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Política Internacional e Diplomacia

SITUAÇÃO NA BIRMÂNIA

RESPOSTA DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES EXTERIORES
E EUROPÉIAS, BERNARD KOUCHNER
A UMA PERGUNTA DE ATUALIDADE NA ASSEMBLÉIA NACIONAL

Paris, 2 de outubro de 2007


A situação na Birmânia é inaceitável. Ela suscita indignação no mundo, particularmente na França.

Nosso país trabalha em três níveis. Em primeiro lugar, no Conselho de Segurança. Pela primeira vez, esse Conselho, sob a presidência da França, realizou uma reunião que dá lugar a uma declaração à imprensa, sobre um problema que chamam de “interno”, ou seja, que não diz respeito senão aos cidadãos da Birmânia. A França autorizou, permitiu e construiu essa reunião.

Certamente, isso não basta, mas permitiu ao Sr. Ibrahim Gambari, enviado especial do Sr. Ban Ki-Moon, Secretário-Geral das Nações Unidas, ir à Birmânia. Ao mesmo tempo, devo acrescentar que foi graças à China – o que responde em parte a uma de suas perguntas – que o Sr. Gambari obteve seu visto. Isto não significa, bem entendido, que a China esteja livre de reprovações.

No âmbito europeu, pedimos ao Conselho dos Direitos Humanos, que está reunido neste momento em Genebra, que analisasse a questão. E o Sr. Paulo Sérgio Pinheiro, relator especial das Nações Unidas para a Birmânia, deverá ir ao país com representantes de nosso país.

Na França, depois de convocar o encarregado das relações com a Birmânia, pedimos que fossem exercidas sanções especialmente contra todos os grupos, inclusive petroleiros. Para responder a sua preocupação em especial – o Sr. Luca tinha interrogações bem mais amplas – direi que não será clamando por sanções a torto e a direito que se irá necessariamente melhorar o destino do povo. Essas sanções são sem dúvida necessárias e nós as colocaremos em prática em todos os níveis, inclusive através da Total [empresa francesa de exploração de petróleo no país].

Mas, pedir que não haja mais investimentos não fará com que os prisioneiros sejam liberados imediatamente. Será necessário agir, porque a opinião pública é mais importante. A França tem razão em se dirigir aos países da ASEAN, únicos a dispor de um pequeno poder, já que o essencial do comércio da Birmânia é realizado com eles. Os países da ASEAN, em particular o Vietnã – recebemos ontem o Primeiro-Ministro – a China e a Índia, foram solicitados a fazer algo. Tentaremos fazer pressão sobre eles. É assim que a Cruz Vermelha poderá ter acesso aos prisioneiros e as ONGs poderão realizar seu trabalho. E não apenas gritando “Total!”.


 
 

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