APRESENTAÇÃO
DO SUBMARINO NUCLEAR “LE TERRIBLE”
DISCURSO DO PRESIDENTE
DA REPÚBLICA FRANCESA, NICOLAS
SARKOZY
Cherbourg, 21 de março de
2008
Senhoras e
Senhores,
Senhor Presidente, obrigado pelo notável
trabalho que empreendeu,
Senhor Ministro, Caro Hervé
Morin,
Senhor Ministro, Caro Jean-Marie Bockel,
Senhoras e Senhores Parlamentares,
Senhor Prefeito,
General, (...)
Senhoras e Senhores,
É
um grande orgulho para mim encontrar-me
aqui entre os Srs. em Cherbourg, para
saudar todos os que construíram
“Le Terrible”, quarto
e último submarino da série
de nossa frota estratégica.
Aqui mesmo, em 1967, o general de
Gaulle veio prestar homenagem a todos
os seus colegas que haviam construído
“Le Redoutable”. Como
seus antecessores, os Srs. podem ter
orgulho deste submarino, símbolo
da alta tecnologia e da determinação
da França em preservar o controle
de seu destino. Muito poucos países
no mundo têm a capacidade de
realizar tal proeza industrial e tecnológica.
Foram necessárias décadas
de aprendizado para dominar esses
conhecimentos, que alguns de nossos
parceiros tiveram muita dificuldade
para reconstituir depois de tê-los
desprezado. Quero dizer hoje o quanto
a França está orgulhosa
dos Srs. Vim aqui em seu nome prestar
uma homenagem ao seu trabalho e às
suas grandes competências.
Nossos
submarinos nucleares lançadores
de armas são um componente
essencial de nossa capacidade de dissuasão
nuclear. É aos operários,
aos técnicos, aos engenheiros,
aos militares, aos pesquisadores,
militares e civis, que nós
a devemos. Vim dizer-lhes que a manutenção,
no mais alto nível, das competências
necessárias à dissuasão
é um objetivo fundamental para
nossa segurança.
Quero
saudar a memória dos onze franceses
mortos no atentado de Karachi, em
8 de maio de 2002, seus colegas, seus
amigos, seus maridos e pais. Sei que
seus familiares encontram-se entre
os Srs. e eu anunciei que me encontrarei
com eles nos próximos quinze
dias, no palácio do Eliseu,
em companhia do Ministro da Defesa,
para fazer um balanço a respeito
da evolução do inquérito.
Quero expressar-lhes os meus sentimentos.
A Nação não os
esqueceu e não os esquecerá.
Conheço
o devotamento e a coragem de que dão
provas todos os que enfrentam o perigo
para garantir nossa segurança
e a paz, na Europa e no mundo. Quero
transmitir-lhes, em nome de todos
os franceses, meu apoio e meu reconhecimento.
A França tem orgulho de seus
soldados, a França tem confiança
neles.
A
homenagem nacional que prestamos na
segunda-feira passada aos combatentes
da Primeira Guerra Mundial lembrou-nos,
como se necessário fosse, que,
no passado, a Europa foi um campo
de batalhas ou, sejamos claros, um
campo de ruínas. Era entre
Estados europeus que se dava a maior
parte dos conflitos. Graças
à construção
européia e à Aliança
Atlântica, nós construímos
uma Europa de paz. E jamais, na história,
nossa segurança nacional esteve
tão intimamente ligada à
de nossos aliados e de nossos parceiros
europeus. Nosso destino comum é
o da União Européia
e, para além disso, o de todas
as nações que compartilham
nossos valores: a paz, as liberdades,
a fraternidade, a defesa da igual
e irredutível dignidade dos
homens, sejam quais forem as suas
origens, crenças ou cor da
pele.
Mas
a paz nunca é definitiva. O
terrorismo de massa nos mostrou isso.
Hoje, estamos confrontados à
afirmação de novas potências,
novas ambições, novas
ameaças e, portanto, novas
rivalidades. Acrescentam-se a isso
os riscos decorrentes da competição
pelo acesso às matérias-primas
e à energia, do desvio das
tecnologias com fins agressivos e,
é claro, da mudança
climática. Neste mundo interdependente,
nossos interesses não possuem
fronteiras, mesmo que não tenham
também uma geografia.
O
mundo mudou, desde o Livro Branco
de 1994, que havia extraído
as conclusões do fim da guerra
fria e da guerra do Golfo. O mundo
está diferente, mais instável,
mais cambiante, mais complexo. Isto
não significa que esteja forçosamente
perigoso, isto significa que está
menos previsível do que antes.
Nossas vulnerabilidades, portanto,
mudaram e nossa estratégia
deve, portanto, ser conseqüentemente
reexaminada. Eu, particularmente,
não quero, porque não
tenho esse direito, que a França
veja-se desarmada diante de uma surpresa
estratégica.
Tenho
a responsabilidade de garantir que
nossas forças armadas estejam
sempre em condições
de enfrentar as ameaças que
pesam sobre a Nação.
Quero fazer a política de defesa
de que a França necessita,
não a política de defesa
dos hábitos ou das antigas
certezas. Foi por isso que pedi a
preparação de um novo
“Livro Branco sobre a Defesa
e a Segurança Nacional”,
e não só sobre a defesa.
Pois, a partir de agora, a segurança
dos franceses é capaz de ser
garantida tanto longe de nossas fronteiras
quanto no interior de nosso território.
Pela
mesma razão, quero que sejamos
capazes de abordar todos os problemas
de frente. Tenho o dever de transparência
e verdade às nossas forças
armadas e o dever de transparência
e verdade a todos os franceses.
A
verdade é esta: encontrei,
em minha chegada, uma situação
financeira mais que difícil.
Para atingir o modelo de exército
2015, seria necessário, segundo
as perspectivas financeiras da Defesa,
aumentar o orçamento do equipamento
em seis bilhões de euros por
ano, ou seja, 40%. Quem pode me dizer
que esse objetivo é simplesmente
credível?
Essas
perspectivas financeiras representam
um muro, incompatível com o
compromisso que assumi junto aos franceses
e aos nossos parceiros europeus de
reduzir o déficit das finanças
da Nação existente há
mais de cinco anos.
Não
tenho a intenção de
prosseguir com os métodos do
passado, aqueles que me levaram a
me colocar nesta situação,
pois todos sairiam perdendo: a coletividade
nacional, que tem a legítima
preocupação de que suas
necessidades em matéria de
defesa e segurança sejam cobertas
convenientemente; o chefe do Estado,
o Governo e o Parlamento, que estão
confrontados à necessidade
de dolorosas reorientações
e, sobretudo, as forças armadas,
que devem deplorar constantemente
o atraso de programas de armamento
fundamentais, com seus corolários:
material que envelhece e custos de
manutenção que explodem.
Recuso-me a aceitar o fato consumado
e a me resignar em não ter
margem de manobra. O dever de qualquer
administração, civil
e militar, é fazer tudo para
preservar as margens de manobra do
presidente e a liberdade de ação
do governo. O dever de todo responsável
político é criar essas
margens de manobra para exercer plenamente
a sua capacidade de decisão.
Decidi
construir o futuro com algumas referências
simples: nossa estratégia,
nossas ambições, nossas
alianças, o objetivo europeu.
E um princípio, este também
simples: excluo completamente a possibilidade
de abaixar a guarda. O orçamento
da Defesa é o segundo maior
do Estado. Ele continuará sendo,
não será reduzido, já
me comprometi a isso e renovo esse
compromisso de maneira solene. Mas
proporei as escolhas, por muito tempo
ocultas, capazes de conciliar a proteção
dos franceses, a independência
do país e sua soberania financeira.
Para
orientar o esforço militar
do país, não me basearei
em análises de quinze anos
atrás. Pedi um Livro Branco
para este início de século
XXI, que propõe um conceito
global de defesa e segurança
nacional de nosso país e de
seus interesses, para os próximos
quinze anos. Apoiando-se nas grandes
funções que nossas forças
armadas têm que assumir, a comissão
deve formular orientações
claras, que nos permitam, juntamente
com o Ministro da Defesa, fazer escolhas
estratégicas e políticas.
O
modelo de exército 2015 foi
reconhecido como obsoleto pela Comissão
do Livro Branco. Todos sabem que,
além do mais, esse modelo não
correspondia à realidade e
isso não foi dito aos franceses.
Mas eu o digo. Recuso-me portanto
a partir desse modelo de exército,
por constatar simplesmente renúncias.
É vão dar prosseguimento
indefinidamente a modelos fora do
alcance. Como é vão
pretender construir um modelo pertinente
contentando-se com a degradação
de modelos ultrapassados. Aliás,
poderia existir um modelo de exército
imutável para a defesa de nosso
país? Quando as ameaças
mudam, quando nossa estratégia
evolui, não é normal
que nosso esforço militar também
se renove?
Para
garantir a proteção
dos franceses, é preciso que
seu instrumento de defesa seja o mais
operacional e o mais eficiente possível.
Agirei conforme essa realidade. As
reformas serão feitas. Este
foi o mandato que me concederam os
franceses. Esse processo de reforma
e de racionalização
exemplar, que Hervé Morin empreendeu,
será executado inteiramente
em benefício do instrumento
de defesa e dos que o servem. Para
sermos capazes de prepará-lo
de maneira construtiva e sem tabus,
decidi abrir a reflexão.
A
Comissão do Livro Branco –
presidida por Jean-Claude Mallet –
é composta de personalidades
vindas de horizontes muito diversos.
O Parlamento está estreitamente
associado a isso, desde o início
e a cada etapa da reflexão.
As comissões do Senado e da
Assembléia Nacional serão
consultadas a respeito do projeto
do Livro Branco. O Livro Branco será
apresentado pelo Primeiro-Ministro
à representação
nacional. Eu gostaria de fazê-lo
pessoalmente, na qualidade de chefe
das Forças Armadas, mas, por
enquanto, a Constituição
me proíbe de fazê-lo.
Espero que a próxima revisão
da Constituição corrija
o que se tornou uma anomalia e reforce
de forma mais geral as prerrogativas
do Parlamento, em particular para
tudo o que se refere ao nosso esforço
de defesa nacional. Isso terá
que ser debatido tanto quanto for
necessário. O Parlamento se
pronunciará a respeito das
decisões que eu tomar, juntamente
com o Primeiro-Ministro e os ministros,
já que, ao final dos trabalhos,
uma lei de programação
militar será submetida ao Parlamento.
Quando
chegar a hora, apresentarei a minha
arbitragem e a explicarei à
Nação. Os Srs. podem
estar certos de que assumirei todas
as minhas responsabilidades, pois
o que mais me preocupa não
é a perspectiva das escolhas,
mas a falta de decisão. As
escolhas serão feitas, para
que a política de defesa seja
a mais útil e a mais pertinente
possível, a serviço
de uma grande ambição
para a França e a Europa.
Meu
primeiro dever como chefe do Estado
e das Forças Armadas é
zelar para que, em qualquer circunstância,
a França, seu território,
seu povo, suas instituições
republicanas estejam em segurança.
E, em toda e qualquer circunstância,
nossa independência nacional
e nossa autonomia de decisão
sejam preservadas.
A
dissuasão nuclear é
a sua derradeira garantia. Medir o
alcance dessa realidade é a
pesada responsabilidade de todo presidente
da República. Desejo hoje compartilhar
com os Srs. as minhas reflexões
a esse respeito.
Evidentemente,
no horizonte delimitado pelo Livro
Branco, ou seja, em quinze anos, a
França não corre mais
o risco de uma invasão. Em
compensação, outras
ameaças pesam sobre nossa segurança.
Alguns arsenais nucleares continuam
aumentando. A proliferação
nuclear, a proliferação
biológica e a proliferação
química continuam, assim como
a dos mísseis balísticos
e de cruzeiro.
Todos
devem estar conscientes hoje de que
os mísseis nucleares de potências,
mesmo distantes, podem atingir a Europa
em menos de meia hora. Hoje, apenas
as grandes potências dispõem
de tais meios. Mas outros países,
na Ásia ou no Oriente Médio,
estão desenvolvendo à
força suas capacidades balísticas.
Refiro-me,
em particular, ao Irã. O Irã
está aumentando o alcance de
seus mísseis, enquanto que
graves suspeitas vêm pesando
sobre seu programa nuclear. É
exatamente a segurança da Europa
que se encontra em jogo.
Diante
da proliferação, a comunidade
internacional deve estar unida e resoluta.
Por querermos a paz é que devemos
ser inflexíveis com aqueles
que violarem as normas internacionais.
Mas todos os que as respeitam têm
o direito a um justo acesso à
energia nuclear com fins pacíficos.
Mas
devemos também estar prontos
para enfrentar outros riscos de proliferação.
A imaginação de nossos
agressores em potencial não
tem limites quanto a explorar as vulnerabilidades
das sociedades ocidentais. E, amanhã,
os progressos tecnológicos
podem criar novas ameaças.
É por esta razão que
prezamos tanto nossa dissuasão
nuclear. Ela é estritamente
defensiva. O emprego da arma nuclear
só seria, evidentemente, concebível
em circunstâncias extremas de
legítima defesa, direito consagrado
pela Carta das Nações
Unidas.
Nossa
dissuasão nuclear protege-nos
de toda agressão de origem
estatal contra nossos interesses vitais
– venha ela de onde vier e seja
sob que forma. Esses interesses compreendem,
é claro, os elementos constitutivos
de nossa identidade e de nossa existência
como Estado-Nação, bem
como o livre exercício de nossa
soberania. Minha responsabilidade,
como chefe de Estado, é avaliar
a todo momento seu limite, pois, em
um mundo em transformação,
ela não poderia ser rígida.
Todos
os que ameaçarem atingir nossos
interesses vitais estarão sujeitos
a uma resposta severa da França,
provocando prejuízos inaceitáveis
para eles, desproporcionais aos seus
objetivos. Prioritariamente, seriam
visados os centros de poder político,
econômico e militar.
Não
podemos excluir a possibilidade de
algum adversário enganar-se
a respeito da delimitação
de nossos interesses vitais, ou de
nossa determinação em
protegê-los. No contexto do
exercício da dissuasão,
seria então possível
procedermos a uma advertência
nuclear, o que deixaria patente a
nossa determinação.
Essa advertência teria como
objetivo restabelecer a dissuasão.
Para
que a dissuasão seja credível,
o chefe do Estado deve dispor de uma
ampla variedade de opções
diante das ameaças. Nossas
forças nucleares foram adaptadas
com base nisso e continuarão
sendo. O míssil intercontinental
M51, que o “Terrible”
carregará assim que entrar
em serviço, em 2010, e o míssil
ASMPA, que o “Rafale”
carregará já este ano,
correspondem à análise
dos riscos no horizonte do Livro Branco.
Também
tenho a convicção de
que é indispensável
mantermos dois componentes nucleares,
um oceânico e um aéreo.
Com efeito, suas respectivas características,
especialmente em termos de alcance
e precisão, tornam-nos complementares.
Para enfrentar toda e qualquer surpresa,
o chefe do Estado deve poder contar
com isso permanentemente.
Com
o objetivo de preservar nossa liberdade
de ação, capacidades
de defesa antimíssil contra
um ataque limitado poderiam ser um
complemento útil da dissuasão
nuclear, sem ser, é claro,
seu substituto. Não devemos
perder de vista que uma defesa antimíssil
jamais poderia ser suficientemente
eficaz para preservar nossos interesses
vitais. A respeito dessa questão,
a França optou por uma atitude
pragmática. É com esse
espírito que participamos dos
trabalhos coletivos no âmbito
da Aliança Atlântica,
Caro Hervé Morin. Nós
dispomos de sólidas competências
técnicas nessa área
que poderão ser utilizadas
quando chegar o momento.
Garantir
a segurança da Nação
tem um grande custo. Todo ano, a dissuasão
nuclear custa aos franceses a metade
do orçamento da justiça
ou dos transportes. Esse custo, é
claro, deve ser controlado tanto quanto
possível, no contexto financeiro
que evoquei anteriormente. Mas estou
determinada a assumir esse custo.
Não se trata de uma questão
de prestígio, nem de posição,
mas, simplesmente, do seguro de vida
da Nação.
Nossa
dissuasão leva em conta também
a situação do mundo,
nossas alianças e a construção
européia. Com o Reino Unido,
nós tomamos uma decisão
fundamental, nós constatamos
que não havia situação
na qual os interesses vitais de um
fossem ameaçados sem que os
interesses do outro também
o fossem.
No
que se refere à Aliança
Atlântica, sua segurança
baseia-se igualmente na dissuasão
nuclear. As forças nucleares
britânicas e francesas contribuem
para isso. Isto está inscrito
no conceito estratégico da
Aliança desde 1974 e permanece
atual. Eu digo aos nossos aliados
que a França permanecerá
fiel aos seus compromissos relativos
ao artigo V do Tratado do Atlântico
Norte.
Quanto
à Europa, é um fato:
as forças nucleares francesas,
apenas por sua existência, são
um elemento chave de sua segurança.
Um agressor que pensar em colocar
em questão a Europa deve estar
consciente disso.
Devemos,
juntos, agir de acordo com a lógica:
eu proponho iniciarmos com aqueles
de nossos parceiros que assim desejarem
um diálogo aberto sobre o papel
da dissuasão e sua contribuição
para nossa segurança comum.
Nosso compromisso com a segurança
de nossos parceiros europeus é
a expressão natural de nossa
união cada vez mais estreita.
O Tratado de Lisboa marca, a esse
respeito, um avanço histórico.
Eu
gostaria de evocar agora o desarmamento.
Trata-se de um assunto que eu desejo
abordar com realismo e lucidez. Quando
a segurança internacional melhora,
a França extrai disso as conseqüências.
Foi o que fez com o fim da guerra
fria. Ao invés de fazer discursos
com promessas, sem traduzi-los em
atos, a França age. Ela respeita
os compromissos internacionais e especialmente
o Tratado de Não-Proliferação
Nuclear. Ela apresenta hoje um balanço
exemplar e único no mundo em
matéria de desarmamento nuclear:
a França, primeiro país,
juntamente com o Reino Unido, a assinar
e ratificar o tratado de proibição
completa de testes nucleares; a França,
primeiro país a se decidir
pelo fechamento e pelo desmantelamento
de suas instalações
de produção de matérias
físseis com fins explosivos;
a França, único país
que desmantelou, de maneira transparente,
seu local de testes nucleares situado
no Pacífico; a França,
único país a reduzir
voluntariamente em um terço
o número de seus submarinos
nucleares lançadores de armas.
A
França nunca participou da
corrida armamentista. A França
nunca produziu todos os tipos de armas
que suas capacidades tecnológicas
lhe permitiram conceber. A França
aplica um princípio, o da estrita
suficiência: ela mantém
seu arsenal no nível mais baixo
possível, compatível
com o contexto estratégico.
Este é um princípio
ao qual dou grande importância.
Assim que tomei posse, pedi que essa
estrita suficiência fosse reavaliada.
Isso
me levou a escolher uma nova medida
de desarmamento: para o componente
aéreo, o número de armas
nucleares, de mísseis e de
aviões será reduzido
em um terço. Também
decidi que a França podia e
devia ser transparente com relação
ao seu arsenal nuclear, como ninguém
no mundo já fez.
Após
essa redução, nosso
arsenal compreenderá menos
de 300 ogivas nucleares, a metade
do número máximo de
ogivas que tínhamos durante
a guerra fria. Ao dar essa informação,
a França está sendo
totalmente transparente, porque ela
não possui qualquer outra arma
além das de seus estoques operacionais.
Além disso, confirmo que nenhuma
de nossas armas está apontada
para quem quer que seja.
Por
fim, decidi convidar peritos internacionais
para virem constatar o desmantelamento
de nossas instalações
de produção de matérias
físseis militares de Pierrelatte
e Marcoule. Mas não devemos
ser ingênuos: a verdadeira base
da segurança coletiva e do
desarmamento é a reciprocidade.
Hoje,
no mundo, oito países já
declararam ter efetuado testes nucleares.
Proponho à comunidade internacional
um plano de ação a respeito
do qual apelo às potências
nucleares que se engajem de forma
resoluta até a conferência
do TNP em 2010. Convido também
todos os países a ratificar
o Tratado de Proibição
Completa dos Testes Nucleares, a começar
pela China e pelos Estados Unidos,
que o assinaram em 1996. Já
é tempo de ratificá-lo.
Exorto
as potências nucleares a desmantelar
todos os locais de testes nucleares,
de maneira transparente e aberta à
comunidade internacional. Proponho
o lançamento sem demora da
negociação de um tratado
de interdição de produção
de matérias físseis
para as armas nucleares; e a instauração
de uma moratória imediata sobre
a produção dessas matérias.
Convido as cinco potências nucleares
reconhecidas pelo Tratado de Não-Proliferação
Nuclear a entrar em entendimento a
respeito de medidas de transparência.
Proponho a abertura de negociações
sobre um tratado que proíba
os mísseis solo-solo de alcance
curto e intermediário. Peço
a adesão de todos e a implementação
do Código de Conduta de Haia
contra a proliferação
dos mísseis balísticos,
como fez a França. Paralelamente,
a comunidade internacional deve mobilizar-se
em todas as outras áreas do
desarmamento. Nesse aspecto também,
a França dará a sua
contribuição.
Senhoras
e Senhores,
Vim aqui para dirigir à Nação
uma mensagem simples: sua segurança
estará garantida perante as
ameaças do mundo e a França
desempenhará inteiramente o
seu papel na defesa da paz e de seus
valores. Quero que a França
tenha uma ambição digna
da sua história.
Isso
exige que se mantenha a lucidez a
respeito das realidade e das escolhas
estratégicas. Isso exige que
se tenha coragem de tomar as decisões
necessárias. Os Srs. podem
contar comigo para fazê-lo.
Acima de tudo, isso exige clareza
e firmeza a respeito do essencial.
E o essencial é a salvaguarda
dos interesses vitais da França.
Afirmo aqui, em Cherbourg, a minha
garantia. A França não
abaixará a guarda.
Muito
obrigado.