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Europa

Entrevista coletiva de imprensa
do Presidente da República Francesa, Nicolas Sarkozy,
e do Presidente do Conselho de Ministros italiano, Romano Prodi,
ao término de seu encontro

Palavras de Sarkozy -

Paris, 28 de maio de 2007


Eu gostaria de lhes dizer o quanto fiquei feliz em receber o Presidente Prodi, por quem tenho muita amizade, em quem tenho uma grande confiança e com quem compartilho uma paixão nada secreta. É verdade que ele é melhor que eu na bicicleta, mas eu tenho com o Presidente Prodi relações muito próximas desde que ele foi presidente da Comissão Européia. Nossa vontade é reforçar consideravelmente a convergência de pontos de vista entre a Itália e a França. Acho que se pode dizer que, sobre pelo menos três assuntos, temos posições muito próximas. Como tirar a Europa da situação de bloqueio atual? Eu gostaria de me unir à análise do Presidente Prodi a respeito do tratado simplificado. A Itália tem muito apreço pela idéia de uma presidência do Conselho estável e a França também; à de um ministro das Relações Exteriores e a França também. À idéia de se desenvolver o que chamamos de regras da maioria para desbloquear a situação sobre um certo número de temas, ou seja, aquele que não quiser avançar que não impeça os outros de fazê-lo, a França é favorável. E a respeito do que chamamos de personalidade jurídica. Haveria muitas outras coisas a dizer, mas nós nos entendemos. Existe verdadeiramente uma vontade, creio eu, e isso é muito importante, porque a Itália ratificou a Constituição e a França não, como os Srs. sabem. Assim, seria muito importante que a Itália e a França convergissem para tentar sair da situação atual de bloqueio e agradeço ao Presidente Prodi por tudo o que disse, porque somos muito próximos.

Sobre a União do Mediterrâneo, devo dizer que o Presidente Prodi já havia proposto ao meu antecessor uma iniciativa comum e os Srs. sabem o quanto esse projeto da União do Mediterrâneo é importante para mim: é preciso fazer no Mediterrâneo o que se fez há sessenta anos na Europa e a idéia de uma reunião dos sete países euromediterrâneos -, sem fechar-se aos outros, o que é importante, informando-os e deixando a porta aberta - é uma idéia muito forte. Nós decidiremos, juntamente com o presidente, se isso será realizado na Itália ou na França, mas o que importante é que os sete países euromediterrâneos trabalhem juntos para levar adiante essa iniciativa. É claro que será preciso ampliar-se a países do sul do Mediterrâneo. Mas os Srs. compreendem o quanto é importante que os sete países euromediterrâneos tenham uma posição comum.

Existe um terceiro ponto de grande acordo sobre o qual tivemos uma discussão aprofundada, que é a questão da política européia e do governo econômico. Como um grande europeu, o Presidente Prodi acha que é preciso reforçar a governança econômica da zona do euro. Compartilho a sua ambição e seu ponto de vista em todos os aspectos. Nós decidimos, após a reunião do Conselho Europeu, tomar iniciativas juntos.

O quarto ponto é que preparamos juntos a reunião do G-8, discutindo todas as questões que estão na ordem do dia ou não, para tentarmos assumir posições comuns.

Por fim, no plano bilateral, eu gostaria de dizer que existe uma vontade muito grande de superar todos os mal-entendidos possam ter havido, para apresentarmos projetos franco-italianos. Foi uma reunião de trabalho à qual eu tinha muito apreço e gostaria igualmente de agradecer ao Presidente Prodi por ter sido um dos primeiros a me telefonar para me parabenizar. Só lamento uma coisa: que ele tenha vindo mais rapidamente a Paris do que eu à Itália, porque é sempre um prazer para mim ir à Itália. Foi como amigos que decidimos trabalhar juntos e que nossos colaboradores darão prosseguimento a esse trabalho.

Pergunta: Já não seria tempo de acelerar justamente essa União Mediterrânea, política, econômica, é claro, mas também no aspecto da segurança, com tantas ameaças pesando sobre os sete países, por parte das redes integristas islâmicas terroristas, que dizem respeito a todos nós?

Resposta: Para nós, o que conta é que todos os países do Mediterrâneo conscientizem-se de que seu destino está ligado. É isso que conta. Em seguida, que todos os países do Norte e do Sul do Mediterrâneo entre em acordo a respeito de um método para se falarem e, depois, decidirem. Em terceiro lugar, será preciso escolher os temas. O Sr. fala de segurança e o Presidente Romano Prodi deu uma excelente resposta a isso. Existem ouras. Existem a imigração e o meio ambiente. Talvez seja necessário pegar os temas de maior consenso. Explico-me: se quisermos realmente a União do Mediterrâneo - e o Presidente Prodi e eu temos muito apreço por isso - será melhor começarmos com a ambição relativa ao meio ambiente e à proteção do mar Mediterrâneo. Nenhum país das margens do Mediterrâneo pode ser contra esse tema e é melhor isso do que começar por temas que também podem ser necessários, porém mais difíceis, como a imigração, a segurança e a lua contra o terrorismo. Isso não significa que não acredito neles, isso significa que queremos chegar a um bom resultado, mas, para isso, precisamos criar estruturas e estabelecer uma metodologia. É um trabalho colocar em torno de uma mesma mesa todos os países que aprenderam a se detestar depois de tantos anos: os sérvios e os croatas, os gregos e os turcos, os judeus e os não-judeus.

P.: Senhor Presidente Sarkozy, durante a sua campanha eleitoral, o Senhor falou muito do papel pivô da Turquia. Chegou até a propor um papel pivô à Turquia na União Mediterrânea cuja criação estava sugerindo. E a Turquia tem a impressão de exclusão pelo fato de que certos líderes europeus, especialmente o Presidente francês, pensarem que ela não faz parte da Europa. O que o Senhor pensa em fazer para que esse sentimento de exclusão desapareça?

R.: Em primeiro lugar, não é absolutamente aos Srs. que digo isso, mas eu discordo completamente dessa idéia de exclusão. A questão que coloquei firmemente - e não mudei de idéia - é a seguinte: a Europa deve possuir fronteiras? Esta é uma questão que deveremos enfrentar um dia ou outro, tranqüilamente, e que vai bem além da Turquia apenas; embora a Turquia seja um grande país. A questão das fronteiras também será colocada a respeito da Ucrânia e não há um só europeu convencido que não se faça a pergunta: até onde irá a ampliação da Europa? Talvez, em um dado momento, seja necessário refletirmos todos juntos a respeito desse assunto. Por que não apresentei essa questão imediatamente? Porque a minha prioridade, assim como a do Presidente Prodi, é o sucesso da Presidência Alemã e do Conselho Europeu dos dias 21 e 22 de junho. O que temos a fazer? Tentar sair do bloqueio institucional. Se, além disso, ainda colocarmos, em 21 e 22 de junho, a questão das fronteiras, o certo é que não resolveremos a questão das fronteiras, nem a questão do tratado simplificado.

A segunda observação é que, evidentemente, a Turquia é uma grande nação mediterrânea.

 
 

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