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Política Internacional e Diplomacia

ENTREVISTA COLETIVA CONJUNTA
DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES EXTERIORES E EUROPÉIAS, BERNARD KOUCHNER,
DO ENVIADO ESPECIAL DO QUARTETO PARA O ORIENTE MÉDIO, TONY BLAIR,
E DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DO REINO DA NORUEGA, JONAS GAHR STOERE

- PALAVRAS DE KOUCHNER -

Paris, 17 de outubro de 2007

Senhoras e Senhores,

Tive a honra de receber o Primeiro-Ministro Tony Blair, que é o representante especial do Quarteto para o Oriente Médio, e o Ministro das Relações Exteriores norueguês, Jonas Gahr Stoere.

Como os Senhores sabem, Paris sediará uma conferência especial, um conferência de doadores, no mês de dezembro próximo, a pedido do Presidente da Autoridade Palestina, Abou Mazen.

Terei portanto a honra de presidir essa conferência com a ajuda de dois co-presidentes muito qualificados, de muito prestígio: o Primeiro-Ministro Tony Blair e o Ministro Jonas Gahr Stoere.

Nós vamos distribuir aos Senhores a declaração comum sobre a qual entramos em acordo. Essa conferência terá por objetivo mobilizar os doadores, dando continuidade à conferência de Annapolis, que se realizará quinze dias antes. Ela terá igualmente como objetivo estabelecer a continuidade entre essas duas conferências e fornecer um apoio financeiro, um apoio real, administrativo, concreto, após a conferência de Annapolis.

Vamos começar a preparação particular dessa conferência e teremos, em torno de Tony Blair, na próxima semana, em Jerusalém, uma segunda reunião que nos permitirá lançar os convites.

Este, creio eu, é um momento de esperança, um momento politicamente determinante. Parece-nos que o que acontecer em Annapolis será, evidentemente, uma primeira etapa, o lançamento dessa grande esperança, mas, logo em seguida, será preciso passar à ação e nós zelaremos por isso. Precisaremos também controlar essa ação.

Pergunta: O Presidente Abbas acaba de declarar que não irá aos Estados Unidos se não houver um calendário preciso e uma data limite para as negociações. Os palestinos teriam razão, a seu ver, para exigir essa data limite?

Resposta: Antes de ir a Annapolis – e desejo que assim seja – acho que os palestinos podem, de fato, exigir, como fazem por sua vez e por outras razões os israelenses, que haja uma determinação precisa sobre todos os pontos, para não se permanecer na indefinição. Todas essas dificuldades serão resolvidas à medida em que formos nos aproximando dessa conferência. Estou completamente persuadido de que, não apesar de, mas graças a esses pedidos algumas vezes opostos avançaremos para um documento que seja satisfatório para as duas partes.

P.: O Senhor fez um balanço da conferência dos países doadores e alguns contatos talvez já tenham sido feitos. Como esses países reagiram a respeito de sua participação nessa conferência, sabendo que a conferência pela paz prevista pelos americanos não parece ser muito clara quanto à posição dos países árabes?

R.: Nós ainda não lançamos os convites. Faremos isso depois da reunião que se realizará em Jerusalém em torno de Tony Blair. Acho que não devemos ser pessimistas.

É verdade que essas duas conferências estão inteiramente ligadas uma à outra e não terá validade uma conferência de doadores se a conferência de Annapolis não funcionar, se não for um sucesso.

Existem, de fato, alguns esclarecimentos a serem obtidos a respeito da participação de determinados países árabes e outros. Devo lembrar que ninguém ainda recebeu convite, nem para uma conferência, nem para a outra.

Temos tempo portanto para resolver esses problemas e não tenho dúvida de que conseguiremos, mesmo ainda havendo, é claro, divergências de opinião.

É o que acho, o que todos nós achamos aqui, do contrário não estaríamos firmemente decididos e entusiasmados com essas conferências. Se não conseguirmos, será uma grande decepção. Mas sobretudo uma enorme desesperança para os palestinos e para os israelenses.

Acho que isso é o que se chamou de “momentum”, algo de psicológica, histórica e politicamente fundado e necessário.


 
 

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