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Política Internacional
e Diplomacia |
VISITA
AO ORIENTE MÉDIO
ENTREVISTA
COLETIVA DO MINISTRO FRANCÊS DAS
RELAÇÕES EXTERIORES
E EUROPÉIAS, BERNARD KOUCHNER,
E DO PRESIDENTE DA AUTORIDADE PALESTINA,
MAHMOUD ABBAS
-
PALAVRAS DE KOUCHNER –
Ramallah, 16 de fevereiro
de 2008
(...)
Obrigado,
Senhor Presidente,
Nós
somos sensíveis aos seus cumprimentos.
Atualmente, é a Eslovênia
que preside o Conselho da União
Européia e a presidência
francesa só virá em julho.
Estamos perfeitamente dispostos, neste
momento, a prosseguir em nossos esforços,
assim como estamos dispostos a fazê-lo
agora, dando continuidade à Conferência
de Paris.
Com
efeito, nossa posição
é clara e o Presidente da República,
Sr. Sarkozy, já a repetiu várias
vezes. Foi dito, na Conferência
de Paris, que um Estado Palestino devia
nascer e estávamos tomando o
caminho da existência de um Estado
viável e democrático ao
lado do Estado de Israel.
Estamos
trabalhando portanto pelo nascimento
desse Estado Palestino, necessário
à segurança de Israel.
Sem esse Estado Palestino, não
haverá segurança para
nossos amigos israelenses. Nós
somos a favor, já declaramos
isso várias vezes, ao fim da
colonização, como foi
prometido pelo Primeiro-Ministro israelense.
Mas
também somos a favor da abertura
dos pontos de passagem para Gaza. Para
nós, a situação
diária dos palestinos é
insuportável, tanto em Gaza quanto
na Cisjordânia. Também
somos partidários da suspensão
dos tiros de foguetes sobre Israel.
Se houver tiros contra Israel, compreende-se
que a reação israelense
seja igualmente uma reação
brutal. É preciso fazer isso
cessar, não deve haver mais tiros
sobre Israel.
Somos
amigos dos israelenses e dos palestinos.
É muito difícil mantermos
essa atitude, mas nós mantemos.
(...)
As
ajudas já chegaram, desde dezembro
e janeiro. O dinheiro já está
lá. Mas trata-se de projetos,
o esboço desses projetos que
faltam, e isso não é de
nossa responsabilidade, é da
responsabilidade dos israelenses e palestinos.
Acho
que o papel da França sempre
foi claro: somos hostis ao prosseguimento
da colonização. Nós
declaramos isso, o Presidente da República
Francesa o declarou muito claramente.
Digo diante dos Senhores que não
se pode, ao mesmo tempo, dar prosseguimento
a um processo de paz, confiar em seus
vizinhos, construir um Estado Palestino
e continuar construindo ou projetando
implantações nesse Estado
Palestino.
Nossos
amigos israelenses conhecem nossa posição,
não lhes escondemos isso e não
esconderemos amanhã. Nós
temos uma atitude de franqueza para
com nossos amigos israelenses e nossos
amigos palestinos.
Pergunta:
Senhor Ministro, dois meses e meio passaram-se
desde a reunião de cúpula
de Annapolis, que relançou o
Roteiro. O Senhor acha que os israelenses
e palestinos, cada um de seu lado, realizaram
progressos na aplicação
desse texto e, se for o caso, em que
áreas?
(...)
Resposta:
Não empregarei a palavra “Roteiro”,
que evoca outras lembranças.
Eu diria que, a partir da Conferência
de Annapolis, com o objetivo de obter
a criação de um Estado
Palestino, havia projetos a serem implantados,
contidos no plano do Primeiro-Ministro,
Sr. Salam Fayyad. Esses projetos levam
tempo demais a serem realizados. Mesmo
os projetos que Tony Blair, o Quarteto
e a União Européia, Jonas
Stoere e a França estavam praticamente
certos de colocar em prática,
nós não temos. É
verdade que a lentidão é
terrível, não para nós,
mas para os palestinos, cuja vida cotidiana
deve mudar com a realização
de um, dois, três, ou quatro projetos.
Estamos
prontos. É verdade que é
lento, mas as iniciativas de paz são
um processo muito lento. Existem altos
e baixos. Vivemos um momento de baixa,
mas depois o sentido muda, isso vai
mudar. Haverá desilusões,
haverá voltas atrás, isso
não nos desencorajará.
Não existe outra solução
a não ser a paz, não existe
outra solução a não
ser os dois Estados lado a lado, vivendo
em entendimento e praticando plenamente
a democracia.
P.:
Como estão os progressos realizados
pelos israelenses na implicação
do Roteiro?
R.:
Os Senhores sabem que os israelenses
não realizaram progressos suficientes,
nem progressos reais e é isso
que deploramos. Isso pode acontecer
amanhã, esperamos, mas no que
se refere a esses projetos nos quais
trabalhamos – não ignoro
o papel dos americanos, não ignoro
o papel da continuação
da Conferência de Annapolis –
a partir da Conferência de Paris,
nós temos o dinheiro e a vontade
de fazê-lo. Não se pode
dizer que estejamos muito satisfeitos
hoje, repito, de um ponto de vista externo;
mas são sobretudo os palestinos
que não estão satisfeitos
com o fato de sua vida cotidiana não
começar a mudar um pouco. Nós
somos obstinados, vamos continuar. Não
estamos desesperados.
P.:
Senhor Ministro, o Senhor acaba de dizer
que a França é amiga dos
palestinos e também dos israelenses.
O Presidente Sarkozy anunciou há
alguns dias que viria a Israel para
assistir às celebrações
do 60º aniversário da criação
do Estado de Israel. Ele teria a intenção
de visitar os Territórios Palestinos
também, nessa ocasião?
R.:
Não conheço seu programa,
mas isso não me surpreenderia.
O Presidente da República continua
dizendo que isto é essencial:
somos amigos dos israelenses, a existência
de Israel para nós não
representa a menor dúvida para
nós, e não admitimos que
ela seja questionada. Mas somos amigos
dos palestinos e queremos que haja um
Estado Palestino. Faz muito tempo que
alguns de nós pensam assim.
P.:
(...)Uma pergunta, Senhor Ministro:
o Senhor encontrou-se hoje com a esposa
de Marouane Barghouti. Faria parte do
seu projeto abordar também a
questão de Gilat Shalit durante
a sua estada?
(...)
R.:
De fato, encontrei-me com a esposa de
Marouane Barghouti. Comuniquei o papel
desempenhado por esse dirigente no passado,
que todo mundo conhece, um papel histórico
em relação ao destino
do povo palestino e desejei que ele
continuasse a desempenhá-lo.
É muito natural que eu me encontre
com sua esposa, já que Marouane
Barghouti está na prisão.
Mas, isto não tem muito a ver
com a libertação necessária
de Gilat Shalit. Insistimos, em cada
um de nossos encontros na região,
na necessária libertação
de Gilat Shalit, e continuamos a exigi-lo
de maneira muito clara.
P.:
A libertação de Salah
Hamouri, o palestino-francês preso
em Israel, é tão necessária
quanto a de Gilat Shalit?
R.:
Necessária não
é bem a palavra. Trata-se, de
fato, de uma exigência que apresentamos
também a cada vez aos nossos
amigos israelenses.
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