VOTOS AOS FRANCESES
DISCURSO DO PRESIDENTE
DA REPÚBLICA FRANCESA, NICOLAS
SARKOZY
Paris, 31 de dezembro de 2007
Francesas,
Franceses,
Meus Caros Compatriotas,
Neste
31 de dezembro, ao término
de um ano tão pleno para nosso
país, é com reconhecimento
pela confiança que demonstraram
ter em mim e consciente dos deveres
que ela me impõe, que dirijo-me
a vocês.
Nesta
noite, tenho um pensamento para cada
um de vocês.
Penso
em vocês que estão se
preparando para comemorar o novo ano
com suas famílias, com seus
amigos, esquecendo-se de todas as
preocupações cotidianas.
Penso
em vocês que são obrigados
a trabalhar esta noite a serviço
dos outros e em vocês, soldados
franceses em operações,
longe de seus lares e que arriscam
a vida para defender nossos valores.
Penso
também em vocês que estão
sós e para quem esta noite
sem alguém com quem falar será
uma noite de solidão semelhante
a todas as outras.
Penso
em vocês que a vida levou a
provações, e que a tristeza
e a dor mantêm afastados da
festa.
A
cada um de vocês, quero dirigir
uma mensagem de esperança,
uma mensagem de fé na vida
e no futuro. Eu gostaria de convencer
até mesmo aquele que duvida
de que não existe fatalidade
na infelicidade.
Em
meio às alegrias e sofrimentos
que a existência reserva a cada
um de nós, podemos, através
dos esforços de todos, construir
uma sociedade onde a vida seja mais
fácil, onde o futuro possa
ser olhado com mais confiança.
Esta
foi a tarefa que vocês me confiaram
ao me eleger Presidente da República,
no mês de maio passado. Tarefa
imensa, tendo em vista o atraso da
França no mercado mundial.
Sei
como é grande a sua expectativa
de uma mudança profunda após
anos de esforços e sacrifícios
que a maior parte de vocês tem
a sensação de ter feito
em vão.
Conheço
os temores que muitos de vocês
sentem com relação ao
futuro de seus filhos. Conheço
a angústia que os toma quando
receiam perder o emprego, ou quando
temem que o aumento do custo de vida
não lhes permita mais, mesmo
trabalhando arduamente, proporcionar
uma vida decente para a família.
Sei de sua exasperação,
quando deseja empreende, ou quando
quer trabalhar mais e que tem a sensação
de que tudo é feito para impedi-lo.
Porém,
não se pode resolver tudo em
um dia! Mas, creiam, minha determinação
é total. Apesar dos obstáculos,
apesar das dificuldades, o que eu
disse, eu farei. E o farei simplesmente
porque este é o interesse da
França.
Desde
que vocês me escolheram para
presidir os destinos de nosso país,
eu quis colocar tudo em prática
de forma a cumprir a promessa que
lhes fiz de devolver-lhes o orgulho
de serem franceses, de lhes transmitir
o sentimento de que em nosso velho
país tudo poderia se tornar
possível. Empreendi em 8 meses,
juntamente com François Fillon
[Primeiro-Ministro] e todo o governo,
muitas e profundas mudanças.
Àqueles
que acham que isso não se deu
suficientemente rápido, quero
dizer que fiz tudo o que achava possível
fazer levando em conta a exigência
do diálogo social e da negociação.
Não acredito na brutalidade
como método de governo. Acho
que meu papel é convencer e
unir e não confrontar e dividir.
Foi nisso que me esforcei, em respeito
a todos.
Àqueles
que pensam que a mudança foi
rápida demais, quero dizer
que não se deve perder de vista
que nosso país esperou demais
e que o tempo urge se quisermos permanecer
donos de nosso destino. Eu quis colocar
todos diante de suas responsabilidades
e assumi as minhas. Posso ter cometido
erros mas, em oito meses, agi com
a preocupação de defender
os interesses da França e não
se passou um dia sem que eu não
tenha lembrado a mim mesmo o compromisso
que assumi para com vocês: “Não
vou enganá-los, não
vou traí-los”. Eu lhes
digo a verdade e sempre o direi. Não
me permitirei a menor hipocrisia.
Coloquei
todo o meu coração e
toda a minha energia em ser o Presidente
de todos os franceses e não
apenas daqueles que sempre compartilharam
as minhas convicções.
Foi por esta razão que desejei
a abertura, por esta razão
eu o fiz com homens e mulheres de
valor. Não lhes pedi que renegassem
suas convicções. Simplesmente
propus-lhes que servissem aos seu
país. Eles aceitaram. Sou agradecido
a eles por isso.
É
com o mesmo espírito de abertura,
com a mesma vontade de cumprir com
meus compromissos que abordo este
novo ano no qual, apesar de uma conjuntura
internacional refreada pela crise
financeira, os primeiros resultados
da ação empreendida
deverão fazer-se sentir.
Ainda
resta muito a fazer, estou bem consciente
disto, para que as medidas colocadas
em prática traduzam-se por
melhoras visíveis em suas vidas
cotidianas, para responder a todas
as expectativas que expressaram, ou
para que a França recobre seu
lugar e seu papel no mundo.
Neste
fim de ano de 2007, uma primeira etapa
encerra-se no caminho da mudança.
Foi a da emergência: emergência
de superar as velhas clivagem partidárias.
Emergência do choque fiscal
e social para se restabelecer a confiança
e sustentar a atividade e que permitiu
a nossa economia resistir melhor do
que outras ao desaquecimento da conjuntura
atual. Emergência do poder aquisitivo.
Emergência da autonomia das
universidades. Emergência em
reformar os regimes especiais, liberar
e reabilitar o trabalho. Emergência
do serviço mínimo. Emergência
da modernização do Estado,
que finalmente começa, emergência
das reformas que esperam há
20 ou 30 anos. Emergência de
que a França torne-se exemplar
em matéria de meio ambiente,
de qualidade de vida, de desenvolvimento
sustentável. Emergência
do tratado simplificado para desbloquear
a Europa, Europa essa que nunca deixei
de achar que era indispensável.
Emergência de que a França
volte a falar com todo o mundo, para
que possa desempenhar o papel que
deve ser o seu a serviço da
paz e do equilíbrio do mundo,
a serviço daqueles que sofrem,
das crianças e das mulheres
martirizadas, dos perseguidos, daqueles
que esperam no fundo de suas prisões
que a França fale e aja por
eles.
Com
2008, inaugura-se uma nova etapa:
a de uma política que diz respeito
mais ainda ao essencial, à
nossa maneira de ser na sociedade
e no mundo, à nossa cultura,
à nossa identidade, aos nossos
valores, à nossa relação
com os outros, ou seja, no fundo,
a tudo o que constitui uma civilização.
A política vem se reduzindo
há muito tempo à gestão,
deixando de lado as causas reais de
nossos males, que são, muitas
vezes, profundas. Tenho a convicção
de que, na época em que estamos,
precisamos do que chamo de uma política
de civilização.
Nada
resolveremos se não construirmos
a escola e a cidade do século
XXI, se não colocarmos no cerne
da política a preocupação
com a integração, a
diversidade, a justiça, os
direitos humanos, o meio ambiente;
se não retomarmos o gosto pela
aventura e o risco, o senso de responsabilidade
e, ao mesmo tempo, o do respeito e
da solidariedade; se não nos
determinarmos a moralizar o capitalismo
financeiro. Não se trata de
fazer discursos – já
foram feitos demais – trata-se
de agir para alcançar resultados.
Portanto,
a França está mostrando
o caminho! É o que, desde sempre,
todos os povos do mundo esperam dela.
E
é o que faremos quando a França
estiver presidindo a União
Européia, a partir de 1º
de julho. É o que queremos
fazer, juntamente com União
Mediterrânea, que é um
grande sonho de civilização.
É o que queremos fazer em toda
parte no mundo, para devolver esperança
àqueles que já a perderam.
É o que, é claro, superando
nossas dúvidas e angústias,
devemos fazer em primeiro lugar pela
própria França.
Nosso
velho mundo precisa de uma nova Renascença.
Então, que a França
seja a alma dessa Renascença!
Este é o meu voto mais caro
para o ano que vem.
Desejo,
do fundo do coração,
que ele seja para a França,
para cada um de vocês, para
todos aqueles que nos são caros,
um ano de felicidade e sucesso.
Meus
Caros Compatriotas,
Viva
a República!
Viva
a França!