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Ficha de informação
A
luta contra a
exclusão social
janeiro de 2001
A crise econômica ocorrida
na França e em todos os países industrializados a partir dos anos 70
revelou as situações de pobreza, precariedade e exclusão que afetaram
um número crescente de pessoas, sobretudo nos anos 90. A perda do
emprego, seguida de uma situação prolongada de desemprego, pode
acarretar a incapacidade de pagar o aluguel, que se torna por demais
oneroso, e portanto a perda da moradia; o acúmulo de dificuldades e a
falta de perspectivas levaram pessoas que normalmente estavam
profissionalmente integradas a perderem em questão de poucos anos, e
mesmo em alguns meses, a maior parte de seus referenciais, vendo-se numa
situação de penúria material e moral que as isola, fazendo-as sentir-se
diferentes e rejeitadas pelo resto da sociedade. Diante desses problemas,
ganhou corpo a idéia de que não bastava fornecer ajuda, sendo
necessário empreender uma verdadeira luta contra a exclusão, pois ela
ameaça a coesão social e o "pacto republicano" pelo qual, numa
democracia, todos os cidadãos devem ter acesso aos mesmos direitos
fundamentais. Por isto é que se torna imperativo agir para dar a cada um
a sensação de ser um membro pleno da comunidade nacional.
Este empenho, durante muito
tempo assumido pelas associações que há anos trabalham em campo com os
mais desfavorecidos, levou no dia 28 de julho de 1998 ao voto da "lei
de orientação relativa à luta contra a exclusão", que afirma em
seu artigo 1º: "A luta contra a exclusão é um imperativo
nacional baseado no respeito da igual dignidade de todos os seres humanos
e uma prioridade do conjunto das políticas públicas na nação
".
Esta lei constitui há dois
anos o enquadramento fundamental da luta contra a exclusão social na
França, ao lado de outros textos, como a lei de 27 de julho de 1999 que
estabelece o seguro-saúde universal. As medidas aplicadas cobrem vários
terrenos.
Acesso
ao emprego
Direito
à saúde para todos
Direito
à habitação
Garantir
um mínimo de recursos disponíveis
Favorecer
o acesso à cultura, à educação e ao lazer
Enfrentar
a urgência social
Acesso
ao emprego
- Combater o
desemprego de longa duração: Um
dos principais fatores de exclusão é o desemprego de longa duração,
que dificulta cada vez mais o retorno ao emprego, pois
"dessocializa" suas vítimas. O programa "novo começo
" da ANPE (Agência Nacional para o Emprego) foi criado para
acompanhar em direção ao emprego, ao longo de um percurso
individualizado, pessoas longamente afastadas dele. Destina-se
particularmente a jovens de menos de 25 anos desempregados há mais de
12 meses, adultos inscritos há mais de 24 meses e pessoas que dispõem
exclusivamente da renda mínima social para viver. São propostas
diferentes formas de ajuda:
- apoio na busca de
emprego, com o fornecimento de orientação e ajuda na procura;
- fornecimento de acompanhamento personalizado para o emprego,
efetuado por um só e mesmo conselheiro por duração de 3 meses
renovável, com pelo menos 2 entrevistas por mês;
- acesso à formação, se necessário com apoio personalizado para
a definição de um projeto de formação;
- acompanhamento personalizado integrado a apoio social, para as
pessoas em maior dificuldade, para as quais os problemas sociais,
familiares e de saúde complicam ainda mais o retorno ao emprego.
Em 2 anos, 1.400.000
pessoas beneficiaram-se do programa "novo começo", 54% das
quais no contexto da luta contra a exclusão. Em um ano, de setembro de
1999 a setembro de 2000, o desemprego de longa duração recuou 23,1%.
- O programa TRACE
:
Este
programa (trajeto de acesso ao emprego) deve proporcionar a 100.000
jovens de 16 a 25 anos que se encontram em dificuldades, um
acompanhamento global e personalizado para o emprego, num período que
pode alcançar 18 meses.TRACE requer a mobilização do conjunto dos
atores locais capazes de contribuir para a inserção dos jovens em
dificuldade: agência de emprego; trabalhadores sociais; associações.
Um desses organismos é designado para organizar a entrada dos jovens no
esquema e coordenar as intervenções dos diferentes operadores. O
percurso de cada jovem é estabelecido e acompanhado por um
"assessor" único. O jovem é remunerado durante os períodos
de atividade salarial e formação, podendo receber auxílios de
urgência se enfrentar problemas materiais especiais. No fim de junho de
2000, 65.000 jovens haviam sido atendidos nesse programa. Ao fim de 15
meses, 4.600 jovens concluíram o percurso: 4.000 deles obtiveram um
emprego; 80% dos jovens ainda envolvidos no esquema estão empregados ou
em formação.
- Integração
pela atividade econômica: Este setor reúne estruturas que
comercializam bens e serviços, como as empresas de integração
social, e organismos que desenvolvem atividades de utilidade social,
como as frentes de trabalho-escolas, assim como organismos mistos, ou
seja, afetos a essas duas categorias. Todas essas estruturas têm como
objetivo permitir que pessoas enfrentando dificuldades sociais e
profissionais, freqüentemente muito dissocializadas e pouco
qualificadas, retornem ao mundo do trabalho em condições adaptadas,
vale dizer, mediante modalidades específicas de orientação e
acompanhamento. Esses organismos firmam convenções com o Estado para
receber ajudas, isenção de encargos sociais ou contratos assistidos.
Embora já existissem estruturas desse tipo antes da votação da lei,
esta favoreceu o seu desenvolvimento, pois em 2 anos o número de
empresas de integração (EI) aumentou cerca de 30% e o número de
empresas temporárias de integração (ETTI), 78%. O número de postos
de integração propostos aumentou 20% em 1999 e deveria aumentar 24%
em todo o ano de 2000.
- Contratos
assistidos
: Diferentes
dispositivos permitem a contratação de pessoas em grande dificuldade
no contexto de contratos de trabalho pelos quais o empregador recebe
ajuda considerável do Estado. É o caso dos contratos solidários de
emprego (CES), reservados aos desempregados de longa duração ou
com mais de 50 anos e às pessoas que enfrentam dificuldades especiais
de integração. O Estado celebra convenções com coletividades
territoriais ou outros organismos públicos, além de organismos de
direito privado sem fins lucrativos (associações, por exemplo). Estes
organismos podem então assinar CESs para empregos que contribuam para o
desenvolvimento de atividades voltadas para o atendimento de
necessidades coletivas não satisfeitas. Os contratos consolidados de
emprego (CEC) são contratos assumidos pelo Estado num patamar de
80% durante 5 anos. Este dispositivo permite às pessoas que enfrentam
as situações mais difíceis desfrutar de uma estabilidade suficiente
para construir um projeto profissional, ajudadas neste sentido por
ações de orientação e formação previstas pela convenção assinada
entre o empregador e o Estado. No fim de junho de 2000, um pouco mais de 6.000
pessoas já desfrutavam de um CEC.
- Acúmulo de rendas
de atividade e rendas mínimas sociais:
O
objetivo desta medida é evitar as situações em que uma pessoa se
sentisse tentada financeiramente a permanecer desempregada, em vez de
retomar uma atividade. O acúmulo garante um certo nível de recursos,
particularmente para ajudar a enfrentar os custos acarretados pela
retomada da atividade: transporte, guarda dos filhos... Pode ocorrer no
máximo durante 3 meses no caso de certos pagamentos. Nos 9 meses
seguintes, o acúmulo é de 50% : metade da renda proporcionada pela
atividade é deduzida do benefício social concedido.
Direito
à saúde para todos
- Cobertura
Universal de Saúde (CMU)
: A criação pela lei de 27 de julho de 1999 da Cobertura
Universal de Saúde é uma arma importante da luta contra a exclusão. A
desigualdade no acesso a tratamento médico havia sido demonstrada em
vários levantamentos: em 1998, por exemplo, uma pessoa em cada grupo de
7e 30% dos desempregados tiveram de desistir de tratar-se por não
poderem assumir os custos que continuavam a seu encargo. A CMU, que
entrou em vigor a 1º de janeiro de 2000, deve assegurar efetivo acesso
aos cuidados médicos para todos. Ela comporta 2 aspectos :
- filiação ao regime
básico da Previdência Social para todo residente em situação
estável e regular que não disponha de direitos de outra forma conferidos
ao seguro-saúde. Por "situação estável" entende-se que a
pessoa resida na França há mais de 3 meses ininterruptamente. As pessoas
sem domicílio fixo ou em habitação muito precária podem domiciliar-se
num centro comunal de ação social ou numa associação autorizada;
- cobertura complementar gratuita, que cobre os gastos médicos
não reembolsados pelo seguro-saúde. Os beneficiários nada desembolsam,
portanto, para as consultas e procedimentos médicos, nem precisam pagar
as despesas ligadas ao tratamento. Para a gestão de sua CMU complementar,
os beneficiários podem escolher sua caixa primária de seguro-saúde ou
um organismo autorizado (mutuária, seguradora...). A cobertura
complementar é condicionada aos recursos (3.500 francos mensais para uma
pessoa sozinha).
Estima-se em 6 milhões o
número de beneficiários potenciais da CMU. No fim de junho de 2000,
após 6 meses de funcionamento, 4,2 milhões de pessoas eram beneficiadas,
o equivalente a cerca de 70% da população-alvo. O êxito desta
iniciativa demonstra em que medida vinha ela atender a uma necessidade e a
uma expectativa. Além da possibilidade de tratar-se adequadamente em caso
de doença, ela permite em especial a obtenção de tratamentos dentários
e a prescrição de óculos, necessidades a que tais pessoas tinham
anteriormente de renunciar, sabendo-se que uma boca desdentada é um fator
de estigmatização social.
- Serviços de acesso ao
atendimento de saúde (PASS) :
A
lei previu a criação de programas regionais de acesso à
prevenção e aos tratamentos (PRAPS). Um PRAPS é estabelecido a
partir de uma análise prévia, em cada departamento, do acesso ao
atendimento de saúde para os mais necessitados. Comporta ações
coordenadas de prevenção e educação para a saúde, especifica as
condições nas quais os diferentes serviços e instituições
envolvidos contribuem para essas ações e define ações para lutar
contra as patologias agravadas pela precariedade e a exclusão. No
contexto desses programas, os PASS consistem em células de atendimento
médico-social destinadas a facilitar o acesso dos mais desfavorecidos
ao sistema hospitalar. Cada PASS deve comportar: um sistema de
orientação e identificação das situações problemáticas; consultas
médicas; consultas sociais; fornecimento de uma ficha de circulação
dando acesso aos equipamentos técnicos e aos medicamentos. Ela é
dirigida por uma comissão diretora constituída de médicos,
farmacêuticos, administradores, pessoal de enfermagem e serviços
sociais; esta comissão é aberta às associações e aos serviços
sociais associados. No dia 30 de abril de 2000, 183 serviços já haviam
formado suas comissões diretoras, e 138 desenvolveram os protocolos de
circulação, atendimento e acompanhamento médico, social e
administrativo.
Direito
à habitação
A habitação é um fator
essencial de inserção. Conseguir moradia digna, com um aluguel adaptado
aos recursos da família, é o sonho dos mais desfavorecidos. Mas
conservar sua moradia é igualmente fundamental, é vencer uma etapa
talvez irreversível rumo à exclusão, pois ser expulso, ver-se
no olho da rua não raro significa descambar para a miséria. Por isto é que a luta
contra a exclusão comporta todo um leque de medidas para melhorar o
acesso à habitação e ao mesmo tempo prevenir as expulsões:
- Planos
departamentais de acesso à moradia: Destinam-se a
impulsionar e coordenar a ação dos diferentes serviços e organismos
envolvidos. Esses planos têm duração mínima de 3 anos. O "prefet"
(representando o Estado no departamento) e o presidente do conselho
geral (a assembléia dos eleitos nos departamentos) co-presidem um
comitê responsável pelo plano, ao qual cabe em especial avaliar os
seus efeitos, para estar constantemente procedendo às adaptações
necessárias. O plano estabelece os critérios de acesso aos FSL
:
- os fundos de
solidariedade para a habitação (FSL) têm
como objetivo ajudar as pessoas desfavorecidas a manter-se na moradia em
caso de falta de pagamento do aluguel ou obter uma nova moradia. Eles
fornecem empréstimos, subvenções e garantias, assegurando o
financiamento de medidas de acompanhamento social. No dia 30 de junho de
2000, 1.500.000 famílias já haviam sido ajudadas pelos FSL.
- Melhorar o acesso
a habitações sociais:
várias
iniciativas contribuem para isto:
- acordos coletivos
departamentais: em cada departamento, o "prefet" firma com os
locadores um acordo coletivo trienal que estabelece o número de
habitações que estes se comprometem a fornecer cada ano e um prazo de
espera além do qual as solicitações passam a ter tratamento
prioritário;
- conferências
intercomunais de habitação: congregando as comunas do
departamento que apresenta zonas urbanas sensíveis ou uma grande
quantidade de moradias sociais, elas emitem um parecer sobre o projeto de
acordo coletivo departamental e elaboram uma carta intercomunal para
detalhar o plano por comunas e locadores;
- registro departamental
único: toda solicitação de habitação social deve doravante ser
registrada e integrada a uma numeração. A obrigação de registrar todos
os pedidos e a impossibilidade de conferir uma moradia sem atribuição de
um número aumentam a transparência do atendimento e a igualdade de
oportunidades entre os demandantes. Permitem também avaliar os prazos de
espera dos demandantes e melhor quantificar e qualificar as solicitações
de habitação.
- Luta contra as
expulsões:
O
esforço de prevenção destina-se a permitir a intervenção bem antes
de se chegar ao estágio dramático e traumatizante da expulsão.
Tratando-se de uma habitação social, uma vez ocorridos os primeiros
incidentes envolvendo o pagamento do aluguel, e antes de ser iniciado um
procedimento contencioso, o locador deve dirigir-se à seção
departamental de ajuda pública à habitação, ou à caixa de abonos de
família, para a busca de formas de resolução da dívida. Somente 3
meses depois do recurso ao organismo competente tem o locador
autorização para recorrer ao juiz (citação). Seja a moradia de um
locador social ou privado, o juiz não pode baixar sentença antes de
vencido prazo de 2 meses a partir da citação. O oficial de justiça
incumbido de informar o locatário da citação judicial é obrigado ao
mesmo tempo a inteirar o "prefet", que determinará uma investigação
social para buscar soluções com os organismos competentes. Alvarás de
prevenção das expulsões devem igualmente ser estabelecidos em todos
os departamentos. Além disso, a lei estipula que "toda
pessoa ou família enfrentando dificuldades especiais decorrentes de uma
situação de precariedade tem direito a ajuda da coletividade para
aceder ou preservar seu acesso ao fornecimento de água, energia e
serviços telefônicos ". Com esta finalidade, são firmadas
nacionalmente convenções entre o Estado, a Électricité de France, a
Gaz de France e os distribuidores de água, definindo o montante e as
modalidades de suas respectivas contribuições. Em cada departamento
são firmadas convenções entre os representantes locais dos
distribuidores de água e energia e as coletividades territoriais ou, se
for o caso, organismos sociais, para determinar as condições de
aplicação das convenções nacionais.
Garantir
um mínimo de recursos disponíveis
- Aperfeiçoar os
métodos de tratamento do superendividamento: A
lei pretendeu melhorar o tratamento de situações de desgaste dos lares
super-endividados, particularmente em conseqüência de uma diminuição
de recursos devida ao desemprego, de problemas de saúde ou da morte de
um cônjuge, fatos acarretados pelo que se costuma chamar de
superendividamento passivo, por oposição ao superendividamento ativo,
decorrente do recurso excessivo ao crédito.
- a composição das
comissões de superendividamento foi reforçada, para abranger todos
os aspectos da situação financeira do devedor. A presença do
representante do diretor departamental dos serviços fiscais também
permite tratar coordenadamente as dívidas com o Estado e os organismos
públicos;
- o devedor pode ser
ouvido pela comissão, para explicar pessoalmente sua situação, melhor
que num dossiê administrativo. O procedimento de estabelecimento do
passivo permite a verificação de dívidas contestadas pelo devedor;
- o pagamento das
dívidas pode ser alongado em 8 anos. No caso das famílias mais
fragilizadas economicamente, é possível uma moratória de até 3 anos.
Após a moratória, a comissão pode cancelar parte ou a totalidade das
dívidas, nos casos mais difíceis;
- o plano de
recuperação que é estabelecido deve obrigatoriamente permitir que a
pessoa e sua família retenham uma renda que lhes permita atender às
despesas da vida quotidiana. Os recursos deixados em poder de uma pessoa
isolada não podem ser inferiores à renda mínima de integração (RMI) -
aproximadamente 2.552 francos para uma pessoa sozinha.
- Direito de conta
bancária:
A
lei estipula que toda pessoa tem direito à abertura de uma conta num
banco. Aqueles que vêm negados este direito podem recorrer ao Banco da
França, que lhes abrirá uma conta. Cerca de 6.000 pessoas recorreram a
este procedimento em 1999.
Favorecer
o acesso à cultura, à educação e ao lazer
Luta contra o
analfabetismo: o analfabetismo, definido como incapacidade de ler um
texto simples da vida quotidiana, é uma deficiência grave que penaliza
tanto na vida profissional quanto nas relações sociais mais comuns. Os
testes de leitura efetuados durante as Jornadas de Convocação à
Preparação para a Defesa mostram que 5% dos jovens encontram grande
dificuldade de leitura de texto. Por isto a lei estipula que "a
luta contra o analfabetismo constitui uma prioridade nacional. Todos os
serviços públicos contribuem de forma coordenada para a luta contra o
analfabetismo em seus respectivos terrenos de ação ". Decidiu-se
criar um grupamento de interesse público que será incumbido de promover,
coordenar e avaliar a política de luta contra o analfabetismo. A escolha
desse estatuto explica-se pela necessidade de associar numa mesma
estrutura organismos de direito público e de direito privado:
ministérios, organismos sobmetidos à tutela do Estado, regiões, setores
profissionais...
- Favorecer a
escolarização das crianças:
A
Educação Nacional criou mecanismos para evitar que jovens entrem
precocemente num processo de exclusão escolar e social; desse modo, as classes
de ligação, e os internatos de ligação permitem a
manutenção ou a reintegração no sistema escolar de adolescentes com
história de fracasso escolar e cujo comportamento evidencie que
entraram num processo de dessocialização. Por outro lado, foram
restabelecidas em 1998 as bolsas colegiais, para famílias mais
pobres.
As bolsas por mérito,
criadas em 2000, permitirão a 10.000 alunos bolsistas de colégio que
tiveram bons resultados na diplomação prosseguir seu processo de
escolarização em boas condições até o baccalauréat. Trata-se
de um complemento das bolsas de liceu, para oferecer a esses alunos a
possibilidade de uma abertura cultural, social e profissional de que já
se beneficiam os alunos de famílias mais abastadas, pelo próprio meio em
que vivem.
- Acesso ao
lazer e ao esporte:
Trata-se
de uma frente importante, pois segundo o testemunho das próprias
famílias mais destituídas, o fato de nunca poderem sair de férias ou
proporcionar aos filhos a prática de seu esporte preferido
"marca-os" socialmente, fazendo-os sentir-se diferentes dos
outros e excluídos de uma parte importante da vida social. Neste
sentido, podemos citar, entre as iniciativas tomadas:
- bolsa solidariedade
férias: Trata-se de um agrupamento de interesse público
criado pela Secretaria de Estado de Turismo, reunindo empresas privadas de
turismo, associações de turismo social, comitês de empresa, etc. O
princípio consiste em oferecer viagens de férias, a um custo
extremamente reduzido, a associações caritativas ou centros comunais de
ação social em contato com os mais desfavorecidos, permitindo que
famílias em dificuldade social saiam de férias. O custo da estada é de
250 a 700 francos por semana por pessoa. Em 2000, 10.000 pessoas puderam
com isto sair de férias, não raro pela primeira vez. Tarifas
específicas foram estabelecidas pela SNCF (Sociedade Nacional das
Estradas de Ferro) e a Air France ;
- o cupon esporte proporciona
aos filhos de famílias com baixa renda uma redução do custo de
filiação às associações esportivas reconhecidas. Em 1999, 130.000
famílias foram beneficiadas, e 200.000 em 2000. Cerca de metade dos
beneficiários tem entre 10 e 13 anos. O ticket esporte, por
sua vez, destina-se a facultar a prática esportiva durante as férias aos
jovens que não viajam.
Enfrentar
a urgência social
As medidas de prevenção
não devem deixar no esquecimento as situações extremas de pessoas na
rua e sem recursos. Para cuidar desses casos de urgência social foram
tomadas várias medidas:
- Um dispositivo de
vigilância social departamental:
Cada
departamento deve adotar um dispositivo desses, funcionando
permanentemente, para informar e orientar as pessoas em situação
problemática. Em todos os departamentos já funciona o serviço
telefônico "115" para atendimento aos sem-teto. A gestão do
115 pode ser integrada a um serviço específico de atendimento, que
desempenha um papel de coordenação entre os agentes sociais e está em
condições de apreciar de perto as reais necessidades. De maneira mais
geral, são elaborados esquemas de atendimento, hospedagem e
integração. Nesses esquemas departamentais, os Centros de
Hospedagem e Reintegração Social (CHRS) cumprem um papel-chave.
Nem todos esses estabelecimentos oferecem hospedagem, mas podem cumprir
missões de atendimento e integração. Desde 1997, 1.690 novos locais
foram criados, o que permitiu a criação de 19 serviços de atendimento
e orientação. 92 desses centros estão em condições de receber
famílias e não mais apenas pessoas isoladas.
- Comissões de Ação
Social de Urgência (CASU):
Foram
instaladas em todos os departamentos no início de 1999. Têm como
objetivo permitir à pessoa que pede ajuda dirigir-se ao interlocutor de
sua preferência para expor-lhe seus problemas sem ser obrigada a
múltiplos procedimentos, garantir ao demandante uma resposta global em
prazo curto e remediar as situações de urgência eficazmente e
respeitando a dignidade das pessoas. Uma carta departamental foi
elaborada na maioria dos departamentos, e a elas aderiu a maioria dos
parceiros sociais envolvidos. Essas cartas estabelecem as modalidades e
regras da coordenação entre os diferentes organismos participantes.
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(textos em francês)
Exclusão
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Desemprego
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