras, muitos
habitantes dos países da União venham à França passar alguns anos. Na
maioria dos casos, são originários dos países da África negra, da
Turquia ou de países da Ásia os que chegaram à França, não raro para
unir-se a suas famílias ou pedir asilo.
Crescimento
do litoral oeste e das regiões mediterrâneas
Com pouco mais de 100 habitantes por km2, a França
metropolitana distingue-se dos países circundantes por seu povoamento
fraco. À exceção da Espanha, todos esses países, da Grã-Bretanha a
noroeste à Itália a sudeste, apresentam densidades populacionais muito
superiores, entre 200 e 400 hab/km2. A Ilha de França congrega
sozinha cerca de 11 milhões de habitantes, num território de 12.000 km2 ,
o equivalente a aproximadamente 19% da população, e uma densidade
superior a 900 habitantes. Em contrapartida, em seis regiões a densidade é
inferior a 60 hab/km2. As regiões de baixa densidade estendem-se
ao longo de uma linha que vai da região de Midi-Pireneus, perto da
fronteira espanhola, à região de Champanhe-Ardenas, incluindo o conjunto
do Maciço Central. O povoamento é mais denso na Ilha de França,
naturalmente, mas também no oeste da Bretanha e da Região do Loire – ao
longo da fronteira continental no norte e no leste e no sudeste. Entre 1990
e 1999, as tendências das décadas anteriores mantêm-se grosso modo.
Mesmo diminuindo, o crescimento continua mais forte nas regiões
meridionais. Mas a Região do Loire experimenta um crescimento sensível. De
maneira geral, o mesmo se verifica nas zonas litorâneas das fachadas
atlântica e mediterrânea, observando-se novo impulso no sudoeste. Em
contrapartida, as regiões do nordeste, assim como o Limousin e a Auvergne,
registram uma estagnação ou mesmo uma diminuição de sua população.
Crescimento
urbano, mas recuperação das cidades-centros
Em 1999, são dez os centros urbanos com mais de 500.000 habitantes
(figura
6). A aglomeração parisiense conta pouco menos de 10 milhões de
habitantes. Três outras cidades são milionárias: o conjunto
Marselha-Aix-en-Provence, Lyon e Lille.
6 – Principais cidades em 1999(1)
|
Cidade
|
Número
de habitantes
|
| |
|
|
Paris
|
9 645 000
|
|
Marselha-Aix-en-Provence
|
1 350 000
|
|
Lyon
|
1 349 000
|
|
Lille
|
1 001 000
|
|
Nice
|
889 000
|
|
Toulouse
|
761 000
|
|
Bordeaux
|
754 000
|
|
Nantes
|
545 000
|
|
Toulon
|
520 000
|
|
Douai-Lens
|
519 000
|
Fonte:
Recenseamento populacional de 1999.
(1) População sem dupla contagem da aglomeração urbana
Ao longo do meio século que vem de
transcorrer, a urbanização passou por várias fases. Nos anos 50 e 60, o
afluxo beneficia sobretudo as cidades-centros e, no caso de Paris, as
comunas dos subúrbios próximos: é a época dos grandes conjuntos
habitacionais. Nos anos 70 e no início dos anos 80, as aglomerações
continuam a desenvolver-se, mas através da extensão dos subúrbios e o
crescimento das comunas periurbanas. Muitas cidades-centros perdem
habitantes. Nos anos 90, os espaços de dominante urbana continuam a
desenvolver-se: as zonas situadas na periferia das cidades experimentam
crescimento, às vezes líquido, recebendo populações que diariamente
vão à cidade vizinha para trabalhar. Outros espaços rurais, mais
distantes dos centros urbanos, continuam a perder população.
Globalmente, o espaço rural deixa de despovoar-se. Ao mesmo tempo, as
cidades-centros não raro retomam o caminho do crescimento, seguindo uma
tendência que se manifestara algumas vezes na década anterior:
operações de reabilitação, reconquista da cidade e novos transportes
coletivos devolvem a certos setores da população a possibilidade e a
vontade de viver no centro.
Bibliografia
J.-C. Fanouillet e C. Madinier
Recensement de la population
de 1999 – La population des
régions (métropole)
INSEE Première n° 664 – Julho de 2000
J. Boëldieu e C. Borrel
Recensement de la population 1999
La proportion d’immigrés est stable depuis 25 ans
INSEE Première n° 748 – Novembro de 2000
J.-M. Robine, P. Mormiche, C. Sermet
Vie et santé s’allongent : un effet conjoint de meilleures
conditions d’existence et de progrès médicaux ?
INSEE. Données sociales 1996, pp. 283-291
L. Doisneau
Bilan démographique 2000 -
INSEE Première n° 157 – Fevereiro de 2001
(1) Ainda não há disponibilidade de dados sobre a década de 90.
(2) É considerada imigrante uma pessoa nascida no estrangeiro e que
era de nacionalidade estrangeira ao nascer.
(3) Nos recenseamentos, a nacionalidade dos filhos às vezes é mal
declarada, provavelmente por desconhecimento da lei sobre nacionalidade.
Além disso, as mudanças promovidas nesta lei, assim como a formulação
das questões destinadas a registrar a nacionalidade, dificultam a
comparação dos dados sobre o número de estrangeiros menores.
|
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Ver também:
*Guy Desplanques é chefe do Departamento de Demografia na direção
geral do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (INSEE).
As opiniões expressas neste artigo são da exclusiva responsabilidade do
autor.
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