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Europa

ENTREVISTA DO SECRETÁRIO DE ESTADO FRANCÊS
PARA OS ASSUNTOS EUROPEUS, JEAN-PIERRE JOUYET,
PARA O JORNAL “NICE-MATIN”

Paris, 6 de maio de 2008


Pergunta: Será que esta é uma boa hora para Nicolas Sarkozy assumir a presidência da União Européia, já que ele está em queda vertiginosa nas pesquisas de opinião?

Resposta: Essa presidência, prevista há muito tempo, é independente do cursor de popularidade. Ela visa ao relançamento da construção européia, após quinze anos de impasse institucional, através da implementação do Tratado de Lisboa, que foi impulsionado pela França.

P.: E se o povo irlandês disser não em seu referendo?

R.: Estamos confiantes em sua sabedoria proverbial e atentos à preservação do que lhe é mais caro.

P.: Apesar de tudo, a França continua inspirando confiança, com o mais preocupante déficit da zona do euro?

R.: Qualquer derrapagem no controle das contas públicas afetaria, de fato, a sua credibilidade. Mas a França respeitará o contrato europeu, com um endividamento suportável a médio prazo e um controle de suas despesas públicas. O Presidente da República [Nicolas Sarkozy], conduzirá a sua ação estritamente dentro do respeito ao interesse geral da Europa.

P.: O interesse geral é o meio ambiente. Como fazer para cumprir com os compromissos assumidos (redução de 20% das emissões de gás de efeito estufa, criação de um mercado interno de energia, 20% de energias renováveis até 2020, etc.) com os países que estão ingressando e preocupados, sobretudo, em recuperar o atraso de produtividade, portanto, poluidores em potencial?

R.: A presidência francesa defenderá a coerência das propostas da Comissão Européia sobre essas questões, que subentende o advento de um novo modelo de desenvolvimento econômico.

A Europa deve adotar as medidas que possibilitem aos países-membros respeitar esses ambiciosos objetivos e dotar-se de mecanismos, levando em conta, por exemplo, o CO2 nas importações, para evitar as distorções de concorrência que levarem a deslocamentos de empresas em massa. Esse ajuste nas fronteiras naturalmente não teria repercussão senão nos outros países que não tomarem as medidas adequadas de luta contra o aquecimento climático.

P.: Estaríamos caminhando para um pacto pela gestão comum dos fluxos migratórios?

R.: Acho que sim. Na França, a questão é colocada em termos ideológicos, enquanto que entre nossos parceiros europeus, prevalece o pragmatismo. A necessidade econômica da imigração vem junto com a necessidade de se lutar contra a chegada de trabalhadores clandestinos. O consenso é mais forte do que se acredita. Será mais difícil obtermos um acordo dobre o direito de asilo. Como será difícil também construirmos uma defesa européia comum, tanto mais que se reprova a Nicolas Sarkozy suas tentações atlantistas...

Eu não sou atlantista e milito por uma defesa européia forte, com uma estratégia comum. Um fortalecimento das capacidades operacionais, uma programação mais eficaz das ações em todos os lugares em que a situação o exija e a implementação de uma verdadeira agência européia do armamento. Nada disso será feito em seis meses, mas a presidência francesa pretende dar um impulso irreversível em prol de uma defesa européia que não esteja fundida com a OTAN, mas complementar a ela.

P.: Essa presidência não representa também a oportunidade para que o Banco Central Europeu seja mais ouvido?

R.: A zona do euro, que trouxe vantagens algumas vezes esquecidas, deve ser mais visível no plano internacional e ter mais peso em relação às grandes moedas do mundo. É preciso dialogar com o BCE e fazer com que o grau de vigilância econômica seja pelo menos igual ao da vigilância orçamentária.

P.: Será necessário ainda concluir o remanejamento da Política Agrícola Comum...

R.: A PAC não está ultrapassada. Ela tem que ser renovada, especialmente com relação às grandes culturas. Para alguns, é preciso deixar agir as ferramentas do mercado e, para outros, é necessário manter os subsídios. Ao mesmo tempo, o apoio aos países mais necessitados deve se reforçado, para que eles possam desenvolver sua própria agricultura.

P.: O projeto de uma União do Mediterrâneo defendido por Nicolas Sarkozy provocou uma boa parcela de ceticismo...

R.: Trata-se de uma aventura que está fazendo progressos e que convém continuar a conduzir em simbiose com nossos parceiros. O Mediterrâneo é uma prioridade. É preciso ir além do Processo de Barcelona e favorecer uma maior cooperação dos países do Sul entre si. Os mais belos projetos nem sempre são os mais fáceis de serem concretizados...

P.: Se o Presidente da República quer deixar de comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, como Presidente da União, ele poderá fazê-lo?

R.: A França fica feliz com a retomada do diálogo entre o Dalai Lama e as autoridades chinesas. No que se refere à cerimônia de abertura, o Presidente da República só tomará uma decisão na qualidade de Presidente da União depois de consultar seus parceiros, após a reunião do Conselho Europeu do mês de junho.

P.: Em suma, no espaço de seis meses, não se pode fazer grande coisa...

R.: Uma presidência bem-sucedida é uma presidência que faz com que o interesse geral da Europa progrida e permita que sejam assentados os marcos para que sejam enfrentados todos os grandes desafios: a política social, a economia, a demografia, a paz no mundo.

 

 
 

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