|
xPágina inicial > Images de la FranceImages de la France Relação dos textos |
|
A indústria agroalimentar francesa por Jean Ayral* maio de 2001 Com um volume de negócios de 816 bilhões de francos em 1999 (+ 1,7% em relação a 1998), o equivalente a cerca de 19% do volume de negócios industrial excetuada a energia, a indústria alimentar é de longe o primeiro colocado entre os setores industriais em termos de atividade, superando a indústria química, a automobilística, as indústrias mecânicas, eletrônicas e a construção aeronáutica. Com 21,1% do volume de negócios das indústrias agroalimentares (IAA) da União Européia, a indústria francesa situa-se em primeiro lugar no continente europeu, à frente da Alemanha (18,6%) e superando em muito o Reino Unido e a Itália.
Terceiro maior empregador da indústria A indústria agroalimentar é o terceiro maior empregador da indústria, com 405.000 assalariados, representando um aumento de 0,5% em relação ao ano anterior. Com cerca de 4.250 empresas, entre as quais muitas pequenas e médias (PME) - 93% têm menos de 200 assalariados –, a indústria agroalimentar está distribuída por todo o território: essas PME representam 43% do volume de negócios total da indústria alimentar, efetuando 37% das exportações do setor; as 85 maiores respondem por 41% das exportações. Outra característica: 28% das instalações industriais encontram-se em zonas rurais, percentual que nos outros setores industriais é de 15%. Maior cliente da agricultura A indústria alimentar mantém uma relação estreita com um grande número de clientes e fornecedores. Ela transforma mais de 70% da produção agrícola francesa, e seu papel em termos de valorização dos produtos está constantemente aumentando. Desde 1993, o valor agregado da indústria alimentar supera o da agricultura: as IAA geram 15% do valor agregado de toda a indústria francesa (com 230 bilhões de francos em 1997), impondo-se desse modo como o principal valor agregado industrial. Maior cliente da agricultura, ela é também o maior comprador de transportes ferroviários, embalagens e espaços publicitários. E ainda o maior fornecedor do comércio de varejo e de restaurantes. Sua contribuição para a balança comercial exterior da França também é essencial. Com 166,9 bilhões de francos de exportação, a indústria alimentar registrou em 1999 um saldo positivo de 50,6 bilhões de francos, que representa cerca de 82% do excedente agroalimentar global, dividindo-se da seguinte maneira: - União Européia: 28,3 bilhões de francos (56,0%) ; - países terceiros: 22,3 bilhões de francos (44%). Uma atividade atraída pela exportação Embora cerca de 80% de seu volume de negócios sejam apurados no mercado interno, o avanço da indústria alimentar nos últimos anos tem sido impulsionado pela exportação, que em 1999 representou 20,4% do volume de negócios. Desde 1988 a França é o maior exportador mundial de produtos alimentares transformados. O consumo alimentar A parte da alimentação no consumo total dos lares vem diminuindo regularmente há 15 anos. Segundo as estatísticas nacionais, passou de 20,4% em 1980, em valor, a 16,6% em 1997. Em contrapartida, a estrutura do consumo alimentar mudou pouco, embora a presença das carnes tenha diminuído três pontos, especialmente em benefício dos laticínios e peixes. Desde 1980, o volume do consumo total dos lares, considerando-se todos os produtos, aumentou em média 2,3% por ano, ao passo que o consumo alimentar aumentou apenas 1,3%. O consumo de bebidas não alcoólicas aumentou fortemente. Diminuiu o de batatas e açúcar, mantendo-se no mesmo nível o de café e chá. Em 1998, o consumo alimentar dos lares aumentou 1,5%.
A qualidade, um imperativo da cadeia agroalimentar Uma exigência dos consumidores A qualidade dos produtos alimentares é um conceito complexo e evolutivo, abarcando várias vertentes, como a "segurança sanitária ", o gosto, a gastronomia, mas também a lealdade da oferta nos mercados, assim como a confiança estabelecida entre fornecedores e clientes. Esses diferentes aspectos modificam-se em função da dinâmica econômica e social. Num contexto econômico de saturação dos mercados nos países desenvolvidos, a qualidade torna-se um fator essencial da estratégia das empresas e um elemento determinante da escolha dos consumidores. Assim é que a França agiu pioneiramente no desenvolvimento dos indicadores que caracterizam produtos de qualidade. Desse modo, por exemplo, o autêntico produto local, aquele que merece a denominação de origem controlada (AOC), procedimento francês dos mais antigos, está impregnado de cultura, de história, de estilo de produzir, de respeito às tradições, todos elementos típicos da produção local. Ele é a expressão de sua diversidade, fazendo parte do patrimônio cultural nacional. Existem marcadas diferenças nos hábitos e comportamentos dos consumidores, como na arte de cozinhar. Esta diversidade cultural faz parte do patrimônio dos povos, e convém preservar as técnicas e expressões específicas da produção local, capazes de embasar atividades econômicas originais e mesmo insubstituíveis. Foi por isto que a Europa criou em 1992 um mecanismo de proteção desses produtos específicos. Na França, há muitos anos a política de qualidade permitiu lançar as bases de uma autêntica ética da produção no setor agroalimentar, pondo a sua disposição instrumentos jurídicos que permitem identificar a origem dos produtos, valorizar as formas específicas de produção e proteger as denominações. Além disso, foram promulgadas leis específicas em matéria de ambiente e saúde pública, para integrar ao conceito de qualidade toda iniciativa favorável a uma gestão duradoura dos recursos. Um mecanismo jurídico específico O mecanismo jurídico francês iniciado em 1919 com as denominações de origem controlada (AOC) e reforçado na década de 1960 com os selos agrícolas também inclui desde os anos 80 o certificado de conformidade e a agricultura biológica (AB). Essas ferramentas, reconhecidas oficialmente, pressupõem o respeito de determinadas exigências de produção e a verificação de seu cumprimento por organismos de certificação autorizados pelo poder público após parecer favorável da Comissão Nacional de Selos e Certificação dos produtos agrícolas e alimentares (CNLC).Os quatro indicadores (AOC, selo, certificado de conformidade, agricultura biológica) estão vinculados à regulamentação européia, incorporando a proteção jurídica das denominações de produtos ligados a uma origem geográfica ou derivados de um modo de produção tradicional ou do modo de produção biológico. A denominação de origem protegida (AOP) é a proteção comunitária da AOC; a indicação geográfica protegida (IGP) diz respeito aos produtos igualmente ligados a uma produção local, porém menos fortemente que a AOP; e o atestado de especificidade diz respeito a produtos sem vinculação geográfica, mas cuja elaboração apresenta um caráter tradicional ou específico. Através da lei de 3 de janeiro de 1994 relativa ao reconhecimento de qualidade dos produtos agrícolas e alimentares e seus decretos de regulamentação, o poder público quis assegurar total coerência entre os indicadores franceses de qualidade e as salvaguardas jurídicas estabelecidas pela regulamentação comunitária, para limitar as exigências e procedimentos para os produtores e impedir a proliferação das identificações de qualidade para o consumidor. Desse modo, todo pedido de inclusão numa AOP deve ser acompanhado de um pedido de AOC a nível nacional. Qualquer pedido de inclusão numa IGP ou de atestado de especificidade só pode ser feito no contexto de um selo ou de um certificado de conformidade. O Instituto Nacional das Denominações de Origem (INAO) e a Comissão dos Selos são os organismos competentes quanto aos procedimentos europeus, emitindo pareceres sobre a transmissão à Comissão Européia, por parte do Governo francês, dos pedidos de AOP, IGP ou de atestado de especificidade. Para concluir, constatamos um avanço nos últimos anos em direção a um melhor conhecimento dos conceitos de indicação geográfica e denominação de origem. Muitos países adotaram a idéia de que os produtos com indicação de procedência geográfica são sinônimos de uma qualidade original associada ao local onde são produzidos, e que constituem um bem público, um patrimônio a ser preservado e protegido. Isto tem a ver também com o respeito e a proteção recíproca das diferentes indicações geográficas. O conceito de indicação geográfica, no sentido adotado pela Organização Mundial do Comércio (OMC), abarca as noções de denominação de origem e indicação geográfica stricto sensu, de acordo com a força do vínculo que associa o produto a seu local de origem. Esta indicação geográfica é um direito de propriedade intelectual, assim como, por exemplo, a patente ou a marca.
A qualidade dos produtos alimentares é controlada em todos os níveis da cadeia alimentar. Fiscalização regulamentar Na França, a produção e a distribuição dos gêneros são regulamentadas por textos que definem as condições mínimas de concepção, organização e equipamento das instalações, assim como as regras de higiene do pessoal e do material. A observância das condições é atestada pelo fornecimento de um certificado sanitário oficial. Fiscais do Estado verificam regularmente a observância dessas regras pelos profissionais. Assim, o controle higiênico e sanitário é efetuado, da produção à venda do produto ao consumidor. 5.200 fiscais são incumbidos pelo poder público de controlar a qualidade e a segurança. Em nome da harmonização dos sistemas de inspeção e certificação para estimular a globalização das trocas alimentares, a regulamentação européia foi adaptada, propondo aos profissionais do setor agroalimentar ferramentas que lhes permitam assumir sua responsabilidade em matéria de higiene e qualidade dos produtos que fabricam ou manipulam. Trata-se, por um lado, da aplicação dos princípios do sistema de análise e controle de riscos e pontos críticos (HACCP) e, por outro, do recurso por parte dos fabricantes ao seguro-qualidade, particularmente sob a forma de certificado de empresa. Desse modo, a busca da qualidade sob seus diferentes aspectos e em função do conjunto das disposições acima mencionadas pode ser considerada, tanto no que diz respeito à valorização dos produtos quanto para o atendimento das exigências do consumidor francês e estrangeiro, uma prioridade fundamental à qual o poder público atribui a maior importância. Uma agência nacional de avaliação Criada pela lei de 1º de julho de 1998 relativa ao reforço da vigilância sanitária e ao controle da segurança sanitária dos produtos destinados a consumo humano, a Agência Francesa de Segurança Sanitária dos Alimentos (AFSSA) entrou em operação a partir dos decretos de 26 de março de 1999 e 1º de abril de 1999, especificando suas formas de organização, funcionamento e direção. A AFSSA avalia "os riscos sanitários e nutricionais que podem ser apresentados pelos alimentos destinados ao homem ou aos animais", inclusive os que "podem provir das águas destinadas ao consumo humano, dos processos e condições de produção, transformação, conservação, transporte, estocagem e distribuição dos gêneros alimentícios ", assim como "das doenças ou infecções animais, dos produtos fito-sanitários, dos medicamentos veterinários, especialmente os preparados extemporâneos e os alimentos medicamentosos, dos produtos antiparasitários para uso agrícola e assimilados, das matérias fertilizantes e auxiliares da cultura ", ou ainda "dos condicionamentos e materiais destinados ao contato com os produtos acima mencionados ". Para cumprir essa missão, esse estabelecimento público nacional submetido à autoridade dos ministros da Saúde, da Agricultura e do Consumo pode interferir em todas as questões e propor às autoridades competentes qualquer medida destinada a preservar a saúde pública. Ele fornece em especial ao Governo as análises e o apoio científico de que precisa, fornecendo os elementos necessários nos dossiês que lhe são confiados. Consultado sobre os programas de controle e vigilância sanitária, ele pode fazer recomendações e enunciar prioridades. Ficam a sua disposição os laboratórios dos serviços estatais incumbidos do controle da segurança sanitária dos alimentos, assim como os que estão a ele vinculados.
Investimentos da indústria agroalimentar Face à internacionalização dos mercados e à concorrência, o investimento é a chave do desenvolvimento. As prioridades são modernizar as instalações, melhorar a qualidade dos produtos e promover os produtos e marcas. O investimento material (modernização, aquisição de novos equipamentos) chegaram a 24,3 bilhões de francos em 1999. Os investimentos financeiros são da ordem de 10 bilhões de francos por ano, levando-se em conta as reestruturações e instalações no exterior. Promoção, pesquisa e desenvolvimento Mas uma das características principais do setor alimentar é o índice elevado de investimentos imateriais (promoção, publicidade, pesquisa e desenvolvimento, formação), que representam globalmente cerca de 14 bilhões de francos : só os investimentos publicitários foram avaliados em 1999 em 10,6 bilhões de francos. O gasto de pesquisa das empresas, estimado em aproximadamente 2,4 bilhões de francos em 1998, embora venha aumentando, ainda é insuficiente: é ele efetivamente a principal condição da verdadeira inovação, que fortalece as marcas dos fabricantes em relação às marcas de distribuição e proporciona margens de lucro às empresas. Os orçamentos públicos mantêm-se em torno de um bilhão de francos há vários anos. A inovação continua sendo um elemento importante da competitividade no setor alimentar. Pode-se por sinal observar, a este respeito, um forte dinamismo das PME, que são a origem de metade das inovações apresentadas no mercado. A indústria alimentar também firma presença no exterior através de investimentos que vêm crescendo constantemente há 10 anos. De 1986 a 1989, os investimentos franceses no exterior passaram de algumas centenas de milhões de francos a cerca de 25 bilhões de francos, em parceria com agentes locais. Desde então, o fluxo de investimentos experimentou ligeiro recuo, mas os valores continuam sendo consideráveis: entre 2 e 3 bilhões de francos por ano. O investimento técnico das IAA O percentual dos investimentos em material nos investimentos totais das indústrias alimentares nesse período eleva-se a algo entre 56% e 59%. São portanto investimentos amplamente majoritários no caso das IAA, em comparação com os setores de construção, material de transporte, etc. Há muito tempo o mercado mantém-se relativamente estável no conjunto das IAA. E efetivamente o total das instalações técnicas e outras imobilizações - única categoria sobre a qual dispomos de dados desde 1989 - tem variado de 14 a 16 bilhões de francos por ano nesse período. O material de process e o material geral representam aproximadamente 7 bilhões de francos; o material de embalagem, cerca de 3,5 bilhões de francos; o saldo é basicamente constituído de material de manutenção. Três setores concentram mais de 50% dos investimentos técnicos: as indústrias de laticínios, bebidas e carnes. Uma tecnologia reconhecida Os equipamentos franceses são particularmente reputados em determinadas áreas tecnológicas: separação por membrana, mistura de produtos líquidos e pastosos, evaporação, e no setor da embalagem, do engarrafamento e do encaixotamento. Também conquistaram excelente fama em setores como os laticínios, a padaria e a confeitaria, o vinho, a estocagem de grãos e o condicionamento de frutas e legumes. Entre os pontos fortes mais freqüentemente mencionados, podemos incluir:
Os equipamentos franceses desfrutam da boa imagem dos produtos alimentares franceses no exterior. Isto contribui significativamente para seu desempenho em matéria de exportação; além disso, a internacionalização das empresas é acompanhada de uma grande aceitação dos materiais de diferentes países. Em termos de tipos de material, as oportunidades que surgem atualmente dizem respeito essencialmente a máquinas que permitem ou facilitam a separação de produtos e componentes, máquinas menores a serem implantadas nas zonas de produção para aproveitamento das denominações de origem controlada (quando as normas estabelecem que todas as operações sejam realizadas na mesma região) e, no que diz respeito à embalagem, máquinas capazes de produzir ou preencher embalagens mais simples e menos poluentes. 6ª posição mundial em equipamentos Os equipamentos franceses são freqüentemente os verdadeiros motores da inovação tecnológica na indústria alimentar, e neste sentido constituem um fator importante do desenvolvimento da posição da indústria agroalimentar francesa no plano internacional. O know how de nossas empresas e a qualidade internacionalmente reconhecida de seus produtos e tecnologias permitem às empresas francesas integrar-se a projetos estrangeiros de desenvolvimento, a exemplo de outros grandes países industrializados, como os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, a Holanda, a Itália e outros. Nas trocas internacionais de equipamentos agroindustriais, a França ocupa o sexto lugar mundial. Um serviço adaptado às novas necessidades As indústrias nacionais e estrangeiras também demandam um atendimento total: o fornecedor de equipamentos deve assegurar-se de que seu material respeite as exigências dos clientes constantemente e a longo prazo. Isto é acompanhado de uma demanda crescente de valor agregado. Finalmente, se a uniformização mundial das fábricas e procedimentos não é atualmente questionada no caso de produtos de base como o leite esterilizado, o açúcar, o óleo, etc, o mesmo não acontece com produtos representando menor volume. Alguns grandes industriais do setor agroalimentar desejam hoje em dia adaptar esses produtos às populações, e portanto às culturas aos quais se destinam. Isto pode traduzir-se em modificações na cadeia de fabricação, e mesmo em simples modificações de embalagem. Mas também pode determinar modificações no centro do process ou em seus satélites, o que está perfeitamente ao alcance dos equipamentos franceses.
|
Ver também: *Jean Ayral, ex-diretor do
Departamento Agroalimentar do Centro Francês de Comércio Exterior
(CFCE), é presidente da Associação para o Desenvolvimento das Trocas
Internacionais de Produtos e Técnicas Agroalimentares (ADEPTA).
|
|
|
|
||