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Política Internacional
e Diplomacia |
ENTREVISTA
DO MINISTRO FRANCÊS DA DEFESA,
HERVÉ MORIN,
PARA A RÁDIO “EUROPE 1”
-
TRECHOS -
Paris, 20 de abril de
2008
(...)
Pergunta:
O Senhor tem em mãos, juntamente
com os militares com quem trabalha,
uma reforma de uma enorme ambição.
O Senhor aplicará, por exemplo,
o princípio de não substituir
um funcionário a cada dois que
se aposentem?
Resposta:
Esta é a regra para todo mundo.
Portanto, estamos submetidos a ela.
Mas o que buscamos não é
um objetivo em termos de número.
Nós precisamos é adaptar
a nossa defesa...
P.:
Mas isso tem conseqüências
em números.
R.:
Isso tem conseqüências em
números. Mas já o fizemos
para o orçamento de 2008; graças
à redução de 6.000
empregos no Ministério da Defesa,
nós pudemos estabelecer o orçamento
praticamente mais importante dedicado
à melhora das condições
do pessoal. Empregamos nisso 102 milhões
de euros. Eu, pessoalmente, prefiro
um exército eventualmente um
pouco mais concentrado, mas onde os
militares possam ver resolvido um certo
número de problemáticas
ligadas ao poder aquisitivo, ou às
condições do pessoal.
P.:
E como se faz a pedagogia em seu ministério?
R.:
André Santini, que está
aqui presente, tem o mesmo discurso
com relação ao conjunto
da Função Pública.
P.:
...existem 440.000 cargos, civis e militares,
no exército...
R.:
430.00.
P.:
430.000. O Senhor diz que foram suprimidos
6.000 civis ou militares? Ou os dois?
R.:
5.000 militares, 1.000 civis.
P.:
Será que durante a lei de programação
militar haverá mais ou menos
o mesmo número – entre
civis e militares - que deverão
ceder o lugar?
R.:
A questão não é
de efetivos, nem de metas. O que nós
dizemos é que devem ser extintos
40.000, 50.000. 60.000 cargos, sem discussão!
Precisamos reorganizar nosso aparelho
de defesa. Vou explicar-lhes em duas
palavras. Nós empreendemos a
profissionalização. A
profissionalização foi
um esforço imenso! Esforço
imenso empreendido pelas forças
armadas e que foi bem executado. A única
coisa é que não avaliamos
as conseqüências sobre a
administração e o apoio;
ou seja, sobre a totalidade da superestrutura
que serve às forças operacionais.
Estamos em um sistema que, bem entendido,
evoluiu – e Michèle Alliot-Marie
havia começado esse processo
-, mas em um sistema que é baseado
essencialmente em leis do século
19. Nós possuímos um sistema
que é excessivamente dividido,
onde...
P.:
O que significa isso?
R.:
Significa que cada uma das forças
armadas tem os seus serviços
– a Aeronáutica, a Marinha,
o Exército. Precisamos transformar
isso em um conjunto único, fazer
com que sejam eliminadas as duplicações,
fazer com que se trabalhe mais coletivamente;
que se possa oferecer o mesmo serviço
para todos os uniformes, para cada força
armada, seja qual for a sua cor...
P.:
Quer dizer que não podem mais
continuar como hoje?
R.:
... É claro que precisamos, além
disso, obter margens de manobra. Precisamos...
P.:
Portanto, é a função
de apoio que será a mais –
eu diria – reestruturada?
R.:
... Trata-se, evidentemente, das estruturas
de administração geral
e de apoio. Vou dar um exemplo concreto.
Nós decidimos fazer um Pentágono
à francesa: ou seja, reagrupar
todos os serviços dos estados-maiores
da administração central
do ministério que irão
ocupar um mesmo edifício, no
15º distrito e esperamos inaugurá-lo
em 2013...
P.:
Com a mudança tendo início
em 2010-2011?
R.:
Sim, enfim, veremos! Mas a idéia
é a de sermos operacionais em
2013. Esse Pentágono à
francesa vai nos permitir tornar comuns
toda uma série de serviços,
que algumas vezes serão unificados,
estado-maior por estado-maior. Ao criarmos
serviços comuns, criando condições
para trabalharmos juntos, vamos poder
ganhar, sobre os efetivos dos estados-maiores
centrais e das administrações
centrais, entre 20 e 30%. Isso não
significará menos qualidade no
serviço prestado; isso significará,
ao contrário, um serviço
prestado de melhor qualidade, porque
vamos trabalhar juntos e vamos poder
fazer alguma economia.
P.:
Esses 42.000 empregos perdidos em sete
anos parecem-lhe um número correto?
R.:
Não tenho objetivos! A única
coisa que sei é que estou submetido
à mesma obrigação
que todos os órgãos administrativos
do Estado: é a não substituição
de um funcionário sobre dois.
São 6.000 pessoas por ano.
P.:
Senhor Ministro da Defesa, qual é
o número ideal de homens e mulheres
nas forças armadas – civis
e militares? No prazo ideal, até
2015?
R.:
O que sei é que existe um compromisso
do Presidente da República no
sentido de que todas as economias que
efetuarmos sejam recompensadas em equipamento
das forças armadas e na melhora
das condições do pessoal.
O Presidente da República anterior,
Jacques Chirac, já iniciou a
renovação de todos os
nossos equipamentos – todos! O
Rafale, o A400M, o novo veículo
blindado, o NH90, o Tigre, os futuros
submarinos nucleares de ataque, nossa
dissuasão. O que significa que
nossas necessidades financeiras para
garantir todos esses equipamentos podem
ser estimadas em 2 a 3 bilhões
de euros suplementares a partir do próximo
ano. Ninguém pode imaginar, tendo
em vista a situação orçamentária
do país, tendo em vista as necessidades
do país, ninguém pode
imaginar um só instante que um
governo, um Primeiro-Ministro, ou um
Presidente da República, vir
perante o povo francês, no momento
das arbitragens orçamentárias
para o orçamento de 2009, para
dizer: nós precisamos financiar
a deficiência, a dependência,
a universidade, a pesquisa, a escola
– em suma, a totalidade dos grandes
setores -, e a totalidade dos orçamentários
novos do país, irão ser
empregados na Defesa!
P.:
Muito bem, entendemos. Tentemos ser
claros: isso significa que precisamos
ganhar entre 3 e 5 bilhões por
ano?
R.:
Nós precisamos fazer com que
todos esses recursos sejam empregados
na melhora da capacidade operacional
de nossas forças armadas –
ou seja, fazer com que nosso material
esteja mais disponível, etc...
P.:
A defesa é o segundo maior orçamento
do Estado?
R.:
Terceiro, depois da dívida.
P.:
Isso significa cerca de 37 bilhões
de euros? 37 bilhões...
R.:
Seus dados estão corretos.
P.:
Portanto, o montante dedicado à
Defesa permanecerá o mesmo em
cinco a dez anos? Mas ele será
desdobrado de outra maneira?
R.:
Os 37 bilhões de euros que empregamos
na Defesa devem ser dedicados um pouco
mais ao equipamento e um pouco menos
ao funcionamento, de fato. E, ao mesmo
tempo, entre as economias, temos que
colocar em prática o que se chamou
de Plano de Melhora da Condição
Militar, que era um compromisso de Michèle
Alliot-Marie.
P.:
Ainda uma palavra: os tanques e os aviões
poderão continuar a realizar
treinamentos normalmente, ou é
preciso que façam economia e
que haja restrições: menos
vôos, menos preparações
– e, talvez, mais riscos para
nossos aparelhos e nossos homens?
R.:
Nós precisamos, de fato, manter
as condições de treinamento
de nossos pilotos – e não
apenas de nossos pilotos; manter a formação
de nossos militares, que são
considerados os melhores do mundo, ao
lado dos britânicos – é
o que dizem todos os meus homólogos...
P.:
Portanto, não haverá mudanças?
R.:
... E, portanto, tudo isso, é
preciso fazer...
P.:
Eles terão recursos para isso?
R.:
... E portanto, eles terão
os recursos.
P.:
... O Senhor confirma assim mesmo a
supressão de um dos três
esquadrões da força nuclear
aeroportável?
R.:
Sim, está no discurso de Cherbourg.
O Presidente da República, no
âmbito do que se denomina estrita
suficiência, decidiu reduzir o
componente aeroportável; passaremos,
portanto, de três esquadrões
de Mirage 2000N a dois esquadrões,
que iremos “rafalizar”,
ou seja, que iremos dedicar ao Rafale.
Esta também é uma medida
que irá nos permitir fazer economia
– não sobre o fato... sobre
a decisão, sobre a estrita suficiência,
porque trata-se de uma decisão
estratégica, ligada a uma análise;
mas...
P.:
Será possível fazer a
mesma coisa com dois esquadrões
ao invés de três?
R.:
... Fazendo com Rafales, os Senhores
poderão ver que a conseqüência
é que o Rafale é um avião
polivalente. Hoje, nós possuímos
aviões Mirage empregados na dissuasão,
aviões Mirage empregados no ataque
no solo e outros empregados na defesa
aérea - estou esquematizando.
Graças ao Rafale, nós
possuímos um avião polivalente,
que pode fazer ao mesmo tempo defesa
aérea, ataque no solo e dissuasão.
É claro que, tendo um avião
polivalente, você precisa de menos!
Isso significa, bem entendido, que você
tem medidas de reorganização
a tomar e economias a fazer pelo fato
de se equipar com um avião polivalente,
capaz de realizar as três missões.
P.:
Estamos falando da reforma das forças
armadas, da reforma da Defesa, que o
Senhor afirmou ser uma grande reforma,
de grande ambição. Essa
reforma já foi lançada,
está em fase de preparação;
ela vai ser debatida no Parlamento,
no país, talvez, com as administrações
das regiões e municipais. Quando
entrará em fase operacional?
R.:
Apresentei aos chefes das corporações,
aos generais e diretores de serviços,
a reforma da organização
da estrutura – de que falei há
pouco: o reagrupamento dos serviços
de administração geral
e apoio, a criação do
que se convencionou chamar de base de
defesa. As bases de defesa, que serão
essas estruturas que irão exercer
as funções de recursos
humanos, financeiras, as funções
de reconversão, as funções
de alimentação e vestimentas,
que serão exercidas para todos
os regimentos que se situem a 30 km
em torno dessas bases de defesa. E todas
as funções de administração
geral...
P.:
...O futuro mapa militar da França?
R.:
Trata-se das funções
de administração geral
e apoio que serão reagrupadas,
que nos permitirão fazer uma
grande economia de funcionamento e que
nos permitirão, ao mesmo tempo,
racionalizar nosso dispositivo territorial...
P.:
A pergunta é: para quando é
essa reforma?
R.:
A reforma sobre o dispositivo territorial
será anunciada a priori em 22
de junho.
P.:
E aplicada a partir de...?
R.:
E aplicada a partir de 2009.
P.:
Então, quantas bases, quantos
locais serão fechados?
R.:
Nosso sistema é uma herança
da história. Estamos implantados
em 471 comunas, com uma dispersão
considerável. E essa dispersão,
bem entendido, tem um custo para nossas
forças armadas. Ela exige também
um certo número de elementos...
P.:
Quantas comunas a menos?
R.:
Por enquanto, sou incapaz de lhe dizer!
Porque isso está ligado a dois
elementos. O primeiro...
P.:
Mas todo o plano já foi aprovado,
está pronto!
R.:
Não. O primeiro está ligado
à reorganização
de nossas forças armadas e o
segundo está ligado a um certo
número de elementos que estão
em fase de arbitragem no Livro Branco.
Quero dizer com isso...
P.:
O Senhor está deixando a primazia
ao Presidente da República?
R.:
Quero dizer com isso que nós
temos...
P.:
Documentos de trabalho falando de 53
comunas envolvidas, 53 locais fechados
e mais de uma centena com as atividades
reduzidas?
R.:
Se me deixar terminar, posso
lhe explicar por que não posso
lhe dizer por enquanto. Trabalhamos
hoje pela manhã a respeito da
administração geral e
do apoio, como expliquei. Há
também as arbitragens a respeito
das forças operacionais, que
são destinadas e ligadas às
arbitragens do Livro Branco. Dou um
exemplo: a partir do momento em que
você considera que o risco de
invasão do território
não é um risco maior no
espaço de dez a quinze anos,
e que, a priori, estamos resguardados
– esperamos – de uma tal
ameaça; isso significa claramente
que, a priori, precisamos de menos regimentos
blindados e menos regimentos de artilharia.
Se, ao contrário, considerarmos
que a ameaça ligada à
proliferação nuclear,
ligada ao terrorismo, é uma ameaça
mais importante, e que precisamos conhecer
melhor, antecipar mais, poder ter elementos
de informação mais sólidos,
quer dizer...
P.:
Que seja! Qual a hipótese que
o Senhor escolhe, como Ministro da Defesa
– e propõe ao Presidente
da República?
R.:
...Isso significa claramente que nós
...
P.:
Não há invasão
e não há riscos terroristas
– qual dos dois?
R.:
É evidente que precisamos fazer
mais nos setores dos satélites,
da observação, da informação,
do conhecimento, da antecipação,
da capacidade de nos projetarmos para
resolver um determinado número
de crises...
P.:
Portanto?
R.:
Portanto, é claro, isso
irá nos levar também a
rever um certo número de nossos
dispositivos operacionais. Só
quando tivermos cruzado esses dois elementos
é que poderei responder à
pergunta: a quantas comunas isso diz
respeito? O certo é que precisamos
nos adequar ao nosso instrumento de
defesa. A França pagou, na história...
P.:
Estamos convencidos disso...
R.:
Não, o que eu gostaria de dizer...
P.:
Isso irá se traduzir por quê?
Por reagrupamentos, etc...?
R.:
Densificações de unidades,
reagrupamentos de unidades...
P.:
Dizem que cerca de quinze regimentos
vão desaparecer. Um regimento
representa quantos homens? 800?
R.:
1.000 homens, em média.
P.:
15 irão desaparecer – é
verdade? É demais?
R.:
Não posso lhe dizer isso hoje!
Porque vocês devem compreender
que, quando o Presidente da República
tiver estabelecido o contrato operacional
do Exército... nós temos,
por exemplo, um contrato operacional
para o Exército de 50.000 homens
hoje. Como disse o Presidente da República,
esse contrato é inatingível!
Inatingível. Porque não
éramos capazes de projetar esses
50.000 homens, contrariamente ao que
queriam nos fazer crer. O segundo elemento,
por que é inatingível:
se quiséssemos chegar a isso,
nossas necessidades orçamentárias
seriam de 4 a 5 bilhões de euros...
P.:
As bases de defesa, de que o Senhor
fala irão reagrupar as três
forças armadas?
E.:
Sim...
P.:
A Terra, o Mar e o Ar?
R.:
Sim, mas isso nada tem a ver com o contrato
operacional de que lhes falo...
P.:
Não, estamos tentando entender...
R.:
Estou tentando lhes explicar as coisas.
O contrato operacional do Exército
era, especialmente, o de estar em condições
de projetar sobre um teatro central
50.000 homens. Esse contrato é
inalcançável – devemos
dizer claramente. O Presidente da República
disse isso em seu discurso de Cherbourg.
Em função do contrato
que iramos estabelecer para o Exército
– contrato sobre a capacidade
de se projetar, onde se projetar, em
que partes do mundo, com que meios,
dentro de que prazos -, bem entendido,
avaliaremos as conseqüências
disso sobre a organização
de nossas forças armadas. Trata-se
de cruzamento entre a reorganização
do ministério e as necessidades
operacionais de nossas forças
armadas que nos levará a apresentar,
no final de junho, uma carta contendo
um determinado número de supressões.
P.:
Até lá, não teremos
maiores precisões? Tudo isso
os Senhores irão descobrir em
um mês e meio, dois meses –
os Senhores são gênios?
R.:
Sim, porque já trabalhamos muito!
P.:
O Senhor, um partidário –
o Senhor disse no início do programa
que era partidário das reformas
e da verdade aos franceses – então
não pode dizer: sim, sua segurança
será garantida, mas precisamos
reformar o exército, com o mesmo
orçamento, mas cidades que possuem
militares e que não possuirão
mais, terão outra coisa...?
R.:
Sim.
P.:
Não se pode dizê-lo tão
simplesmente.
R.:
Eu posso lhes dizer tão simplesmente
assim e foi o que disse. Precisávamos
fazê-lo. Mas, quando me pergunta
“Quantas comunas?”, sou
incapaz de lhe dizer hoje, porque...
P.:
Então, vai ser feito? Será
que vai haver, por exemplo, um acompanhamento
social por parte do Estado? Quando serão
feitas essas reformas, com relação
às cidades, às pessoas
envolvidas?
R.:
Vamos proceder até de forma diferente.
Estou começando a receber todos
os políticos eleitos que possam
estar envolvidos no fechamento de uma
unidade – já que as listas
foram divulgadas pela imprensa.
P.:
Seriam quantos envolvidos?
R.:
Seriam, digamos, trinta ou quarenta
localidades...
P.:
Quarenta localidades?
R.:
Sim, o Senhor verá suas
quarenta localidades!
P.:
É o que dizem alguns: já
com a carteira judiciária, perderam-se
tribunais, com a carteira hospitalar,
perderam-se hospitais! A organização
do território está sofrendo,
em determinadas regiões!
R.:
Estão sendo empregados apenas
37 bilhões de euros na defesa
para se fazer a organização
do território do país!
Os franceses nos reprovariam por aplicarmos
37 bilhões de euros em nossa
defesa, que é uma das grandes
defesas do mundo – já que
há mais ou menos quatro potências
militares globais no planeta e nós
fazemos parte delas? Nesse instrumento
formidável, que nos possibilita
ter a política externa que temos,
de ter esse posicionamento diplomático
que temos, de ter essa presença
que temos; nós empregaremos apenas
37 bilhões para fazer a organização
do território. Se for preciso
incluir a organização
do território em um certo número
de decisões, nós o faremos.
Apresentarei ao Presidente da República
algumas medidas alternativas para um
certo número de casos –
como disse aos representantes políticos
-, para os casos mais difíceis,
afirmando ao Presidente: esta é
a lógica operacional, a lógica
de organização, deveríamos
fechar esse regimento, trata-se de uma
zona onde, de fato, o desenvolvimento
econômico é um pouco complicado.
Nesse caso, poderíamos propor
fechar ou uma ou outra base aérea,
ou um ou outro regimento. Vamos, portanto,
propor ao Presidente da República,
em um determinado número de casos,
medidas alternativas. Mas...
P.:
Depois de um entendimento com os representantes
políticos?
R.:
Depois de um entendimento com
eles. E vamos ter toda uma série
de medidas de acompanhamento econômico
e social, capazes de financiar investimentos,
financiar equipamentos. Posso dar um
exemplo concreto: existe um prefeito
de uma cidade que veio me ver na semana
passada. Eu lhe disse: vocês têm
um batalhão de apoio que, eventualmente,
poderia ser fechado; vocês teriam
equipamentos fundamentais para financiar
que pudessem dinamizar sua cidade? Vocês
têm uma zona de atividades, uma
fonte de geração de empresas,
uma piscina, um centro de congressos,
equipamentos empregados no turismo?
Em suma, examinaremos todas essas condições
e financiaremos uma parte desses equipamentos...
P.:
“Nós” significa o
orçamento do exército?
R.:
O orçamento da República,
do Estado, através de uma série
de dispositivos interministeriais.
P.:
Senhor Ministro, isso significa também
que o Estado, ou as regiões,
ou os prefeitos poderia, quando chegasse
a hora, vender ativos que antigamente
eram mantidos para eles pelo exército
e para o exército? Eles poderão
vendê-los?
R.:
Entre as medidas de compensação,
é claro, examinaremos as condições
nas quais poderemos ceder os ativos
que pertenciam ao exército, para
lhes permitir novo desenvolvimento,
bem entendido.
P.:
Há pouco o Senhor disse: vamos
“rafalizar”. Continua-se
fabricando o Rafale? No mesmo ritmo?
O Senhor reduziu o ritmo de fabricação,
sempre dentro do sistema de economia?
R.:
Nós reduzimos o ritmo.
E não fui eu que o fiz, isso
foi feito antes de mim. Estamos fabricando
mais ou menos 12 por ano. O que esperamos
é que possamos ter um certo sucesso
na exportação, o que permitirá
à Dassault aumentar seu ritmo
de produção. Aumentando
o ritmo de produção, o
preço unitário de nossos
aviões cairá; por outro
lado, isso nos permitirá fazer
com que, através desses grandes
contratos, possamos ajudar a indústria
de defesa – porque, como os Senhores
sabem, quando vendemos grandes contratos,
como os do Rafale, ou outros equipamentos,
vem em seguida toda uma série
de encomendas que permitem à
indústria de defesa permanecer...
P.:
O Senhor observa aí que irá
ser mantido o segredo de defesa: não
se pergunta a quem irão vender
– porque existem promessas de
vendas e os Senhores devem estar em
negociação! E não
se quer que a concorrência bloqueie
a negociação! Q uanto
ao porta-aviões, o Senhor é
favorável, ou não? Já
existem estudos e muito dinheiro já
foi empregado nisso. Dizem que está
condenado.
R.:
É evidente que a situação
orçamentária do equipamento
de nossas forçar armadas torna
difícil a construção
de um segundo porta-aviões. Trata-se
de uma decisão que temos que
tomar e isso será feito nas próximas
semanas.
P.:
Sua posição é contra,
devido ao orçamento?
R.:
É o Presidente da República
quem decidirá.
R.:
O Senhor falou do Livro Branco, que
nos falará das ameaças
até 2025, e que será publicado
em meados de junho. Toda uma comissão
trabalhou nisso. Onde estão as
ameaças, para nós, as
novas ameaças? No Afeganistão?
R.:
Os riscos que corremos, mais
do que ameaças, são a
ameaça terrorista, é claro;
ameaça terrorista, mas em grande
escala, capaz de atingir o próprio
coração de nossas cidades.
Corremos riscos ligados à segurança
de nossos abastecimentos. Por exemplo,
nossas vias marítimas; fazer
com que possamos nos abastecer e ter
controle sobre nossas vias de abastecimento.
Corremos riscos relacionados à
proliferação nuclear.
São riscos evidentes. Mas corremos
também riscos dos quais vemos
hoje os primeiros efeitos, que estão
ligados ao descontrole climático.
Sabemos, por exemplo, que a alta do
nível do mar levará várias
centenas de milhões de pessoas
a mudar de habitat; o que significa
que, evidentemente, isso terá
conseqüências geoestratégicas.
O risco ligado à água:
o fato de que a água venha a
se tornar uma fonte rara pode provocar
um certo número de crises pelo
mundo. O risco alimentar também.
Enfim, o risco é bastante difuso,
diferente; ele não é da
mesma natureza que na época do
Pacto de Varsóvia e, bem entendido,
isso exige que se tenha uma resposta
militar diferente.
P.:
E vamos manter a nossa força
de dissuasão?
R.:
A força de dissuasão é
o seguro do país; e essa força
de dissuasão é o esforço
de um país que quer poder se
proteger contra as ameaças mais
pesadas que possam pesar sobre ele.
P.:
O Senhor falou das crises alimentares.
Os distúrbios ligados à
fome vão se multiplicar –
foi o que nos disseram à radio
Europe 1 Jacques Diouf, Dominique Strauss-Kahn,
Jean Ziegler e outros. Todos pedem uma
ajuda alimentar de emergência.
Será que o Exército francês
está pronto a desempenhar um
papel na ação humanitária
– pelo menos para acompanhar o
que vai ser entregue, que poderia ser
entregue, às populações
necessitadas?
R.:
O Exército francês
já o fez e está fazendo
regularmente, especialmente acompanhando,
escoltando o Programa Alimentar Mundial.
Fizemos isso no Oceano Índico,
durante um ou dois meses. São
os...
P.:
Mas ele pode fazer isso?
R.:
Sim, é claro...
P.:
Ele está pronto?
R.:
É claro, ele já
o fez. E o faz regularmente!
P.:
Uma pergunta sobre os piratas do Ponant:
eles serão julgados na França
rapidamente?
R.:
Sim, espero que sejam julgados
na França, rapidamente, com os
processos judiciais que estão
correndo bem: direito de defesa, etc...
P.:
Tudo o que o Senhor fez, foi feito de
acordo com a Somália?
R.:
Sim. A Somália, as autoridades
somalis deram a sua aprovação
para que interviéssemos em suas
águas territoriais, é
claro.
P.:
Esse desdobramento feliz desse seqüestro,
do caso do Ponant, não provou
o interesse de nossas forças
pré-posicionadas, justamente,
francesas, no Oceano Índico,
na África?
R.:
Sim, é claro. O desdobramento
feliz do Ponant demonstrou o quê?
Em primeiro lugar, que possuímos
forças operacionais e capazes
de resolver crises; desde que estabeleçamos
como objetivo poder prender um certo
número de piratas, para fazer
com que esse ato não permaneça
impune. Em segundo lugar, ele mostrou
o interesse das forças pré-posicionadas,
porque, bem entendido, quando se tem
forças pré-posicionadas
na África, é mais fácil
intervir também longe de nossas
bases. E o terceiro ensinamento é
que, por possuirmos uma Marinha de alto
mar, que cruza e patrulha por todos
os mares do planeta, estamos em condições
de apreender rapidamente uma situação.
Observo que é porque tínhamos
navios no Oceano Índico que pudemos
assumir rapidamente o controle sobre
o Ponant.
P.:
A França, como sabemos, vai enviar
reforços ao Afeganistão.
Então, a situação
no Afeganistão não é
brilhante; o poder do Presidente Karzai
continua muito franco, a presença
dos talibãs muito forte, com
uma explosão da produção
de drogas. Quando esses soldados franceses
vão partir e para quê isso
vai servir? Ou seja, já não
está tudo perdido antecipadamente?
R.:
Mas, o que os Senhores querem que se
faça além disso? A solução
seria retirar-se? Será que a
solução é devolver
o poder aos talibãs? Talibãs
de quem já se esqueceu como era
o regime!
P.:
Não, não esquecemos. Nem
com relação às
mulheres, nem com relação
à cultura ou as estátuas.
Nada foi esquecido. Mas também
não esquecemos que os americanos,
os russos, os britânicos, todos
fracassaram. O que se vai fazer?
R.:
Bem entendido, mas...
P.:
A questão que se coloca é:
o que vamos fazer no Afeganistão?
R.:
O que temos a fazer lá ...
P.:
Não seria esse o início
de uma estagnação?
R.:
Não! Porque estagnação
seria não empregarmos o máximo
de meios para fazer com que se posa
sair disso. Não existem 36 alternativas.
A primeira é partir. Partir é
o fracasso, a volta do Talibã,
é tornar novamente o Afeganistão
na base aérea do terrorismo;
é criar um risco de desestabilização
maior, em uma zona onde observo que,
ao lado, há o Paquistão
– Paquistão esse que detém
a arma nuclear. A outra solução
é permanecer no mesmo nível.
O que a França defende é
uma nova abordagem. É uma abordagem
que combina meios militares suplementares
para fazer o controle das zonas, e uma
abordagem que possibilita a instauração
do desenvolvimento econômico de
que o Afeganistão precisa, de
novas regras de governança, de
fazer com que se tenha um programa de
desenvolvimento da agricultura afegã,
para evitar que o Afeganistão
seja um país que exporta mais
de 90% da produção de
ópio no mundo, e fazer com que
se “afeganize” o sistema.
O que isso significa, “afeganizar”?
P.:
Mas, não seria talvez necessário
enviar soldados, para fazer isso?
R.:
Sem, “afeganizar” significa
dizer que, progressivamente, em função
dos esforços que efetuamos para
a formação do exército
nacional afegão, a formação
da polícia, a formação
da justiça, devemos dar ao Afeganistão
o controle de um certo número
de zonas; e que, progressivamente, demostremos
à comunidade internacional que,
graças aos esforços que
estamos efetuando, o Afeganistão
está no caminho certo. Para isso,
nós precisamos fazer com que
esse desenvolvimento econômico
seja instaurado, precisamos fazer com
que seja garantido o controle das zonas.
É o que vão fazer os militares.
P.:
Esses reforços partem quando?
R.:
Partirão neste verão:
julho ou agosto.
P.:
E irão, como o Senhor diz, posicionar-se...?
R.:
No leste, o que permitirá aos
americanos vir em reforço aos
canadenses e holandeses no sul.
P.:
Mas, 700 homens a mais não são
suficientes para ganhar a guerra contra
o Talibã! Essa guerra, aliás,
pode ser ganha?
R.:
Mas, a França não está
sozinha no que faz. Observe que, durante
a reunião de cúpula de
Bucareste, vários países
anunciaram o reforço de seus
meios; os alemães disseram que
iriam pensar a respeito. Muitos países
da Europa Central e Oriental decidiram
também...
P.:
Senhor Ministro, existe uma ação
coletiva – lemos tudo o que foi
dito em Bucareste; veremos quando irão
enviar os países (sic). O Senhor
disse que não se tratava de estagnação.
Mas se, em dois anos, lhe disserem,
ou disserem ao seu sucessor que serão
necessários mais 1.000? E depois,
três anos mais tarde: precisamos
de mais 1.000? Retomo a pergunta: essa
guerra pode ser, militarmente, ganha?
R.:
A vitória...
P.:
... Mantendo-se, ao mesmo tempo, certo
de que não se pode deixar o integrismo
ganhar no Afeganistão, evidentemente.
R.:
... A vitória não é
apenas militar; a vitória depende
de duas condições. A primeira:
garantir uma estabilidade. Estamos reconquistando
vales nos quais ninguém havia
colocado os pés em seis ou sete
anos! Sustentado pelo que chamamos de
forças de formação,
as OMLTs – ou seja, o exército
nacional afegão, sustentado por
essas OMLTs, entrou em vales e reinstaurou
um certo número de elementos
que permitem a esses vales recobrar
uma esperança. A vitória
não é apenas militar,
é claro; a vitória passará
também por uma política
de desenvolvimento, de um desenvolvimento
maior. Observo, por exemplo, que, hoje,
6 milhões de crianças
são escolarizadas no Afeganistão,
enquanto que esse número não
passava de 900.000 há seis anos.
Observo que foram construídos
4.000 quilômetros de estradas.
Observo que, hoje, mais de 80% dos afegãos
têm acesso à rede de saúde.
Portanto, existem também pontos
positivos, que se esquecem sempre de
citar.
P.:
A reunião de cúpula política
que a França programou organizar
– se me lembro bem, em 12 de junho,
aqui, com o Sr. Karzai?
R.:
Haverá uma conferência
de doadores, que permitirá particularmente
que a comunidade internacional acentue
seu esforço. Se a vitória
tivesse sido apenas militar, os Senhores
não teriam tido, por exemplo,
na reunião de cúpula de
Bucareste, a presença de Ban
Ki-Moon, Secretário-Geral das
Nações Unidas, de Emmanuel
Barroso, pela União Européia,
porque é toda a comunidade internacional
que está tentando fazer com que
o Afeganistão possa sair dessa
situação.
P.:
Uma pergunta a respeito da África:
a França pode vir a reduzir a
sua presença militar na África?
Quando ela vai começar a ser
reduzida? Vamos deixar a Costa do Marfim?
R.:
O Presidente da República anunciou,
em seu discurso pronunciado na África
do Sul, que queria revisar os acordos
de defesa e queria refletir a respeito
do pré-posicionamento de nossas
forças. É preciso mantê-las,
mas é preciso racionalizar o
sistema, sem sombra de dúvida.
P.:
Lá também?
R.:
Lá também, é preciso
racionalizar. É preciso fazer
com que estejamos presentes na Costa
Atlântica, que estejamos presentes
no leste e que estejamos presentes,
eu ia dizer, em uma zona um pouco mais
central. Precisamos ter pelo menos dois
ou três pontos de apoio, que nos
permitam...
P.:
O Senhor já sabe quais os países
que nós deixaríamos, eventualmente?
R.:
Estamos discutindo a esse respeito
com nossos parceiros africanos –
assim como estamos discutindo nossos
acordos de defesa. Nós tínhamos
acordos de defesa que datavam dos anos
60!
P.:
Certo. O Senhor já começou
a renegociá-los?
R.:
Nós começar as discussões
com os países africanos e...
P.:
Portanto, isso ocorrerá?
R.:
Estamos fazendo, mas não dizendo
aos africanos, aos países africanos:
“Aqui estão os acordos
que queremos assinar, existe um formulário,
assinem embaixo” - mas, ao contrário,
dizendo-lhes “Estamos adaptando
esses acordos de defesa, país
por país, em função
da situação”.
P.:
Isso levará tempo.
R.:
Isso vai levar alguns meses. Vamos fazer
com que esses acordos de defesa sejam
publicados, conhecidos pelo Parlamento,
sem cláusulas secretas, e evacuando
desses acordos de defesa coisas que
não têm a menor razão
de ser. Nós tínhamos...
P.:
... Eventualmente debatido no Parlamento?
R.:
Por que não? Quero dizer, pelo
menos que a Comissão de Defesa
possa ser informada, ou a Comissão
de Relações Exteriores,
possa ser informada desses acordos.
Mas nós não temos, por
exemplo, que...
P.:
Ou seja, mais apoio dos regimes instalados,
com a ajuda militar?
R.:
Nós não temos, por exemplo,
que nos encarregar da manutenção
da ordem. Essas cláusulas datam
dos anos 60, do período subseqüente
à descolonização,
e queremos rever isso.
P.:
O Senhor escreveu, no jornal “La
Croix”, que eu estava relendo
há pouco: “a OTAN representa
22.000 pessoas empregadas em tempo integral,
2 bilhões de euros de orçamento
e 320 comitês” – isso
diz tudo! O General de Gaulle teria
dito: também é uma “coisa”.
Vamos reformar. A França vai
voltar em breve – talvez em 2009
– ao comando militar integrado
da OTAN, que de Gaulle deixou há
42 anos. Onde está a urgência?
R.:
Mas, não existe urgência...
P.:
Por quê?
R.:
A urgência é fazer a Europa
da Defesa evoluir. Esta é a ambição
da Presidência Francesa. E a ambição
da Presidência Francesa é
fazer com que europeus que têm
interesses comuns, que têm um
futuro comum, que têm um projeto
coletivo comum, garantam eles mesmos
sua própria segurança...
P.:
E para isso é preciso passar
pela OTAN?
R.:
Para isso, nós dirigimos uma
mensagem aos europeus, explicando-lhes
que a Europa da Defesa não estava
sendo construída contra a OTAN.
Por que a Europa da Defesa não
estava evoluindo?
P.:
... À América, essa mensagem
foi enviada?
R.:
Aos americanos também. Porque
da posição americana depende
também a posição
de um certo número de parceiros
europeus que têm, todos, muito
apreço pela Aliança Atlântica.
P.:
O que significa que não se pode
conceber um pilar de defesa fora da
OTAN?
R.:
Não se pode conceber uma idéia
de fazer progredir rapidamente e de
forma significativa a Europa da Defesa
se nossa mensagem não se dirigir
mais também a parceiros que consideram
que a Aliança Atlântica
é o sistema de segurança
ao qual estamos ligados. Porque...
P.:
O Senhor está fazendo alusão,
em particular, aos países da
Europa Central?
R.:
Não só isso! Também
aos nossos amigos britânicos e
nossos amigos alemães, que estão,
todos, muito ligados à Aliança
Atlântica. É pelo fato
de serem tão apegados à
Aliança Atlântica que a
Europa da Defesa tem avançado
pouco, porque eles acreditavam que a
França estava propondo a Europa
da Defesa como uma alternativa à
Aliança. E nós estamos
explicando que queremos participar da
renovação da Aliança
Atlântica; queremos que os europeus
tenham um lugar preponderante na Aliança
Atlântica e, para terem um lugar
preponderante na Aliança Atlântica,
é preciso que os europeus se
organizem e que participemos nessa renovação.
Não se pode querer que a Aliança
seja menos americana e permanecer fora
do sistema!
P.:
Mas o Senhor sabe que isso provoca perturbações
dentro de sua própria maioria,
no PS, em todos os partidos políticos,
porque há uma unanimidade em
torno do que haviam feito o General
de Gaulle, François Mitterrand,
Jacques Chirac, e que dizem: ao fazer
isso, os Senhores estão pondo
a perder uma parte da soberania e da
independência francesa...
R.:
Mas, a Aliança...
P.:
... Para além disso, é
o fim de nossa independência!
R.:
... A Aliança Atlântica
de hoje não é a Aliança
Atlântica de antes da queda do
Muro de Berlim!
P.:
Portanto, é preciso fazer com
que mude...
R.:
A Aliança Atlântica transformou-se.
A Aliança Atlântica não
está mais dentro de um sistema
em que, falando de modo geral, dizia-se
a cada país o que devia fazer,
que países devia atacar, etc...
Nada disso existe mais! Estamos nesse
sistema desde 1949. Esquecemos sempre
que nós estamos na Aliança
Atlântica...
P.:
As ameaças mudaram, elas evoluíram,
portanto, é preciso que a Aliança
mude.
R.:
Nós participamos de todas
as operações militares
da Aliança desde 1995; generais
franceses comandam operações
da OTAN – comandamos no Afeganistão,
estamos comandando uma operação
atualmente no Kosovo, com o General
Bout de Marnhac. Portanto, de uma certa
maneira, já estamos amplamente
integrados à Aliança Atlântica
e queremos ter um peso maior nas decisões,
na organização e no sistema.
P.:
Em sua renovação, como
o Senhor dizia: 320 comitês, 22.000
pessoas...
R.:
Permito-me
assinalar que um certo número
de membros da maioria, que se surpreendem
com as discussões que mantemos
no seio da Aliança, são
os mesmos que discutiam com Jacques
Chirac a respeito de nosso retorno à
Aliança Atlântica em 1995
e 1996. é muito engraçado.
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