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Política Internacional e Diplomacia

“A NARRAÇÃO DO MUNDO, UMA BATALHA DECISIVA”

ARTIGO DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES EXTERIORES
E EUROPÉIAS, BERNARD KOUCHNER, PUBLICADO NO JORNAL “LE MONDE”

Paris, 4 de dezembro de 2007

A capacidade de um país promover seus interesses e seus valores escapa à exclusiva rede de chancelarias. A influência das imagens tornou-se a questão central de um mundo que busca seu sentido, uma ordem, uma unidade. A França, antigamente precursora e referência mundial, não é mais do que uma potência secundária no universo da mídia – audiovisual ou Internet. Quando as telas do globo não projetam mais as imagens de uma sensibilidade francesa, é o mundo todo que pensa menos francês. Devemos partir novamente à conquista da narração do mundo. Um povo incapaz de difundir a sua mensagem torna-se um povo invisível e inaudível que corre o risco de ver desaparecerem sua língua, sua cultura, sua criatividade, sua capacidade de dirigir ao mundo uma menagem original. Em suma, um povo que não é mais ouvido, um povo que tem menos importância. Não podemos nos resignar a esse destino de segunda classe.

Devemos adquirir os meios para a construção de um instrumento eficiente, à altura de nossas ambições, de nossa história, de nosso papel: uma nova mídia, essencial para nossa economia, nossa cultura, nossa diplomacia, todo o nosso futuro.

O sistema audiovisual exterior francês é, hoje, uma justaposição de meios de comunicação sem uma real coerência. Criados em diferentes épocas, inscritos num contexto internacional em transformação, esses três instrumentos (France 24, TV5 Monde, Radio France Internationale), no entanto, não deixam de ter seus trunfos e talentos. Uma rádio multilíngüe que tem um papel fundamental na África, com uma rica rede de correspondentes, uma televisão francófona multilateral que construiu o segundo maior circuito de distribuição do mundo, uma cadeia de informação nascente, bem-sucedida na Internet e dotada de equipes multiculturais: existem aí verdadeiras riquezas. Devemos tirar bem mais partido disso, reforçando sua complementaridade e reafirmando as suas missões.

As novas tecnologias têm que estar no centro dessa reflexão. Só elas nos permitirão levar nossa mensagem através de todos os vetores possíveis – Internet hoje, telefone e suporte móveis amanhã. Só elas nos permitirão oferecer novos serviços interativos e construir uma comunidade viva em torno de valores compartilhados: a francofonia como portadora de democracia, a diversidade cultural, os direitos humanos e o desenvolvimento sustentável.

Para construirmos essa complementaridade, precisamos de uma única pilotagem, que permita reunirmos em um só meio o melhor de cada mídia. Esse novo piloto deverá colocar em comum os serviços técnicos, de comunicação, de pesquisa e desenvolvimento. Ele deverá fazer com que os três meios de difusão possam basear-se em um pólo comum de produção da informação, com escritórios de correspondentes e um serviço de comercialização unificado. Nossa capacidade de difundir imagens originais será, com efeito, o primeiro sinal da afirmação de uma mídia comum. Outra etapa importante na construção desse pólo audiovisual francês é a criação de um sítio Internet que seja ao mesmo tempo um meio de difusão e intercâmbio na dimensão do mundo, sua vitrine e o local de todas as experimentações necessárias à invenção de um suporte alternativo, interativo, cidadão, em acordo com conteúdos renovados.

Tudo será negociado.

Guardando identidades consolidadas e antenas distintas, as diferentes entidades deverão ser vistas como parte do mesmo grupo. A cadeia TV5 Monde manterá, é claro, seu caráter multilateral. Mas isso não a impedirá absolutamente, tenho certeza, de basear-se na notoriedade do novo conjunto. Mas nada será feito sem nossos parceiros francófonos, todas as evoluções deverão ser suas também. Tudo será negociado.

Esse dossiê foi o primeiro que assumi assim que cheguei ao Ministério das Relações Exteriores e Européias. Há seis meses, juntamente com Christine Albanel e o Ministério da Cultura e da Comunicação, com o Ministério do Orçamento e com a célula audiovisual do Eliseu, em particular Georges-Marc Benamou, e em ligação com Jean-David Levitte, todos juntos desenhamos um imenso canteiro de obras cujo sucesso exigirá inteligência, criatividade e determinação de todos os envolvidos.

Só eles, homens e mulheres que fazem nosso audiovisual exterior, jornalistas, produtores, criadores de programas, técnicos e outros, são capazes de fabricar a oferta editorial e os conteúdos aos quais darão vida na revolução digital. Só eles podem construir essa outra mídia, livre e democrática, que será a terceira via entre a mídia internacional anglo-saxônica ou árabe, hoje hegemônicas. Só eles podem projetar a imagem de uma França moderna, dinâmica, criativa e aberta às outras culturas. Sei que eles possuem esse talento e nós queremos fornecer-lhes os meios. Devemos, todos juntos, devolver à França sua capacidade de influência e impulsão.

 


 
 

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