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Política Internacional
e Diplomacia |
BIRMÂNIA
COMUNICADO
DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES
EXTERIORES E EUROPÉIAS,
BERNARD KOUCHNER
Paris, 8 de maio de
2008
Desde o primeiro dia da catástrofe
que atingiu a Birmânia com um
amplitude comparável à
do Tsunami, causando sem dúvida
mais de uma centena de milhares de mortes
e mais de um milhão de deslocamentos
de pessoas, pedi que o Ministério
das Relações Exteriores
e Européias mobilizasse todos
os meios necessários para prestar
assistência ao povo birmanês
tragicamente afetado pela passagem do
ciclone Nagis e desse o seu apoio aos
cidadãos franceses e europeus
presentes no país, já
que a França exerce atualmente,
na Birmânia, a presidência
rotativa da União Européia.
Nossa
Embaixada em Rangum, que foi imediatamente
mobilizada, está sendo reforçada.
Os serviços da Embaixada puderam
avisar os membros da comunidade francesa
da chegada iminente do ciclone. Foi,
sem dúvida, graças a essas
recomendações que nossa
comunidade local não registrou,
até o momento, qualquer perda.
Nosso posto permanece em contato permanente
com o conjunto de nossos compatriotas
e mobiliza-se para fornecer-lhes toda
a ajuda possível.
Em
Paris, ativamos uma força tarefa
comandada pelo ministério das
Relações Exteriores e
Européias e associando os ministérios
da Defesa e do Interior (Segurança
Civil), que reúne-se diariamente
para avaliar a situação
e coordenar a ação francesa.
Um diálogo cotidiano também
está sendo desenvolvido pelo
ministério com as ONGs francesas
presentes na Birmânia ou que desejem
envolver-se, bem como a Cruz Vermelha
Francesa e a Fundação
da França.
As
ações empreendidas nesse
contexto pela França são,
principalmente:
- a disponibilização de
um primeiro envelope de 200 mil euros
que agora aumentamos para 2 milhões
de euros, em benefício especialmente
das ONGs francesas já presentes
no país, e em função
das condições de distribuição
dessa ajuda. Por outro lado, os particulares
ou as empresas que desejarem encaminhar
donativos às ONGs (MDM, ACF,
AMI, Care France, EMDH e Parceiros),
que possuem equipes no local, bem como
a Cruz Vermelha Francesa ou a Fundação
da França, podem fazê-lo
diretamente através de seu site
Internet.
- abertura de uma linha telefônica
ativada 24 horas por dia destinada às
famílias dos cidadãos
franceses presentes na Birmânia
no momento da passagem do ciclone (0143178686);
- apoio às iniciativas tomadas
pelas ONGs junto às autoridades
birmanesas para facilitar seu acesso
às vítimas, seja no que
se refere à expedição
de vistos ou a possibilidade de encaminhar
gêneros de primeira necessidade;
- a preparação do envio
de aviões fretados pela França
a partir do território nacional,
mas também de aeroportos próximos
à Birmânia, tendo a bordo
material humanitário. Um primeiro
avião francês encaminhando
especialmente material da Cruz Vermelha
Francesa (sistema de purificação
de água) e de Ação
Contra a Fome (ACF) poderia partir rapidamente,
a partir do momento em que as autorizações
de aterrissagem e as garantias necessárias
sobre a recepção e a distribuição
imparcial dessa ajuda tenham sido fornecidas
pelas autoridades birmanesas.
- de concerto com o Ministério
da Defesa, a disponibilização
de navios da Marinha Nacional presentes
na zona, que deveriam efetuar um exercício
conjunto com as forças indianas
e britânicas, e especialmente
o navio Mistral. Esse navio de projeção
e comando, que aguarda atualmente o
carregamento em Chennai (Madras), possui
uma importante capacidade de transporte
de aproximadamente 1.500 toneladas e
meios médicos de emergência
(equipe médica e capacidade de
hospitalização). O frete
humanitário, cujo embarque será
coordenado pela Embaixada e pelos socorristas
da Segurança Civil, poderia ser
recebido e distribuído às
populações pelo Programa
Alimentar Mundial, cujas equipes já
estão presentes na Birmânia.
Apelo
solenemente uma vez mais às autoridades
birmanesas para que suspendam todas
as restrições ao livre
encaminhamento da ajuda pelos canais
mais eficazes. Os organismos especializados
das Nações Unidas e as
ONGs devem poder ter acesso imediato
às vítimas. Enfrentar
os sofrimentos humanos, seja onde ocorram,
é o verdadeiro sentido dessa
“responsabilidade de proteger”,
aceita pela comunidade internacional
e iniciada pela França. Foi o
que desejamos lembrar ao Conselho de
Segurança das Nações
Unidas.
Por
fim, quero lembrar que as coletividades
territoriais que desejem manifestar
sua solidariedade para com as populações
atingidas por uma crise humanitária
no exterior têm a possibilidade
de depositar uma contribuição
no fundo de participação
da delegação para a Ação
Humanitária, através de
um depósito junto ao Tesouro
Geral para o Exterior, com base no fundo
de contribuição “001-6-008:
contribuição de terceiros
em benefício da ajuda de emergência
às vítimas de catástrofes
naturais e de conflitos no exterior”.
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