|
xPágina inicial > Images de la FranceImages de la France Relação dos textos |
|
A vida associativa na França por Jean-Michel Bloch-Lainé* novembro de 2001 Os franceses têm fama de individualistas. Justificado ou não, o fato é que es se lugar comum não corresponde muito ao que se pode observar em matéria de vida associativa na França, que tem um peso e um vigor impressionantes. Segundo pesquisa realizada em 1999 pelo CREDOC, 39,6% dos franceses (20 milhões) pertenciam então a uma ou várias associações.
As estatísticas sobre esse setor são apenas relativamente precisas (a maioria das associações declaram sua criação na prefeitura mas não são obrigadas a declarar seu fechamento). De acordo com os dados mais freqüentemente citados, haveria cerca de 880.000 associações atuantes na França. O índice de natalidade associativa teria mais que dobrado no último quarto de século: mais de 60.000 associações são registradas anualmente, contra 5.000 em 1908 e 10.000 em 1937. A atividade associativa concentra-se fortemente nos seguintes setores: saúde e ação social, educação, cultura e esporte.
A promulgação dessa lei não foi imediatamente seguida de uma efervescência. O desenvolvimento do fenômeno associativo não tem sido linear, e passou por fases de aceleração, cujos principais estímulos foram: a criação das férias pagas em 1936; as grandes leis sociais do período de 1945 a 1975 em benefício das crianças e dos deficientes; a luta contra os flagelos sociais; o aumento dos cuidados com o consumo e o meio ambiente; a defesa do patrimônio construído; a legislação sobre a formação profissional contínua; a defesa dos direitos humanos e a ajuda aos trabalhadores imigrantes; a busca de novas formas de expressão política e de comunicação ; o aumento do desemprego e da pobreza; a solidariedade para com o terceiro mundo. Muitas associações nasceram e vivem sem se filiarem a alguma tendência filosófica, religiosa ou política. Mas muitas das que exercem os papéis mais determinantes na vida coletiva referem-se mais ou menos declaradamente a correntes conhecidas de pensamento, opinião e cultura. Mas nem por isto sua coexistência é conflituosa. Os diferentes tipos de associações
A proliferação da vida associativa foi acompanhada de reorganizações por demais diversas para serem aqui detalhadamente mencionadas. Cabe então citar apenas, a título de exemplo, algumas estruturas principais: Comitê para as Ações Nacionais e Internacionais das Associações de Juventude e Educação Popular (CNAJEP), Conselho das Associações Imigrantes da França (CAIF), União Nacional Interfederal das Obras e Organismos Privados Sanitários e Sociais (UNIOPSS), que congrega vinte e duas uniões regionais e cento e vinte federações e associações nacionais. Só os filiados da UNIOPSS empregam 530.000 assalariados e um total estimado de 195.000 voluntários (em tempo integral). Vários organismos representativos foram criados nos últimos anos para facilitar as relações entre o poder público e o mundo associativo. A parceria Estado-associações
O peso econômico das associações Recursos financeiros privados e públicos O orçamento total do setor associativo ultrapassa 308 bilhões de francos, o equivalente a 3,7% do PIB. Cerca de 54% desse total vêm de fundos públicos. Os financiamentos públicos são subvenções de apoio à atividade ou ao funcionamento das associações, ou então compras de prestação de serviços em nome da coletividade, particularmente no setor sanitário e social. Mas muitas pequenas associações funcionam graças ao trabalho de voluntários, e seu orçamento é alimentado pelas contribuições de seus membros (associações esportivas, por exemplo) e algumas receitas de atividade. A contribuição de doações e do mecenato é importante no caso das associações humanitárias (23% de seus recursos). O pessoal: assalariados e voluntários O setor associativo é um dos maiores empregadores da França: em 31 de dezembro de 1995, mais de 110.000 associações empregavam 1.650.000 pessoas (o equivalente a 907.000 assalariados de tempo integral), o que representa cerca de 5% do emprego assalariado na França. Além disso, a dedicação dos voluntários condiciona a existência da maioria das associações: são aproximadamente 11 milhões as pessoas que empregam gratuitamente uma parte de seu tempo livre na vida associativa, o que equivale a 716.000 empregos em tempo integral.
Uma
brochura sobre o voluntariado editada pelo Ministério da Juventude e dos
Esportes.
Proliferação, explosão, vitalidade... São algumas das formas de resumir a vida associativa na França. Mas toda conquista exuberante requer uma reflexão lúcida sobre o futuro, num universo que está constantemente evoluindo. Lucidez? Seria impossível ignorar os múltiplos papéis da vida associativa: vigilância, alerta, mobilização da generosidade, cidadania responsável, inovação na abordagem e no encaminhamento local das questões sociais, no fortalecimento e na criação de vínculos sociais. Entretanto, toda medalha tem um reverso. A vida associativa representa um enriquecimento inconteste da sociedade francesa. Riqueza de méritos mas também riqueza de paradoxos. Eis alguns deles: a associação tem toda liberdade para se formar como pessoa jurídica; mas suas capacidades civis são limitadas. A associação é privada, mas opera na esfera administrativa. A associação não tem fins lucrativos (não é autorizada a obter lucros comerciais), mas está na economia e exerce cada vez mais atividades comerciais. A associação tem um compromisso com as liberdades de expressão, proposição, crítica e reivindicação, pois nelas se originou, mas a lei de 1901 não se detém muito nas regras que assegurem seu funcionamento democrático interno. Pela sua própria essência, a associação é independente e preserva zelosamente esse atributo, mas em vista de sua ação e de suas legítimas ambições mantém relações complexas e mesmo ambíguas com as coletividades públicas que financiam em grande parte a concretização de seus projetos e iniciativas.
Fonte
: V. Tchernonog, pesquisa CNRS-Matisse, 2001. O emprego no setor associativo em 1995
Fonte : Archambault – Programa Johns Hopkins – Fase 2. Esses paradoxos suscitam certas questões que são hoje debatidas no próprio movimento associativo e com o poder público.
Sobre uma questão fundamental existe consenso: a solução dos problemas aqui evocados não é da esfera legislativa. Não se trata de modificar a lei de 1901. É mediante procedimentos de ordem contratual que se deverá tentar avançar. Tais procedimentos já estão em andamento na França, a exemplo do que se faz nesse terreno na Grã-Bretanha e sobretudo em Portugal. No centenário da lei de 1901, o Governo e as principais coordenações associativas firmaram em 1º de julho de 2001 uma carta que formula em novos termos os princípios compartilhados e os compromissos recíprocos. Neste sentido, cabe esperar que convenções mais detalhadas sejam firmadas com as diferentes administrações do Estado e as coletividades territoriais. Os movimentos associativos almejam sobretudo ser reconhecidos num papel de "colaboradores privados não lucrativos do interesse geral". Isso implicará esforços da parte das coletividades públicas, mas também das associações, que deverão fornecer provas avaliáveis – e avaliadas de maneira transparente – de sua legitimidade e de sua capacidade.
Bibliografia: Archambault (Édith) e Boumedil (Judith), Les
dons et le bénévolat en France, Laboratoire d’économie sociale,
1997, Fondation de France.
www.vie-associative.gouv.fr |
Ver também: *Jean-Michel
Bloch-Lainé, inspetor geral de Finanças, é presidente da União
Nacional Interfederal das Obras e Organismos Privados Sanitários e
Sociais (UNIOPSS).
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||