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CRISE
ALIMENTAR MUNDIAL
RESPOSTA
DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES
EXTERIORES
E EUROPÉIAS, BERNARD KOUCHNER,
A UMA QUESTÃO DE ATUALIDADE NA
ASSEMBLÉIA NACIONAL
Paris, 16 de abril de
2008
Senhora Pau-Langevin,
a Senhora está coberta de razão
e todos nós nos preocupamos,
como a Senhora, com a brutal degradação,
embora esperada, da situação
alimentar.
No
que diz respeito ao Haiti, país
que a Senhora conhece particularmente
bem, nós reagimos da melhor forma
possível, enviando imediatamente
um milhão de euros, mas não
se pode mais continuar agindo na emergência.
Embora suas análises sejam justas,
são necessárias também
reformas de fundo.
Em
primeiro lugar, é preciso agir,
em âmbito mundial, contra a especulação
desenfreada sobre os produtos alimentícios.
O Conselho de Segurança das Nações
Unidas deve reagir com urgência
e instaurar algo de sólido: é
a vida de centenas de milhares e até
de milhões de pessoas, em todos
os continentes, que está em jogo.
Em
seguida, o Programa Alimentar Mundial
da FAO – que, teoricamente, interessa-se
pela agricultura. Mas precisamos também
dar a mão à palmatória!
Temos
que nos questionar a respeito da PAC
[Política Agrícola Comum];
é verdade que o desequilíbrio
com relação a outras agriculturas
é grande, mas não é
prejudicando nossa própria agricultura
que poderemos ajudar os outros. Em compensação,
precisamos refletir a respeito da extensão
das culturas de víveres e –
como acabamos de fazer – da dos
biocombustíveis.
As
áreas agrícolas dedicadas
aos biocombustíveis estão
sendo bem empregadas? Não acredito;
de qualquer forma, isto pede uma reflexão.
É
preciso desenvolver, sobretudo, em particular
na África e no Haiti, as ajudas
à agricultura, para que o cultivo
de alimentos possa satisfazer as necessidades
da população. Não
devemos nos esquecer de que no Haiti,
um dos países mais pobres do
mundo, dois terços da população
vive com menos de dois dólares
por dia!
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