|
Relação dos textos |
|
A economia francesa por Xavier Timbeau * dezembro de 2001
1945-1973 : dos Trinta Gloriosos ao aumento do desemprego Depois da Segunda Guerra Mundial, o mundo desenvolvido passa por uma fase de crescimento acentuado e prolongado. O modelo de produção fordista generaliza-se em toda a indústria, permitindo a produção em massa, são numerosas as inovações tecnológicas e a produtividade do trabalho da economia dominante, a dos Estados Unidos, é de 2,5% ao ano. A Europa e a França beneficiam-se com essa onda de inovações, à qual vêm somar-se dois fenômenos específicos: a reconstrução, após os danos causados pela guerra aos bens produtivos ou residenciais, e o emparelhamento tecnológico com os Estados Unidos. Esse duplo empenho de investimento em capital e tecnologia gera um crescimento da produtividade do trabalho da ordem de 5% ao ano. Nesse ritmo, a produção por indivíduo dobra de 14 em 14 anos. Durante esses Trinta Gloriosos anos, como lembra o economista Jean Fourastié, a produção por indivíduo e portanto a riqueza praticamente quadruplicaram! A industrialização progressiva das empresas européias tem como conseqüência uma profunda modificação da sociedade: a população agrícola engrossa os contingentes da indústria. Na França, o percentual de empregos agrícolas passa de 20% na década de 60 a pouco mais de 10% em 1970. A industrialização vai de par com a urbanização e o êxodo rural. Os choques petrolíferos e a diminuição da produtividade O fim do sistema monetário de Bretton Woods (1971) e o primeiro choque petrolífero, após o conflito árabe-israelense de 1973, assinalam o fim desse ciclo de expansão. As tensões surgidas no fim dos anos 60 traduziram-se em inflação (cerca de 6% na França e na Europa em 1968, 4% nos Estados Unidos) e explicam a decisão de abandonar a conversibilidade do dólar. O fim do sistema monetário de Bretton Woods teria se originado, assim, num crescimento que se tornou impossível de administrar. O ano de 1975 é marcado por recessão. Entre 1973 e 1979, o crescimento cai em média a um ritmo nitidamente inferior a 3% ao ano. A inflação aumenta, chegando a ritmos de dois algarismos. Ante a coexistência de uma inflação de dois dígitos e um crescimento fraco, as políticas econômicas têm dificuldade de encontrar um caminho e parecem impotentes. A Europa passa por grandes perturbações monetárias e o desemprego aumenta praticamente 5 pontos em uma década. Enquanto nos anos 60 oscilava em torno de 3%, em 1983 ele chega a mais de 8%. A trajetória francesa está muito ligada à da Europa, seja em termos de crescimento do PIB, de inflação ou de desemprego. O esboço de uma união monetária, com a "serpente monetária" criada em 1972, e logo o "sistema monetário europeu" corroboram e reforçam a ligação das conjunturas européias. Mas em vários momentos manifestam-se defasagens entre o desemprego francês e o europeu. Assim, de 1977 a 1981, a política econômica da França abandona explicitamente a meta do pleno emprego. O governo Barre (1976) combate ativamente a inflação. O resultado é um aumento do desemprego ainda maior que o médio nos países europeus, com um desempenho relativo em matéria de inflação mas um controle bem melhor dos déficits públicos. Em 1979, um segundo choque petrolífero atinge a economia mundial, reativando a inflação. Em 1981, os franceses elegem como presidente um socialista, François Mitterrand. Grandes esperanças são depositadas numa vigorosa política de reaquecimento e emprego. O impacto sobre o desemprego é suficiente para que a França passe a se situar abaixo da média européia. Mas as pressões macroeconômicas e particularmente a pressão externa obrigam a França a fechar esse parêntese, com o retorno da política de rigor econômico em 1983 e o governo Delors. A construção européia, vencida a inflação As situações econômicas americana e européia distanciam-se singularmente já no início dos anos 80. As políticas econômicas passam por orientações divergentes. Nos Estados Unidos, a inflação é mais bem contida que na Europa, sob o impulso de uma política monetária liberada das pressões externas. O crescimento pode então ser retomado nos Estados Unidos durante a segunda metade da década de 80, e o desemprego recua. A policy mix da "reaganomics" dá muito melhor resultado que as políticas não coordenadas adotadas na Europa. A volta do crescimento é mais tardia na Europa, provavelmente condicionada pelo contra-choque petrolífero de 1986. Mas a defasagem em relação aos Estados Unidos em matéria de desemprego aumenta, muito embora pareça reduzir-se em 1986. Na França, o governo empreende a partir de 1983 uma política de combate à inflação – a desinflação competitiva. Ela consiste em romper a indexação entre os salários e os preços, em vincular o franco ao marco alemão (política do franco forte) e em liberalizar a economia (através das privatizações e da desregulamentação). Os anos 90 confirmam as divergências entre a Europa e os Estados Unidos. A guerra do Golfo (1990) e a reunificação da Alemanha (1991) mergulham a Europa numa recessão em 1993. O choque da reunificação provoca tensões inflacionárias fortes na Alemanha. Uma revalorização do marco teria atenuado o choque para o resto da Europa, mas o dogma da vinculação persiste na maioria dos países europeus. A política monetária restritiva é aplicada à Europa inteira, em vez de agir apenas na Alemanha. Da reunificação alemã até 1998, a política econômica tem como objetivo principal a moeda única européia e o respeito aos critérios de convergência estabelecidos pelo tratado de Maastricht. A inflação, o déficit público e a dívida pública devem alcançar patamares precisos. Em conseqüência das políticas adotadas, o crescimento é fraco e o desemprego aumenta, enquanto a inflação e os déficits públicos são mantidos sob controle. A volta do crescimento Desde 1997, a Europa passa por um novo ciclo de crescimento. O desemprego começou a declinar desde meados daquele ano, e depois de três anos de crescimento o debate público gira em torno do pleno emprego. Que índice de desemprego é a economia européia capaz de sustentar? Quanto tempo para retornar ao pleno emprego? São estas as questões que se apresentam. O ciclo de crescimento é alimentado pela superação do atraso de investimento acumulado durante o início da década de 90. A retomada do crescimento da produtividade do trabalho nos Estados Unidos permite esperar um ciclo de crescimento proporcionado pelas novas tecnologias. Nos Estados Unidos, ela alcança no fim dos anos 90 um ritmo comparável ao que conhecera durante os Trinta [anos] Gloriosos. As estatísticas européias não permitem distinguir uma ruptura no ritmo de crescimento da produtividade, mas muitos sonham com o exemplo americano para a Europa e a França de amanhã. A política de emprego da França no fim dos anos 90 suscitou algumas inovações das mais ambiciosas. O alívio dos encargos sobre os salários baixos (iniciado em 1993, acentuado em 1995 e completado em 1999), os empregos para jovens (instituídos em 1997 e desenvolvidos em 1998 e 1999) e as 35 horas (em 1999, após a lei Robien de 1996 e o alívio dos encargos sobre os trabalhos de tempo parcial de 1993) alimentaram muito o debate público. Estas medidas provavelmente contribuíram para o bom desempenho do emprego na França e para a redução da defasagem de desemprego em relação a seus principais parceiros. Em 2000, num momento em que a França experimenta um crescimento comparável ao da zona do euro (3%), o desemprego reduz-se duas vezes mais (1,5 ponto na França, contra 0,7 ponto na Europa). O retorno do crescimento facilitou a gestão pública e os déficits públicos valeram-se consideravelmente do dinamismo das receitas fiscais. Entretanto, a dívida pública mantém a marca dos anos difíceis. A dívida do Estado francês em 2000 é de pouco menos de 60% do PIB, representando juros anuais de aproximadamente 3,5% do PIB. Apesar de tudo, a posição externa de endividamento líquido francês é positiva (da ordem de alguns pontos de PIB), ao passo que o endividamento externo dos Estados Unidos é negativo e representa mais de 20% de seu PIB. Uma economia marcada pelo desemprego O desemprego marcou profundamente a economia francesa, mas o índice de desemprego não é necessariamente a melhor medida desse "sofrimento social". O aumento do desemprego foi acompanhado de um aumento muito claro da duração média do desemprego. Ela praticamente dobrou em trinta anos. Nos Estados Unidos, a duração média de desemprego é da ordem de um mês em 2000, com um índice de desemprego de 4%. A duração é muito variável, de acordo com os desempregados. Uma parte dos desempregados sai do desemprego rapidamente, ao passo que um número mais ou menos rígido nele permanece por muito tempo. Desse modo, os desempregados com mais idade têm uma duração média superior a dois anos, ao passo que os de 15-24 anos experimentam episódios de desemprego de 8 meses, inferiores em metade à média. O percentual de desempregados de longa duração (desempregados de mais de um ano) dobrou em trinta anos. O número de desempregados de longa duração multiplicou-se por oito desde 1970. O desempregado de longa duração tem mais idade e um nível de educação inferior ao da média. O dualismo do desemprego é muito claro, tendo-se acentuado com o aumento do índice de desemprego. O desemprego afeta de maneira mais ou menos equivalente os homens e as mulheres. O desemprego dos jovens é elevado, mas corresponde a episódios de desemprego muito curtos. Ele está igualmente associado a um índice de atividade relativamente baixo (cerca de 40%), pois os jovens são majoritariamente escolarizados. Não é portanto um dentre cinco jovens que está desempregado, mas um dentre doze. As trnsformações do emprego Os Trinta Gloriosos foram marcados por um desenvolvimento rápido da indústria. Os recursos em mão-de-obra foram encontrados no setor agrícola, que obteve consideráveis ganhos de produtividade. Mais recentemente, foi o setor terciário que se desenvolveu. Este fenômeno é geral nos países avançados, nos quais a participação da indústria reduziu-se nitidamente. Na França, a indústria só responde atualmente por pouco mais de um emprego dentre seis, ao passo que na Alemanha ainda representa um por quatro. O desenvolvimento dos serviços verificou-se simultaneamente no setor comercial, com um avanço muito acentuado dos serviços às empresas e às pessoas e no setor dos serviços administrativos. Além das funções de administração central e dos empregos induzidos, esta categoria abrange os setores de saúde e educação, cuja evolução foi espetacular ao longo dos vinte últimos anos.
O setor de saúde experimentou uma evolução rápida ao longo dos últimos quarenta anos. A participação da saúde no PIB mais que dobrou, e a despesa per capita foi multiplicada por sete, considerando-se um poder aquisitivo constante. Ela chega hoje a cerca de 2.300 euros per capita. A despesa de saúde evoluiu de maneira comparável nos países desenvolvidos. A regra parece ser: quanto mais rico é um país, maior será a despesa de saúde. Não é portanto por um peso importante das despesas de saúde no PIB que a França se caracteriza, mas antes por uma socialização acentuada de seu sistema de saúde. A diferença em relação aos Estados Unidos é flagrante, pois a parte assumida pelo sistema público é de mais de 75 % na França, contra menos de 45% nos Estados Unidos. O sistema francês está muito próximo da média européia.É muito difícil vincular as despesas de saúde a indicadores de saúde. Outros fatores, além da despesa, influem fortemente nos indicadores de saúde. Exemplo: os hábitos alimentares ou o clima. Por outro lado, as despesas de saúde podem ser decididas em função de outros critérios que não a melhora das estatísticas vitais, e, especialmente, visar aumentar o conforto. Entretanto, pode-se dizer que o sistema de saúde francês tem excelentes resultados em matéria de indicadores de saúde.
Há cerca de 10 anos a despesa de educação já não evidencia tendência clara ao aumento, e parece acompanhar a riqueza nacional. A demografia explica em parte essa estagnação. Embora a maioria das despesas de educação esteja estacionária no PIB, a despesa por aluno ou estudante aumenta. Assim como o setor da saúde, o da educação é muito socializado na França. A diferença em relação aos Estados Unidos ou à Alemanha é clara: enquanto a proporção é da ordem de três quartos ou quatro quintos nos Estados Unidos e na Alemanha, na França praticamente 100% do ensino têm financiamento público. Em termos de desempenho, o balanço do sistema francês tem aspectos positivos e negativos. As comparações internacionais de nível escolar realizadas nos últimos anos mostram um desempenho francês bom e mesmo muito bom, especialmente em matérias científicas: os diplomas franceses são de boa qualidade, em comparação com os outros países desenvolvidos. Em contrapartida, o diploma final médio dos franceses é baixo em relação aos outros países. Esta média é abaixada pelas gerações de mais idade, ao passo que entre as gerações jovens as partes de diplomados do ensino universitário tendem a se aproximar. Entretanto, a despesa por estudante na França ainda é de 40% da despesa nos Estados Unidos. Depois de ter enveredado com atraso pelo caminho da educação superior de massa, a França, como a Europa, empenha-se neste sentido com cautela. Uma economia aberta O comércio exterior da França representa 28% do PIB em 2000, contra 20% em 1980. A França é portanto uma economia cada vez mais aberta que depende do exterior por três razões principais. Em primeiro lugar, a França precisa importar certos recursos naturais não disponíveis em seu território. Assim, os produtos energéticos – principalmente hidrocarbonetos – representam mais de 6% das importações. Em segundo lugar, a indústria francesa é muito aberta, particularmente à Europa. A indústria no sentido amplo (incluindo o setor agroalimentar) representa mais de três quartos do comércio exterior francês e mais de 60% das trocas industriais realizam-se com os vizinhos europeus, com um saldo positivo. Em terceiro lugar, a França é um país de grande interesse turístico, um dos grandes destinos turísticos do mundo, o que se traduz por uma atividade considerável de exportação de serviços e um saldo comparável ao da indústria em sentido amplo. Com um comércio exterior cada vez maior, a França também veio recentemente a engajar-se no processo de globalização. O fim de uma doutrina das indústrias públicas, que fabricou algumas pérolas e experimentou alguns fracassos, as privatizações e a liberalização de certos setores, como as telecomunicações e o transporte aéreo, modificaram profundamente a maneira como as empresas francesas se situam no mundo. O volume de investimentos diretos no exterior ilustra esse movimento de globalização. Em 1985, a França encontrava-se numa posição atípica para um país desenvolvido. Seu estoque de entrada era equivalente a seu estoque de saída. Desde então, a situação modificou-se muito, e a França apresenta um perfil de estoque de investimentos diretos mais comparável ao da Alemanha. A diferença continua a ser nítida em relação aos Estados Unidos, economia maior, e ao Reino Unido, marcado pela importância da praça financeira de Londres. Esse fenômeno de abertura acelerou-se recentemente. As operações de fusão e aquisição e em especial as compras realizadas por empresas francesas representam atualmente, em parte, mais de duas vezes o que eram em 1995. Essa aceleração diz respeito ao conjunto dos países europeus que se tornaram compradores líquidos em 1999, ao passo que os Estados Unidos tornavam-se vendedores líquidos. Rumo à nova economia? O boom de crescimento recente nos Estados Unidos é freqüentemente associado às inovações da tecnologia da comunicação e da informação. Nesse terreno, a França está atrasada, como evidenciam os indicadores de difusão de computadores pessoais. Parece tentador prever que os progressos realizados pela Europa e a França nesses setores constituirão o alicerce de uma fase de prosperidade forte na Europa, comparável à que foi experimentada pelos Estados Unidos. A França investe menos que os Estados Unidos em pesquisa e desenvolvimento. Nem sempre existe uma vinculação direta entre pesquisq e desenvolvimento e prosperidade futura, mas a estagnação em pontos de PIB das despedas de pesquisa e desenvolvimento na Europa é preocupante em relação à aceleração que se verifica nos Estados Unidos. Essa estagnação é resultado de um aumento da despesa privada menos dinâmico na França que nos Estados Unidos e de uma diminuição moderada da parte financiada pelo setor público, que parece comum a todos os países. A França talvez tenha ao mesmo tempo levado mais longe a lógica de controle das despesas públicas em matéria de pesquisa, e as empresas não acompanharam esse desenvolvimento tanto quanto do outro lado do Atlântico. Costuma-se associar à "nova economia" um especial dinamismo empresarial. Na França, a criação do novo mercado em 1997 constitui uma das respostas à necessidade de financiamento de atividades inovadoras de alto risco. Os fluxos associados a esse mercado, embora experimentem uma forte aceleração, continuam muito fracos. O fluxo anual de fusões e aquisições na França é da ordem de 70 bilhões de euros, mais de cem vezes os fundos obtidos no novo mercado e praticamente duzentas vezes mais que os montantes investidos em capital de risco...
A França e a Europa são hoje, com toda certeza, membros ativos do clube dos países ricos. Esses países adotam um modelo de desenvolvimento específico, tentando uma síntese entre socialização da economia e funcionamento de mercado, integrada na economia mundial e adaptada às regras atuais do capitalismo mundial. Essa síntese foi desequilibrada por duas décadas difíceis, nas quais o aumento do desemprego minou a sociedade profundamente e os déficits públicos comprometeram a despesa pública, fosse qual fosse seu objetivo. Preservar uma proteção social, garantir a igualdade de oportunidades e assegurar um tratamento digno à pobreza são valores compartilhados por um grande número de países da Europa continental. As populações européias envelhecerão. As regras atuais de cessação de atividade levam ao aumento das despesas com as aposentadorias nas próximas décadas. A proporção de dependência ligando os inativos aos ativos deve aumentar de pouco mais de 50% para 65% em 2020 e mais de 80% em 2040. Existem diversas soluções para absorver esse choque, mas algumas delas significariam o sepultamento de uma certa forma de solidariedade. A liberalização da economia foi em grande parte efetivada nos últimos anos. Ainda falta privatizar algumas empresas, liquidar participações importantes do Estado, mas as grandes reformas foram concluídas na indústria francesa. O setor bancário foi reestruturado, o das telecomunicações foi aberto à concorrência (1998) e a concorrência aumentou no comércio. Os setores de energia (parcialmente aberto à concorrência em 2000) e transporte ainda precisam ser reformulados, mas são provavelmente os últimos bastiões da política industrial à francesa. A função pública deverá seguir essas tendências. Fazem-se necessárias reformas para que o sistema social francês possa continuar a sobreviver e a fortalecer a coesão social. O que é preciso é ganhar em produtividade, por exemplo na coleta do imposto, para obter recursos para a saúde, a educação e a pesquisa. A construção européia inscreve a França num conjunto cujo peso no contexto mundial é importante. Para além das problemáticas de política econômica conjuntural, esse conjunto pode pesar no desenvolvimento econômico do planeta e servir de contrapeso ao poderio norte-americano.
Ver também as outras páginas dedicadas à
economia site do Ministério da Economia, das Finanças e da Indústria www.insee.fr www.ofce.sciences-po.fr
|
Ver também: *Xavier
Timbeau é diretor do departamento de Análise e Previsão, divisão
França, do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE).
|
|
|
|
||