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 Relação dos textos

                                          
               Análises e reflexões

      A montanha francesa

           Por Claude Meyzenq e Jean-Paul Rampnoux*

outubro de 2002

Embora não seja verdadeiramente uma país de montanhas, a França elaborou e implantou uma política para a montanha. Conseqüentemente, ela estabeleceu um zoneamento no qual são aplicadas as intervenções de compensação das deficiências ocasionadas pela altitude e pelo declive para as produções agropastoris. Assim delimitada, a montanha cobre uma superfície de 124.000 km2 sobre a qual vivem 4.350.000 habitantes distribuídos por 6.128 comunas. Se contarmos os fundos de vale, as planícies aos pés das maciços e as cidades, passamos a 160.000 km2 , ou 30% do território nacional metropolitano (1) e a 7.700.000 habitantes distribuídos por seis maciços: Alpes (do Norte e do Sul), Pireneus, Jura, Maciço Central, Vosges e Córsega.

Uma montanha diversificada e humanizada
As transformações dos dois últimos séculos
Os desafios
As atividades hoje
A diversidade da montanha francesa


Uma montanha diversificada e humanizada

A montanha é a área da diversidade, verdadeiro mosaico de células, de “regiões”, de contrastes climáticos de diferentes escalas. Ela apresenta o contraste da alta montanha vertical em relação à média montanha de planaltos, assim como das regiões úmidas e suas florestas sombrias contra as montanhas secas pré-mediterrâneas, dos vales humanizados e urbanizados dos Vosges e dos Alpes do Norte e os espaços em processo de desertificação. Os homens ocuparam a montanha em todas as épocas e aí desenvolveram civilizações particulares. Nesse aspecto, ela oferece o paradoxo de ser uma barreira para alguns, na medida em que as fronteiras modernas, as dos séculos XVII e XVIII, buscaram, com seu traçado, as linhas de crista (tratado dos Pireneus, 1659 e tratado de Utrecht, 1713), enquanto que foram locais de passagem (“a Savoie, portão dos Alpes”) e de civilização em comum. As mesmas línguas eram faladas nas duas vertentes: o occitano e o franco-provençal transbordavam por sobre o piemonte italiano, o basco e o catalão pela vertente norte dos Pireneus.

As paisagens atuais ainda trazem a marca de uma civilização agropastoril na qual a organização espacial era vertical, da aldeia à serra, passando pelos morros. As condições climáticas particulares permitiram às populações desenvolver o seu "saber-fabricar" atingindo a especificidade das produções (queijos, vinhos, licores, salgadura, etc.). O próprio habitat adaptou-se às necessidades, com imponentes casas de aldeias construídas de forma a aproveitar melhor os raios de sol nas estações úmidas. Nas partes altas, nos chalés dos morros e da serra, eram desenvolvidas as fabricações estivais.

As populações dessas regiões praticavam um artesanato ou uma pequena indústria baseada nos produtos locais: madeira e chifres no Jura, ou minério de ferro, prata, cobre, ardósia, pedra de corte nos outros lugares. A vida era a de um mundo autárquico que seguia um ritmo bem marcado pelas estações do ano onde o inverno podia favorecer o êxodo do trabalho: vendedores ambulantes, limpadores de chaminés e carvoeiros saíam em busca de um complemento de renda.


As transformações dos dois últimos séculos

A montanha viveu duas evoluções concomitantes e contraditórias: o êxodo e o turismo. Ela se esvaziou demograficamente com a implantação de uma economia de concorrência através do desenvolvimento dos transportes. Não sendo mais competitiva, ela foi abandonada, marginalizou-se e enfraqueceu. Essa evolução foi particularmente forte nas Cévennes, nos Alpes do Sul e em alguns vales dos Pireneus. Apenas a atividade industrial baseada na hidroeletricidade, ou na melhora do artesanato pôde manter uma parte da população nos vales, dentro de um contexto de pluriatividade (o dos operários camponeses), o que permitiu a preservação dos antigos conhecimentos.

A montanha também se transformou em local de férias. Com a conquista turística, ela passou a ser um lugar cobiçado, cheio de valores simbólicos de pureza. Foi no final do século XVIII que, de espaço repulsivo, a montanha transformou-se em espaço valorizado. O símbolo disso é a conquista do Mont Blanc por Paccard e Balmat, em 1786. Desde então, começa a se desenvolver uma freqüência elitista da conquista dos cumes no início do século XIX. Vêm em seguida uma freqüência burguesa, com a exploração das termas e a prática de trilha no final do século e uma procura pelos esportes de inverno no século XX. A montanha passa a ser dotada de uma forte capacidade de acolhimento a partir de 1950 e, sobretudo, com o Plano Neve de 1964.


Os desafios

Esse duplo movimento revela os desafios da montanha entre declínio e dinamismo, entre fragilização do meio e necessidade de proteção, de onde decorrem a organização do território e a proteção das economias da região. A proteção aos espaços ameaçados gerou a criação de cinco parque nacionais: Cévennes, Pireneus, Vanoise, Écrins e Mercantour. Além disso, os parques naturais regionais, criados nas montanhas medianas, constituem agentes do desenvolvimento local. A proteção das economias ameaçadas concretizou-se por indenizações de compensação para as deficiências em relação à economia da planície. De maneira mais global, ela precisou de uma legislação particular e original (Lei Montanha, de 9 de janeiro de 1985) mobilizando todos os potenciais da montanha. “Convenções inter-regionais de maciço” permitem o desenvolvimento de uma política de desenvolvimento econômico com os interessados locais.


As atividades hoje

O turismo é globalmente o motor da economia da montanha. Ele supera a agricultura e a indústria, mas é muito desigual no plano quantitativo. Existem aproximadamente 5.000.000 de leitos dos quais cerca de 50% em residências secundárias. Só o Maciço Central e os Alpes do Norte reunidos ultrapassam 52% do total, mas com significações muito diferentes. Os Alpes do Norte são o apanágio dos esportes de inverno. A freqüência de inverno é superior à do verão, particularmente em Tarentaise, que, sozinha, possui cerca de 40% das capacidades de acolhida e do potencial dos teleféricos de toda a França. O Maciço Central recebe mais freqüentadores no verão dentro de um contexto mais familiar e mais rural.

A agricultura ocupa 9,7% da população ativa e permanece como um setor essencial para as suas produções específicas em produtos de “apelações de origem controlada” (AOC), especialmente os vinhos e queijos, para a manutenção das paisagens e para a manutenção da pluriatividade. As condições são muito variáveis de um maciço a outro. Paradoxalmente, foi nos maciços, onde as condições são menos favoráveis, que a produção de queijos se desenvolveu melhor (beaufort e reblochon nos Alpes do Norte, comté no Jura, munster nos Vosges, etc.), embora a população agrícola nesses lugares seja fraca: 3,9% no Jura, 4,3% nos Alpes do Norte e 6,7% nos Vosges. Nos maciços em que as condições naturais pareciam melhores foi tentada uma evolução, muitas vezes erroneamente, para a agricultura produtivista, como em certas partes do Maciço Central, que ainda contém 13,5% da população ativa nesse setor.

A indústria está longe de ser indigente. O setor secundário (33% da população ativa em 1996) é superior à média francesa. Ele atinge 49,2% no Jura, 48,4% nos Vosges, 35,8% nos Alpes do Norte e ainda 32,6% no Maciço Central. A indústria pesada eletroquímica e eletrometalúrgica encontra-se em declínio. A alta tecnologia desenvolve-se em certos locais e a indústria do savoir-faire, baseada na mecânica de precisão, na fabricação de plásticos e no artesanato em madeira é muito forte nos Vosges, no Jura e nos Alpes do Norte. Por fim, vêm se desenvolvendo há pouco tempo alguns complexos produtivos, como o do material esportivo e de lazer na montanha (esqui, calçados) nos Alpes do Norte. Estes últimos surgem freqüentemente em uma economia onde cada setor influencia e valoriza os outros. Assim, o turismo pede, além das possibilidades de acolhida (locação, hotelaria, etc.) produtos específicos em material técnico e produtos agrícolas locais de qualidade.

As regiões que evoluíram nessa direção na maior parte das vezes tiveram a melhor evolução demográfica. A população da zona de montanha nos Alpes do Norte, que beira hoje um milhão de habitantes, aumentou 33,9% entre 1968 e 1990. Esse aumento foi de 16,9% no Jura, na mesma época. Mesmo os Alpes do Sul, menos populosos, tiveram uma forte porcentagem de crescimento (30%) baseada na atração dos espaços sem poluição. Por outro lado, a evolução é negativa nos outros lugares:

- 6% no Maciço Central,
- 5,4% nos Pireneus,
- 4% nos Vosges e
- 28% na Córsega. Nos setores mais dinâmicos, como o dos esportes de inverno, o déficit de mão-de-obra gera emprego para muitos trabalhadores temporários.


A diversidade da montanha francesa

Os Alpes

Os Alpes do Norte

Eles simbolizam a alta montanha, pelo pico emblemático do Mont Blanc (4.810m) e pelos Jogos Olímpicos de Inverno (Chamonix em 1924, Grenoble em 1968 e Albertville em 1992). A exagerada concavidade dos vales glaciares permitiu o desenvolvimento das vertentes em grandes desníveis, a formação de lagos e a concentração da vida e da atividade. Essas montanhas são freqüentemente associadas ao inverno, à neve, ao gelo e aos esportes corredeira. O sucesso econômico é total, com os esportes de inverno (a primeira estação, La Plagne, possui uma freqüência superior ao conjunto das estações dos Pireneus), o turismo dos lagos e montanhas no verão, a presença do Parque Nacional de La Vanoise, de parques regionais e de estações termais.

A acessibilidade é favorecida pelos eixos de comunicação transfronteiriços (auto-estradas, estradas de ferro) e a proximidade de aeroportos nacionais e internacionais. A presença e o peso das cidades (Grenoble, Chambéry, Annecy), movimentadas em torno do “sulco alpino” até Genebra, fazem da região um espaço cuja densidade populacional ultrapassa a média nacional.

A indústria nessa região é específica e de qualidade, misturando experiência e cultura, gerando um forte valor agregado (peças de indústria mecânica, eletrônica e informática, material esportivo e de montanha). Ela é beneficiada por grandes centros de pesquisa e uma forte densidade universitária.


Os Alpes do Sul

As montanhas dos Alpes do Sul são mais elevadas em altitude média, embora os picos só ultrapassem em pouco os 4.000m (4.102m na barra de Écrins). Seus vales são menos profundos. A incidência solar ganha algumas centenas de horas a mais por ano, mas as variações térmicas são mais elevadas. A desertificação, que provocou um êxodo rural em massa, destruiu a identidade territorial. Os Alpes do Sul são fortemente isolados. Como as comunicações com o Norte são difíceis, elas se voltam mais para a Provença. As produções agrícolas são diversificadas e famosas: vinhos, olivas, lavanda, cordeiros.

A densidade populacional está entre as mais fracas da França, com exceção da parte próxima à Riviera. Se, hoje, a população vem aumentando, é para novos valores que ela é atraída, para a autenticidade, a montanha-museu, a qualidade do meio ambiente e da ecologia. O impasse industrial foi quase total na região e a agricultura não soube tirar proveito de seus sabores, na medida em que os Alpes do Sul constituíam um deserto produtor de queijo.

O vale do Durance, com seus pomares, concentra a parte essencial da atividade agrícola e serve de eixo de acesso para as estações de esqui a uma clientela regional. Entre as cidades que o compõem, apenas Gap possui mais de 35.000 habitantes. A identidade territorial é prejudicada pela aculturação consecutiva ao turismo, já que o departamento dos Altos Alpes possui a maior média (2) de afluência turística da França. Os Alpes do Sul, no entanto, possuem dois trunfos: eles contêm dois parques nacionais, Les Écrans e Le Mercantour e parques regionais. Esses parque estão situados entre a parte mais interior de Nice e suas estações de esqui e a Côte d’Azur, onde Nice apresenta um forte dinamismo de desenvolvimento (Sophia-Antipolis). A região também se comunica com a Itália, através de Vintimille.


Os Pireneus

Na parte francesa, seu pico mais alto é o monte Perdu, com 3.355m de altitude, o que faz dele uma alta montanha. Verdadeira barreira de fronteira contínua entra a França e a Espanha, eles possuem uma parte basca e atlântica e uma parte mediterrânea catalã. A assimetria da cadeia apresenta, do lado francês, uma vertente curta, escavada por cursos d’água paralelos meridianos que delimitaram, dessa forma, vales identificados em francês como “pays” (Aspe, Ossau, Comminges, Ariège, Cerdagne, Conflent, Vallespir, etc.). O rebaixamento da cadeia de um lado e do outro permitiu uma repartição dos povos divididos pela fronteira de 1659: os bascos no oeste e os catalães no leste.

E evolução econômica do maciço é, portanto, plural. As práticas agropastoris desapareceram em alguns vales e se mantêm em outros. A estada dos rebanhos nas pastagens da alta montanha durante o verão é realizada com os rebanhos de corte e leiteiro, especialmente as ovelhas, que alimentam, entre outros, a produção de queijo de Roquefort. As produções vinícolas contêm algumas celebridades, como o Jurançon em Béarn, o Banyuls em Roussillon e os AOCs (de apelação de origem controlada) Corbières. No século passado, a hidroeletricidade permitiu uma certa industrialização. As descobertas do petróleo e do gás natural no oeste da cadeia criaram um verdadeiro dinamismo econômico. As estações termais serviram de base para a conquista turística dos campos de neve no inverno. Para completar, há o Parque Nacional dos Pireneus, que valoriza o meio ambiente. As regiões periféricas dinâmicas de Toulouse e as cidades espanholas de Barcelona, Saragoça e Bilbao dão aos Pireneus, além de seus próprios trunfos, um papel de ligação entre a península ibérica e o resto da Europa. As cidades de Pau e Perpignan constituem, para a cadeia, centros de atividades e de serviços, bem como novos pólos universitários e de pesquisa.


O Maciço Central

O Maciço Central é mais vasto, cobrindo um quinto do território nacional. É um conjunto de planaltos sobrepujados por vulcões, como a cadeia dos Puys e o Cantal, cortados por profundos vales, vastas depressões meridianas, como as “limagnes” e as bacias intramontanhosas, como as de Brive-La-Gaillarde, Le Puy, etc. Ele é composto de uma infinidade de paisagens (maciços de granito da Auvergne, de Forez e do Limousin, planaltos calcários de Causses, etc. ). O Puy de Sancy é o seu ponto culminante, com 1.855m de altitude. A altitude média eleva-se rumo ao leste, o que faz dele um vasto plano inclinado que serve de trampolim para as perturbações atlânticas, contrastando com os contrafortes mediterrâneos de Causse e Cévennes.

Esta é a região da relva e da criação de animais, mas há também outras produções: cereais em Limagne, vinhos (Saint-Pourçain, Beaujolais, Lyonnais, Côte du Rhône) e frutas (Ardèche). A depressão dos campos prossegue. As cidades e, sobretudo, as coroas periurbanas concentram, como na planície, o crescimento demográfico. O turismo na região é recente, com exceção das termas, e os parques são numerosos (Parque Nacional de Cévennes e parques regionais, como o dos Vulcões de Auvergne). As paisagens são de uma raríssima beleza e o patrimônio, muito rico. As potencialidades só pedem para ser valorizadas, como as AOCs (apelações de origem controlada) de queijos e vinhos, o agroturismo, as termas, a herança histórica. A indústria, antigamente baseada nas bacias minerais, está em declínio. Clermont-Ferrand, entretanto, continua sendo uma cidade muito ativa com as fábricas da Michelin (pneus), de Limoges (porcelana), de Thiers (cutelaria) e de Saint-Etienne (metalurgia), de grande renome.

A auto-estrada meridiana, de Paris a Montpellier passando por Clermont-Ferrand e a transversal, ligando Lyon a Bordeaux, em fase de construção, devem pôr um fim ao isolamento e favorecer o desenvolvimento econômico dos vales e bacias. Além disso, a recente realização de Vulcania, um parque científico dedicado aos vulcões próximo ao pólo universitário de Clermont, deverá fortalecer a sua imagem.


O Jura

O Jura é uma cadeia de montanhas enrugadas que parece servir de contraforte aos Alpes do Norte, contra os quais ele vai de encontro. Ele é composto de um vasto conjunto de altos platôs, de dobras comprimidas e de passagens estreitas, que tem como ponto culminante o monte Neige, a 1.718m de altitude e é limitado a oeste pelo corredor Reno-Ródano. As cidades ocupam os pontos estratégicos de controle das estradas nos vales ou em suas margens (Besançon, Pontalier, Montbéliard, Lons-le-Saunier, etc.).

O Jura não é nem os Alpes, nem o Maciço Central, mas tem um pouco dos dois. Agropastoril, florestal e produtor de queijos, ele preserva sua especificidade antiga das atividades agrícolas e de um artesanato de precisão e qualidade (metalurgia, relojoaria, tornearia, objetos de marcenaria, cachimbos e brinquedos) que soube fazer evoluir para a indústria do plástico (Oyonnax), de automóveis (Sochaux), etc. Ele soube forjar a imagem de vasto espaço natural e associá-lo ao esqui de fundo, como no parque natural do Alto Jura, onde se pratica a corrida da “Transjurassiana”. Como uma montanha de fronteira, os contatos com a Suíça sempre foram numerosos, devido à sua proximidade, às experiências adquiridas, à cultura e à complementaridade. O Jura forma um conjunto homogêneo harmonioso e equilibrado do ponto de vista cultural e universitário, social e econômico.


Os Vosges

Os Vosges são um bloco de base cristalina que emerge em meio às rochas de arenito vermelhas. Seu ponto culminante é o Grand Ballon, a 1.424m de altitude e formam uma barreira entre a Lorena e a Alsácia. Com um vasto plano inclinado do lado da Lorena, as montanhas são abruptas e com grande fendas do lado da Alsácia. Elas são um resumo da montanha por sua formação em degraus, sua atividade agropastoril, florestal, vinícola e de produção de queijos, sua capacidade turística internacional e seus parques regionais. Mas, esse maciço também transmitiu, durante muito tempo, a imagem da montanha industrial, com suas minas, a metalurgia, a mecânica e a indústria têxtil. A indústria têxtil desenvolveu-se a partir de Mulhouse e da planície da Alsácia, de onde ganhou os Vosges alsacianos e, em 1871, a vertente lorena.

Hoje, com o declínio industrial, compensado pelas prósperas atividades artesanais, entre as quais a da madeira, os Vosges tornam-se também um espaço lúdico próximo ao grande eixo oeste-leste rodoviário e ferroviário que se desenvolve ao norte pela garganta de Saverne e do eixo Reno-Ródano meridiano. Os Vosges podem contar também com um reservatório de clientela na Alemanha e em Luxemburgo.


A Córsega

A Córsega é uma montanha no mar que tem como ponto culminante o monte Cinto, a 2.710m de altitude. Suas formações geológicas múltiplas criam um mosaico de paisagens, dos granitos do noroeste aos molassos tabulares e calcários de Bonifacio e seu ornamento vegetal mediterrâneo faz dela a região do maquis, formado por arbustos e mata espessa. Essas paisagens reforçam a identidade com a montanha de suas populações de agricultores e pastores. De baixa densidade populacional, a montanha corsa não conheceu a industrialização e deve perpetuar seus recursos agropastoris (carne, leite de ovelha, vinho e frutas cítricas) e valorizá-los.

A atividade comercial e turística recente atraiu as populações para o litoral e enfraqueceu a montanha propriamente dita. As cidades de Bastia e Ajaccio concentram o crescimento demográfico. Mas os corsos prezam a autenticidade da montanha e recusam-se a ceder à pressão turística exercida no litoral. A insularidade, a forte identidade cultural e o isolamento geográfico confirmam a originalidade desse território que merece um desenvolvimento em harmonia com as suas características.

Os maciços montanhosos na França metropolitana

Para mais informações
www.datar.gouv.fr

site da Delegação para a Organização do Território e a Ação Regional
www.atlas.parcsnationationaux.org
www.univ-savoie.fr

Ler também Geografia da França

Notas

1 – para as zonas montanhosas fora da metrópole, ver a página “O ultramar francês”.

2 – relatório sobre leitos turísticos/leitos permanentes.

 

 

 

 

 

 

Ver também:

Claude Meyzenq e Jean-Paul Rampnoux são professores do Centro Interdisciplinar Científico da Montanha – Universidade de Savoie.
As opiniões expressas neste artigo são da inteira responsabilidade do autor.

Site do Ministério da Organização do Território e do Meio Ambiente

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