REUNIÃO MINISTERIAL
UNIÃO EUROPÉIA –
AMÉRICA LATINA
DISCURSO DO SECRETÁRIO
DE ESTADO FRANCÊS PARA OS ASSUNTOS
EUROPEUS,
JEAN-PIERRE JOUYET SOBRE A INTEGRAÇÃO
REGIONAL
Lima, 15 de maio de 2008
Meus Caros
Colegas,
A
integração regional
é, hoje, mais atual do que
nunca. Nossos países estão,
de fato, confrontados a novos desafios
que não podem enfrentar sozinhos.
A globalização das economias,
a mudança climática,
as migrações ou ainda
a energia são questões
que exigem de nossa parte respostas
decididas em conjunto, se quisermos
responder de modo eficaz às
preocupações de nossos
concidadãos.
A
Europa, que empreendeu esse caminho
há 50 anos, dispõe de
uma sólida experiência
nesse assunto. Longe de se traduzir
por um enfraquecimento de nossos Estados,
a integração européia
permitiu-nos preservar nossa capacidade
de ação. Ela contribuiu
para a paz, a estabilidade e o crescimento
em nosso continente. Todos nós
saímos fortalecidos.
Desde
o lançamento da parceria estratégica
entre nossas duas regiões,
em 1999, nós fizemos da integração
regional um dos pilares de nosso diálogo
e de nossa cooperação.
A França e seus parceiros europeus
defenderam incansavelmente os sistemas
de integração regional
que os Senhores implementaram: seja
em se tratando do SICA (Sistema de
Integração Centro-Americano)
na América Central, da Comunidade
Andina, ou ainda do Mercosul.
A
vontade política manifestada
a cada dois anos, por ocasião
de reuniões de cúpula,
permitiu que fossem dados impulsos
decisivos em prol da integração
regional: a negociação
de um acordo de parceria econômica
foi concluído com o CARIFORUM,
abrindo o caminho para outros acordos
do mesmo tipo com as regiões
ACP. Além das discussões
empreendidas com o Mercosul, negociações
de bloco a bloco foram lançadas
em 2007, com a Comunidade Andina e
a América Central, com vistas
a acordos de associação.
Esperamos
que a América Central e os
países andinos saibam aproveitar
esta oportunidade para intensificar
seus progressos em matéria
de integração regional,
em particular no setor aduaneiro.
Ao criar novas espaços para
o escoamento de mercadorias, o desenvolvimento
de mercados regionais integrados contribuirá
para o crescimento, bem como para
a auto-suficiência alimentar
dos mercados locais.
Permitam-me
lembrar aqui a que ponto estamos decididamente
interessados no prosseguimento dessas
negociações sobre uma
base birregional. Os acordos que estamos
negociando com a América Central
e a Comunidade Andina nasceram dessa
vontade comum, expressa em Viena.
As diferenças de desenvolvimento
entre nossas regiões serão,
evidentemente, levadas em conta. Nós
assumimos esse compromisso no momento
da adoção dos mandatos.
Todos os nossos esforços devem
tender agora para a conclusão
de acordos ambiciosos, o mais tardar
em 2009.
Meus
Caros Colegas,
Como
podemos ver, seus países realizaram
progressos consideráveis na
área da integração
regional. Refiro-me à América
Central, muito engajada no caminho
da união aduaneira. Refiro-me
também ao Mercosul, que dotou-se
recentemente de um Parlamento e de
um fundo para a Convergência
Estrutural (FOCEM), à Comunidade
Andina e ao CARIFORUM, que avançaram
no caminho da harmonização
das políticas regionais.
Nossa
história mostrou-nos que mudanças
tão profundas podem ser longas
e difíceis. Estejam certos
de que a França sempre estará
ao seu lado para dar-lhes apoio e
que reconhecemos em seu justo valor
os resultados já obtidos.
Nossa
história ensina-nos também
que uma integração regional
bem-sucedida é uma integração
regional que se adapta, que evolui
e muda. Estamos assistindo assim a
uma profunda redefinição
do conteúdo e dos contornos
dos sistemas de integração
na América do Sul. O ingresso
da Venezuela no Mercosul, a associação
do Chile à Comunidade Andina,
mas também os projetos da ALBA
(Alternativa Bolivariana das Américas)
da UNASUL (União da América
do Sul) são elementos concretos
de um amplo esforço de recomposição
dos sistemas de integração
regional.
Fiel
aos seus valores, a França
seguirá de perto a constituição
desses novos equilíbrios. Continuaremos
defendendo a constituição
de conjuntos latino-americanos integrados,
os únicos capazes de fortalecer
a voz da América Latina no
cenário internacional.