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Política Internacional
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PLANO
DE AÇÃO FRANCO-BRASILEIRO
DECLARAÇÃO
CONJUNTA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
FRANCESA,
NICOLAS SARKOZY,
E DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL,
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
São Jorge do
Oiapoque, 12 de fevereiro de 2008
O Presidente
da República Federativa do Brasil,
Sr. Luiz Inácio Lula da Silva,
e o Presidente da República Francesa,
Sr. Nicolas Sarkozy, reuniram-se na
Guiana no dia 12 de fevereiro de 2008.
Imbuídos
de uma vontade comum de desenvolver
a parceria estratégica entre
a França e o Brasil em suas dimensões
transfronteiras, bilateral e internacional,
os dois presidentes estabeleceram o
seguinte plano de ação:
1
– No âmbito internacional,
os dois presidentes:
Decidiram
agir de concerto no intuito de promover
uma reforma eqüitativa do Conselho
de Segurança das Nações
Unidas, com vistas a lhe proporcionar
uma representatividade mais ampla e
promover o acesso do Brasil a esse foro
na qualidade de membro permanente. O
Presidente Sarkozy reiterou a sua determinação
de agir em prol da ampliação
do G-8 às grandes potências
emergentes, entre quais o Brasil.
Felicitaram-se
pelos progressos obtidos pela UNITAID
e saudaram a próxima realização,
em Brasília, da reunião
de seu conselho executivo, o que possibilitará
a promoção da UNITAID
na América do Sul.
Pretendem
contribuir para o sucesso da 5a reunião
de cúpula entre a União
Européia e a América Latina
e o Caribe, em Lima, em maio de 2008.
Eles destacaram a importância
dos temas a serem tratados durante a
reunião em seus dois segmentos
dedicados, de um lado, às questões
relativas à pobreza, à
desigualdade e à inclusão
e, de outro, ao desenvolvimento sustentável:
meio ambiente, mudança climática,
energia.
Decidiram
empenhar-se pelo sucesso da 2a reunião
de cúpula Brasil - União
Européia, a se realizar no Brasil
durante a presidência francesa
da União Européia. Dentro
desse espírito, eles reafirmaram
o papel particular desempenhado pelo
Brasil e a França no fortalecimento
do diálogo entre a América
Latina e o Caribe e a União Européia.
Reconheceram
o interesse da França, presente
na Amazônia, em participar das
atividades ligadas ao Tratado de Cooperação
Amazônica (OTCA) e o apoio do
governo brasileiro ao pedido de aproximação
institucional com a Organização.
2
– Para possibilitar um maior conhecimento
mútuo, os dois presidentes:
Decidiram
dar início sem demora à
construção da ponte sobre
o Oiapoque, tendo como meta a sua inauguração
em 2010. Símbolo da proximidade
entre a França e o Brasil, essa
ponte permitirá a junção,
por estrada, de Macapá e Caiena
e será portadora de múltiplos
benefícios para o desenvolvimento
econômico e social da região.
A Comissão Intergovernamental
reunir-se-á ao longo do primeiro
semestre de 2008, para validar os trabalhos
técnicos relativos a essa ponte,
lançar a licitação
internacional para a seleção
da empresa que se encarregará
de sua construção e para
estabelecer as modalidades de repartição
dos custos sobre uma base eqüitativa,
para que a parte francesa não
seja levada a pagar taxas e impostos
nacionais.
Deram
instruções relativas ao
prosseguimento da construção
das vias de acesso à ponte dos
dois lados da fronteira.
Decidiram
estimular a instauração
de ligações aéreas
entre a Guiana e o Brasil, com base
no acordo bilateral em vigor em matéria
de aviação.
Decidiram
redobrar os esforços para fazer
do Ano da França no Brasil, em
2009, um sucesso comparável ao
do Ano do Brasil na França, em
2005. Eles concordaram em que esse evento
também deverá fazer com
que o público brasileiro conheça
a riqueza humana, artística e
natural da Guiana Francesa.
Deram
seu apoio ao desenvolvimento do ensino
do português na Guiana, especialmente
por meio da criação de
programas nacionais no seio de estabelecimentos
de ensino. Os dois presidentes consideram
o aprendizado das línguas um
fator de compreensão mútua
entre os povos e de promoção
da diversidade cultural nessa região.
Decidiram
promover a cooperação
educacional, especialmente no que se
refere ao ensino superior e ao ensino
técnico, mais particularmente
no Estado do Amapá e na Guiana
Francesa.
3
– Com o objetivo de valorizar
o meio ambiente comum aos dois países,
os dois presidentes:
Decidiram
desenvolver a cooperação
entre as administrações
do Parque Nacional Amazônico da
Guiana e do Parque Nacional das Montanhas
do Tumucumaque dos Estados do Amapá
e do Pará, tendo por objetivo
facilitar as trocas de experiências
e uma maior coordenação
em matéria de gestão,
vigilância e trocas de dados e
informações referentes
a essas áreas protegidas, criando
assim uma dinâmica comum para
favorecer o eco-turismo dentro de uma
óptica de desenvolvimento sustentável,
que respeite a biodiversidade e as populações.
Saudaram
a iniciativa do Presidente Lula de criar
um Centro de Estudos e Pesquisas sobre
a Biodiversidade na cidade do Oiapoque,
tendo por objetivo desenvolver a cooperação
universitária e científica
pelo desenvolvimento sustentável
da Amazônia, com o apoio da Universidade
Federal do Amapá e de outras
instituições. Eles manifestaram
a intenção de estudar
a criação de uma Academia
Franco-Brasileira da Biodiversidade
baseando-se na cooperação
entre o futuro centro do Oiapoque e
o pólo universitário e
científico da Guiana.
4
– Para realizar ações
conjuntas que visem a manutenção
da ordem pública ao longo da
fronteira, os dois presidentes:
Decidiram
reunir a comissão mista transfronteiras
em Caiena, em 29 e maio de 2008, tendo
por objetivo consolidar e harmonizar
as relações entre o Estado
do Amapá e a Guiana e reforçar
a cooperação na região
fronteiriça nas áreas
social, consular, econômica, comercial
e ambiental.
Decidiram
institucionalizar sua cooperação
em matéria de segurança
em âmbito regional, especialmente
através da criação
de um centro de cooperação
policial transfronteiras, a fim de melhorar
a eficiência da luta contra os
tráficos, de acordo com o Protocolo
cuja negociação deverá
ser concluída na próxima
reunião da comissão mista
transfronteiras.
Decidiram
implementar ações de cooperação
e segurança visando coordenar,
de forma transparente e concertada,
a prevenção, a identificação
e a repressão das ações
prejudiciais ao meio ambiente.
Decidiram
intensificar de forma decisiva a luta
contra o garimpo clandestino e sua repressão,
estabelecendo como objetivo a negociação
de um acordo bilateral no âmbito
da comissão mista transfronteiras.
Salientaram
a necessidade de reforçar a sua
cooperação contra a pesca
ilícita por meio de ações
conjuntas regulares entre as marinhas
brasileira e francesa através:
de intercâmbios regulares de informações
a respeito das atividades ilícitas
das embarcações de pesca
na zona marítima de interesse
comum no Brasil e na Guiana, as infrações
constatadas e seus tratamentos administrativos;
a criação de pontos de
contato operacionais para facilitar
as trocas de informações;
conforme a necessidade, a organização
de patrulhas navais conjuntas ou coordenadas
para melhorar a vigilância da
zona marítima de interesse comum
no Brasil e na Guiana.
5
– Para desenvolver novas ferramentas
de cooperação, os dois
presidentes:
Decidiram
reforçar a cooperação
descentralizada de acordo com os princípios
fundamentais da cooperação
franco-brasileira nessa área,
conforme foram estabelecidos em Marselha
em maio de 2006 e em Belo Horizonte
em novembro de 2007. Eles felicitaram-se
pela assinatura, neste dia, de um protocolo
sobre a cooperação descentralizada
e adicional ao Acordo-Quadro de Cooperação
de 1996.
Mencionaram
o papel da Agência Francesa de
Desenvolvimento - AFD – no desenvolvimento
dos intercâmbios e, dentro de
uma perspectiva de desenvolvimento sustentável,
integrar melhor a Guiana ao seu ambiente
regional.
Destacaram
o interesse de explorar as possibilidades
oferecidas pelos recursos em satélites,
especialmente em matéria de evolução
florestal. Eles estimularão a
conclusão de acordos entre instituições
de pesquisa dos dois países.
Pretendem
promover a cooperação
entre o Instituto Pasteur e as instituições
de saúde dos Estados do Amapá
e do Pará, em particular em prol
de uma maior eficiência na luta
contra a dengue, a febre amarela e a
malária.
Decidiram
utilizar da melhor forma possível
os progressos registrados pelo “grupo
de trabalho franco-brasileiro sobre
a inovação e as ciências
fundamentais e aplicadas”, instituído
pelo Protocolo de Intenções
de julho de 2005, que abre a candidaturas
de projetos com vistas à sua
seleção em julho de 2008.
Saudaram
a assinatura do Acordo relativo à
cooperação na área
da defesa e ao estatuto de suas forças
militares (SOFA), assinado em Paris
no dia 29 de janeiro.
Concordaram
em dar prosseguimento à aproximação
entre as forças armadas francesas
presentes na Guiana e as forças
armadas brasileiras.
Destacaram
as fortes potencialidades de cooperação
entre os dois países nas áreas
da defesa, da energia nuclear civil
e dos biocombustíveis, e decidiram
explorá-las de maneira aprofundada.
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