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O comércio exterior francês
Ao longo da última
década, o comércio exterior francês procedeu a uma notável adaptação
cujo terreno privilegiado foi o mercado europeu. Fortemente deficitárias
no fim dos anos 1980, as trocas comerciais tornaram-se superavitárias
desde 1993. A economia francesa abriu-se numa proporção pelo menos
idêntica à de seus parceiros, ao mesmo tempo em que preservava suas
partes do mercado. Uma posição, em termos de participação no mercado,
que situa a França como quarto exportador mundial de bens e terceiro
exportador mundial de serviços. Neste contexto, o saldo comercial
francês manteve-se em 1999 em nível elevado (113 bilhões de F -
17,2 bilhões de euros – ou 1,3 % do PIB, contra 143,6
bilhões de F em 1998), com isto registrando superávit pelo sétimo ano
consecutivo. Este resultado assinala o caráter já agora estrutural do
saldo comercial, já que este foi alcançado não obstante certas
circunstâncias adversas: defasagem conjuntural em relação aos
principais parceiros europeus; aumento da fatura energética; menor
excedente militar.
Uma inserção internacional bem sucedida Capadidade de enfrentar a concorrência A abertura sempre provoca temores: medo da concorrência estrangeira para nossas empresas e das imposições que esta acarreta em nossa política econômica. Tais temores revelaram-se amplamente injustificados. Se entre 1970 e 1999 o percentual dos bens importados no consumo francês (índice de penetração) dobrou, chegando a aproximadamente 40 %, a parte exportada da produção manufatureira francesa (esforço de exportação) passou no mesmo período de 20% a 42 %. Uma tendência semelhante pôde por sinal ser observada em nossos parceiros europeus. Paralelamente, as contas externas francesas tornaram-se amplamente superavitárias (ver gráfico 1) e a balança comercial alcançou a cifra recorde de 160 bilhões de F (cerca de 2 % do PIB) em 1997. Em 1999, apesar de circunstâncias adversas (fraco crescimento alemão, alta do preço do petróleo), o superávit comercial chegou a 113 bilhões de F (17,2 bilhões de euros).
Se incluirmos ainda o
excedente do setor de serviços, a balança corrente registrou um
superávit de mais de dois pontos de PIB nos três últimos anos. As
"contingências externas" sofridas pela França na década de 80
desapareceram, transformando-se numa capacidade de financiamento
apreciável que permitiu a nosso país investir ativamente no exterior.
Enquanto os investimentos estrangeiros na França continuam a aumentar
(230 bilhões de F em 1999 - 35 bilhões de euros – um aumento
de 39 % em relação a 1998), os investimentos diretos franceses no
exterior também alcançaram no ano passado um total recorde: 543 bilhões
de F (83 bilhões de euros, ou mais de 6 % do PIB). Isto corresponde a uma
progressão de 127 % em relação a 1998. A Europa, fator e terreno privilegiado de nossa internacionalização As trocas são antes de mais nada uma questão de proximidade. Não surpreende, assim, que o comércio exterior francês e os fluxos de investimentos diretos das empresas francesas sejam prioritariamente atraídos pelo mercado europeu. Mas a amplitude deste movimento também traduz a influência determinante da construção comunitária, que faz hoje da União Européia a base da inserção internacional da França. Este movimento em direção à Europa diz respeito tanto aos fluxos de investimentos quanto às trocas comerciais: - com o desenvolvimento do Mercado Único, a primeira grande onda de investimentos franceses no exterior observada na segunda metade da década de 80 dirigiu-se principalmente para os países participantes da construção européia. A Europa tornou-se então zona de destinação da metade de nosso estoque de investimentos no exterior, embora represente apenas 30 % do PIB e 40 % das trocas mundiais. Paralelamente, a União Européia é responsável por dois terços do total de investimentos estrangeiros na França;
- nossas trocas comerciais também se concentram na União Européia: 64 % das exportações francesas destinam-se a ela (gráfico 2) e 61 % de nosssas importações provêem dessa zona. Desde o advento do euro, o mercado europeu tende a tornar-se pouco a pouco um vasto mercado doméstico cuja estabilidade permite prevenir eficazmente nossa economia contra certos choques externos (crise asiática, por exemplo). A Europa também contribuiu para fazer com que a qualidade de nossas exportações avançasse para produtos mais sofisticados e para reforçar certos trunfos de nossa indústria em setores como aeronáutica, automóveis, bebidas, indústria farmacêutica, etc.
Mercados emergentes e novas tecnologias : as novas "fronteiras" da competitividade francesa Se nossa especialização geográfica e setorial foi benéfica no passado recente, certamente precisa mais uma vez adaptar-se. Para as empresas francesas, o desafio é duplo: posicionar-se em setores de futuro mas também aumentar sua presença em mercados estrangeiros que, por sua própria especialização, apresentam um grande potencial de crescimento. Nessas duas frentes, com efeito, ainda podemos constatar certas vulnerabilidades: - à exceção dos setores da aeronáutica e da indústria farmacêutica, a especialização da França não é muito pronunciada nas novas tecnologias que deverão ter crescimento rápido, seja na indústria ou nos serviços. Assim, a título de exemplo significativo, a Grã-Bretanha superou a França em 1997 como segundo exportador mundial de serviços; - a participação da França nos mercados da Ásia e da América Latina mantém-se na faixa entre 2 e 4 % (contra, em média, 10 % aproximadamente em seus mercados tradicionais: Europa e África), não obstante esforços empreendidos recentemente, especialmente em matéria de investimentos diretos. Se as economias desses países continuaram a desenvolver-se mais rapidamente que as outras economias, a atual posição da França pode levar a um declínio inevitável de sua participação no mercado global (oscilando atualmente em torno de 5 %). Já se pôde constatar, por sinal, que a recuperação econômica registrada após a crise asiática beneficiou, desde 1999, mais as empresas de certos países europeus vizinhos do que as empresas francesas.
Uma retomada do crescimento englobando quase todos os setores. Se as trocas da França evidenciam uma tendência regular à progressão, elas são inegavelmente marcadas pelas oscilações ligadas à conjuntura internacional. Podemos citar, a título de exemplo, as flutuações da atividade econômica de nossos parceiros, a evolução da paridade entre o euro e o dólar e os preços do barril de petróleo. • Cifras globais. Após um recuo acentuado no início de 1999, ligado à diminuição da atividade na Europa e nos mercados emergentes, as trocas francesas experimentaram uma recuperação já no segundo trimestre. Em seguida, aumentaram nitidamente (+7,8 % de exportações no segundo semestre de 1999 em relação ao primeiro semestre de 1999 e +8,4 % de importações) em conseqüência da aceleração do crescimento e das trocas mundiais. O movimento decorreu do novo aumento das exportações, que foi neste período de 5,9 %. Esta continuidade do dinamismo das exportações decorre de dois fatores: - a força da demanda
mundial dirigida à França; Este movimento de retomada foi ainda mais dinâmico nas importações, que registraram um aumento de 8,6 % no primeiro semestre de 2000, num ritmo portanto equivalente ao registrado no segundo semestre de 1999. Ele traduz, por sua vez, o vigor da demanda interna. Além disso, o aumento do preço do petróleo encareceu nossas importações. • A evolução por setores. As trocas do conjunto dos setores da indústria civil experimenta uma progressão vigorosa, estando bem orientados, na França, como em nossos principais parceiros europeus, o consumo dos lares e a demanda das empresas. No último período, as exportações de bens de equipamento são as mais dinâmicas. As exportações de automóveis continuam bem orientadas, o que reflete ao mesmo tempo o bom comportamento do mercado europeu e o bom desempenho dos fabricantes franceses. Ao contrário do que acontece com as trocas industriais, as trocas agro-alimentares mostram-se mais estagnadas: depois de grandes vendas ligadas às comemorações do novo milênio, as exportações agro-alimentares acusaram uma queda sensível no início do ano. Cabe notar, entretanto, que as indústrias agro-alimentares esboçaram uma retomada em maio de 2000. O peso da fatura energética Como não dispõe de fontes significativas de hidrocarburos, a França é importadora de energia. Por isto é que o aumento da fatura energética pesou no saldo comercial em 2000, bem mais do que em 1999. Ao longo dos dois últimos anos, as decisões de redução da produção de petróleo e a recuperação do consumo nos países asiáticos acarretaram uma forte alta dos preços do petróleo. Esta nova alta foi menos prejudicial à economia francesa do que os primeiros choques petrolíferos, na medida em que a França reduziu desde então sua dependência energética, promovendo uma política de controle do consumo e desenvolvimento da alternativa nuclear. Como tradução desta dupla política, o percentual de nossas importações energéticas no total de importações foi significativamente reduzido, passando de 28 % em 1980 a 7 % em 1999 (10 % em 1990). O aumento dos preços do petróleo conjugou-se, entretanto, com a valorização do dólar, causando o déficit energético de 15,4 bilhões de F em 1999 e de 40 bilhões de F no 1º semestre de 2000 (em relação aos seis primeiros meses de 1999). Este aumento da fatura energética só muito parcialmente é compensado pelo aumento de nossas exportações para os países produtores de petróleo do Oriente Médio e Próximo, ligada basicamente às vendas de Airbus. No período recente, é este aumento da fatura energética que explica a redução de nosso excedente comercial. A confirmação da competitividade francesa A evolução do saldo não deve monopolizar a atenção. O que parece encorajador é o novo dinamismo das trocas, escorado tanto no vigor do comércio mundial quanto na evolução favorável da competitividade francesa em 1999. Após uma degradação em 1998, a competitividade dos produtos franceses em matéria de preço melhorou pronunciadamente em 1999. Uma melhora decorrente essencialmente da desvalorização da taxa de câmbio efetivo real do euro. Por outro lado, o bom comportamento dos custos salariais unitários permitiu aos produtores franceses aumentar a lucratividade de suas exportações. Nesse contexto, nossa participação no mercado, em volume, é estável em relação a nossos principais concorrentes, mantendo-se no nível médio constatado na década de 1990. A diminuição da participação no mercado observada em valores (de 5,6 % em 1998 para 5,3 % em 1999) é na realidade escamoteada pelos movimentos do dólar e do preço do petróleo. A única perda significativa é o recuo de nossa participação no mercado da Ásia, que se explica pelo efeito retardado da crise asiática nas entregas de grandes contratos e pela recuperação da competitividade das economias emergentes da região (gráficos 3 e 4).
Mas o total dos grandes contratos está em recuperação na Ásia. Globalmente, ainda é em 1999 um dos três melhores da década, graças em especial ao desempenho do setor aeronáutico.
Um dispositivo importante de apoio ao comércio exterior Apoiadas pelo poder público, as empresas francesas também se empenham em ampliar sua presença nos mercados mais dinâmicos. São três os principais instrumentos utilizados para facilitar a expansão das trocas comerciais e dos investimentos no exterior: Negociações comerciais multilaterais Visando sobretudo definir as regras necessárias ao desenvolvimento harmonioso das trocas, elas são conduzidas pela União Européia no contexto da Organização Mundial do Comércio (OMC) e em fóruns regionais. Apoio financeiro Destina-se particularmente a apoiar as pequenas e médias empresas em suas iniciativas internacionais. Informação das empresas Informações sobre os mercados externos são postas à disposição das empresas através do Centro Francês do Comércio Exterior (CFCE) e da rede de Postos de Expansão Econômica (PEE - 166 atualmente em todo o mundo). Engrenagens essenciais do dispositivo francês de apoio ao comércio exterior, os PEE informam e aconselham as empresas em duas fases-chave do processo de exportação: prospecção e implantação. Para atender às necessidades cada vez mais específicas dos exportadores (com ou sem experiência), a ação desses postos foi reorientada. Empenhados em fornecer informação mais qualitativa que quantitativa, eles tratam agora de favorecer o deslanchar de investimentos ou parcerias. Por outro lado, esses postos desempenham um papel importante em matéria de promoção da imagem e dos produtos da França junto a numerosos interlocutores dos países-alvo, sejam representantes do mundo econômico, financeiro ou industrial. Cabe lembrar que um organismo específico - o CFME/ACTIM - incumbe-se da promoção internacional das tecnologias e empresas francesas. Para isto, organiza por exemplo seminários, empenha-se pela participação oficial francesa em salões profissionais, convida dirigentes estrangeiros a virem à França e promove a difusão na imprensa estrangeira de informação sobre a técnica e os produtos franceses.
Dados essenciais e referências (Dados de 1999 - conjunto FAB/FAB, incluído material militar) Total das exportações : 1
853 bilhões de F Fonte : Alfândega Francesa Os seguintes sites da internet podem enriquecer sua informação: www.commerce-exterieur.gouv.fr : É o site oficial da Secretaria de Estado do Comércio Exterior. Nele encontram-se uma apresentação geral da política francesa de apoio ao desenvolvimento internacional das empresas (com links para cada um dos postos de expansão), quadros sinópticos do comércio exterior francês e numerosos textos de referência. Este site contém também uma seção "Empregos na exportação " e uma relação de dados e coordenadas sobre numerosos interlocutores. www.cfce.fr : Incumbido de coordenar a informação das empresas para o comércio exterior, o Centro Francês do Comércio Exterior (CFCE) oferece-lhes especialmente, neste site, bases de dados (informações para uma primeira abordagem do mercado, por exemplo) e uma livraria em linha: publicações dos PEE e do CFCE, mas também da ONU e de organismos como a OMC ou a FAO - no total, um catálogo de mais de 4 000 títulos exclusivamente sobre o comércio internacional e sua conjuntura. www.cfme-actim.com : Para conhecer o calendário dos eventos promovidos por esta agência (salões, grandes exposições ou seminários). Há também uma seção "perguntas e repostas" que indica onde encontrar ajuda para a exportação e como expor num salão internacional. www.coface.fr : A Companhia Francesa de Seguros do Comércio Exterior dá sua contribuição às empresas assegurando os riscos (seguro-crédito de mercado/gestão das garantias públicas francesas de apoio à exportação). O site apresenta sua própria atualidade, suas redes, seus parceiros e produtos. Sem esquecer um glossário, com tudo sobre "compradores públicos", "mandatos contenciosos" e "riscos ambientais".
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