8º
CONSELHO DE MINISTROS FRANCO-ALEMÃO
ENTREVISTA COLETIVA DE IMPRENSA
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
FRANCESA, NICOLAS SARKOZY,
E DA CHANCELER DA REPÚBLICA
FEDERAL DA ALEMANHA, ANGELA MERKEL
- PALAVRAS DE SARKOZY -
Berlim, 12 de novembro de 2007
Angela, obrigado pela notável
organização deste Conselho
de Ministros conjunto.
Nós
havíamos apostado juntamente
com a Angela que poderíamos
renovar o gênero com discussões
mais livres, um contato mais freqüente
em campo. Fiquei muito feliz com esse
diálogo com os jovens alemães
e franceses.
A
amizade franco-alemã é,
para a França, uma escolha
histórica fundamental. Nossos
países enfrentaram-se, nossos
países detestaram-se. E, graças
aos nossos antecessores, nossos países
decidiram amar-se e decretar a paz.
Temos que estar à altura dessa
opção histórica
fundamental entre a Alemanha e a França.
Podemos discordar em algumas coisas,
mas essas discordâncias devem
ser inscritas nessa relação
de confiança e nessa amizade
estratégica para nossos países
e, para além de nossos países,
para o continente europeu.
Eu
gostaria de falar do prazer que tive
em trabalhar com Angela Merkel, nos
seis meses em que sou Presidente da
República Francesa, em companhia
de François Fillon e do Governo.
Sua presidência da União
Européia foi notável.
Em
seis meses, nós resolvemos
juntos dois problemas que todos diziam
ser impossíveis de se resolver:
o Tratado Simplificado, pelo qual
trabalhamos de mãos dadas –
nós o obtivemos e a França
vai ratificar esse tratado por via
parlamentar o mais brevemente possível
no início de 2008 – e
a nova governança da EADS.
Não foi fácil obtermos
uma governança normal para
a EADS, fugir às lógicas
frontais, nacionais para dar a essa
empresa a oportunidade de ser bem-sucedida.
Lembro-me do primeiro dia de minha
eleição. Vim aqui, falei
com você, Angela, e nós
encontramos juntos uma solução.
As encomendas que a Airbus acaba de
registrar, ainda ontem, encomendas
históricas, provam que queremos
dar a essa empresa os meios para se
desenvolver. Angela falou disso e
não vou copiá-la. Ela
falou por nós dois e vamos
avançar juntos em direção
à definição de
uma política de imigração
conjunta.
De
que serviria termos feito Schengen
se tivéssemos políticas
de imigração que não
convergissem uma para a outra? De
nada. Decidimos trabalhar juntos a
respeito da questão tão
difícil do Kosovo.
E
posso lhes dizer que, com relação
às grandes questões
do mundo, existe uma profunda concordância
de pontos de vista entre a Alemanha
e a França. Existe uma profunda
concordância de pontos de vista
porque esta é a nossa vontade.
Nós temos o dever de nos entender,
temos o dever de encontrar soluções.
Temos o dever de superar nossas divergências.
Temos o dever de adicionar nossas
forças a serviço da
Europa e da paz no mundo.
Pergunta:
Eu gostaria de saber se os Senhores
aproximaram seus pontos de vista,
ou até se chegaram a um acordo
sobre duas questões: o Galileo
e o Irã. Por outro lado, parece
que, a respeito do Irã, os
Senhores não estavam inteiramente
de acordo quanto à maneira
de se chegar a novas sanções.
Resposta:
A respeito de Galileo, todos
nós queremos que isso aconteça,
porque trata-se de uma questão
estratégica fundamental para
a Europa. E queremos que isso ocorra
o mais rapidamente possível.
Sou grato à Chanceler por ter
evocado o Conselho de Ministros dos
Transportes, se possível antes
de 30 de novembro.
Sobre
o Irã, creio que nossas posições
são bem próximas. A
Alemanha e a França acreditam
na utilidade das sanções.
A Alemanha e a França acham
que, para que as sanções
sejam eficazes, é preciso que
haja uma unidade da comunidade internacional,
incluindo-se a China e a Rússia.
E, finalmente, que é preciso
manter o diálogo paralelamente
a firmes sanções. Parece-me
que, sobre essa política –
podemos ter talvez aqui ou ali um
problema de tempo -, sobre as grandes
linhas dessa política, estamos
na mesma sintonia. Nada de arma nuclear
para o Irã, mantendo as sanções
e o diálogo. A porta permanece
aberta, mas a posição
a respeito das sanções
torna-se mais firme à medida
que o tempo trabalha contra nós.
P.:
Senhora Chanceler, o serviço
federal de imprensa informou-nos que
a Senhora utilizou este encontro para
falar da preparação
da reunião de cúpula
Europa-África. O Senhor Presidente
da República possuía
alguma indicação disso
e, uma pergunta: o Senhor vai receber
o Coronel Kadhafi pouco antes dessa
reunião de cúpula em
Paris?
(...)
R.:
(...) Minha resposta à
pergunta se receberei o Coronel Kadhafi
é sim e não vejo razão,
aliás, para não recebê-lo.
Trata-se de um país que fez
a detestável escolha pela arma
nuclear. Ele a abandonou há
dez anos. Trata-se de um país
que fez a detestável escolha
pelo apoio às atividades terroristas.
Agora ele combate os terroristas.
Trata-se de um país que mantinha
detidas, nas circunstâncias
que os Senhores conhecem, as enfermeiras
búlgaras. Ele as libertou.
Então, se não recebermos,
se não dialogarmos com países
que se tornam responsáveis,
que voltam as costas para as orientações
que eram condenadas pela comunidade
internacional, então o que
dizemos ao Irã? O que dizemos
à Coréia do Norte, que
hoje vai fazer progressos? Precisamos
recebê-los, precisamos encorajar
esses países a voltar para
a comunidade internacional e eu, digo-lhes
isso, estou mais tranqüilo para
receber o Coronel Kadhafi agora que
as enfermeiras voltaram do que antes.
Portanto, a França foi aos
Estados Unidos, a França sabe
onde estão seus amigos, seus
aliados, mas a França é
livre para falar com todo mundo e
especialmente com países que
se encaminham para a respeitabilidade.
E me dá muito prazer os Senhores
me terem feito essa pergunta.
P.:
Os Senhores abordaram entre si a questão
das reformas econômicas e sociais
em seus respectivos países
e particularmente a gestão
dos conflitos sociais, já que,
na França, estamos no início
de uma semana bastante pesada nessa
área?
(...)
R.:
Vejam
o que fez a Alemanha. Grande reformas.
De cara, nossos amigos alemães
já têm um milhão
de desempregados a menos e o equilíbrio
de suas contas. O que queremos fazer,
juntamente com o Governo e François
Fillon? As mesmas reformas. Não
se trata de reformas de esquerda ou
de direita, trata-se das reformas
de bom-senso que todos os outros países
bem-sucedidos estão empreendendo.
Encontramo-nos portanto em um estado
de espírito muito aberto, muito
calmo e, ao mesmo tempo, determinado.
Eu disse o que faria antes de ser
eleito. Xavier Bertrand e François
Fillon multiplicaram as oportunidades
de diálogo e daremos prosseguimento
a esse diálogo. Não
devemos ser rígidos, a porta
do diálogo permanece aberta,
mas faremos essas reformas, porque
elas têm que ser feitas. Todos
os países que as fizeram obtiveram
resultados e isso se traduziu –
o que é normal em uma democracia
– em movimentos, contestações,
discussões. É preciso
ver isso com muito sangue-frio, um
grande senso de responsabilidade,
mas saber uma coisa: nós fomos
eleitos para transformar a França,
para que a França tenha o pleno
emprego, para que a França
reduza seu déficit e para que
haja mais justiça em nosso
país. É essa ação
que iremos colocar em prática.
(...)