|
FALECIMENTO
DO CARDEAL JEAN-MARIE LUSTIGER
COMUNICADO
DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
FRANCESA
REAÇÃO
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NICOLAS
SARKOZY
Paris, 5 de agosto de
2007
Foi com tristeza que acabei de tomar
conhecimento do falecimento do Cardeal
Jean-Marie Lustiger. A França
perde uma grande figura de sua vida
espiritual, moral, intelectual e naturalmente
religiosa.
Sua
personalidade era o reflexo das dificuldades
que a vida o fizera atravessar e que
foram, em primeiro lugar, as da Europa
ao longo do século XX. Elas forjaram
um homem de caráter, mas também
de engajamento e liberdade de espírito.
Em
todas as responsabilidades a ele confiadas,
Jean-Marie Lustiger nunca se empenhou
pela metade. Como Arcebispo de Paris,
ele renovou profundamente a vida da
diocese, dinamizou as paróquias,
transformou a formação
dos padres e dos leigos. Como Cardeal,
foi o continuador incansável
do espírito da geração
de João Paulo II, em particular
por ocasião das Jornadas Mundiais
da Juventude em Paris, em 1997, das
quais foi o principal artesão.
Eu,
pessoalmente, sempre apreciei a possibilidade
de encontrar nele um interlocutor autêntico,
que não dissimulava as suas convicções
e cuja liberdade de tom era, para mim,
um sinal de respeito e das expectativas
que tinha com relação
aos dirigentes públicos.
Para
todos os homens e todas as mulheres
de fé, mas também para
todos os que se questionam a respeito
do papel da fato religioso na história
da humanidade, o trajeto espiritual
que o Cardeal Lustiger percorreu permanecerá
como um exemplo e um grande mistério.
Tendo vivido na carne a continuidade
entre o judaísmo e o cristianismo,
mas também a originalidade da
mensagem cristã que conduz alguns
a realizar a doação absoluta
e exigente de sua pessoa, Jean-Marie
Lustiger foi a própria imagem
de fé e vida interior.
Nas
conversas telefônicas que tive
com Jean-Marie Lustiger nas últimas
semanas, encontrei um homem de grande
coragem, lúcido a respeito de
seu estado de saúde, mas cheio
da esperança de se reencontrar
em breve com Aquele a quem dedicou a
sua vida.
Associo-me
à dor dos católicos da
França, dos religiosos e das
religiosas, dos padres e bispos, que
são gratos ao Cardeal Lustiger
por haver sempre procurado reforçar
os valores morais, a força espiritual
e a exigência intelectual do catolicismo
francês. Também sei que
sua esperança conforta-os nas
dificuldades que atravessam.
|