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Política Internacional
e Diplomacia |
ARTIGO
DA MINISTRA FRANCESA DO INTERIOR, DO
ULTRAMAR E DAS COLETIVIDADES LOCAIS,
MICHÈLE ALLIOT-MARIE, PARA O
JORNAL “LE FIGARO”
Paris, 11 de setembro
de 2007
"Face
ao terrorismo, a coesão do executivo
é essencial"
Seis
anos após os atentados de 11
de setembro, o horror das torres destruídas
e dos milhares de vítimas sob
os escombros continua presente em nossa
memória. Desde então,
outros atentados – Madri, Londres,
Bali e outros – sem contar o grave
atentado que acaba de ser abortado na
Alemanha, vieram nos lembrar que nós
também estamos ameaçados,
seja em nosso território, seja
através de nossos concidadãos
que moram no exterior.
O
risco terrorista é real, constante.
Sua capacidade assassina e sua organização
não têm comparação
com as das décadas passadas.
A ameaça representada pela Al-Qaeda
traduz-se quase a cada dia, nos países
do Magreb, no Paquistão ou no
Afeganistão por ataques mortais.
Podemos ser atacados em toda parte,
sob diferentes formas: atentados em
massa, agressões químicas
ou bacteriológicas, seqüestros
em grande escala...
Como
pode a França participar da proteção
contra os riscos de uma ofensiva de
tamanha dimensão? Com relação
ao fundo da questão e a longo
prazo, contribuindo para a estabilização
de determinados países cuja situação
alimenta ou sustenta o terrorismo. É
o caso do Afeganistão, onde vídeos
da Al-Qaeda exibem a vontade de exportar
o combate para o Ocidente; do Paquistão,
onde, apesar da vitórias das
forças governamentais na Mesquita
Vermelha, os sangrentos atentados se
sucedem; do Líbano, onda a Al-Zawahiri,
depois de elogiar os autores do “atentado
bendito” no final de junho contra
o contingente espanhóis da força
de interposição, que causou
a morte de seis pessoas, fez um apelo
para que todos os muçulmanos
lutassem contra as forças armadas
presentes; por fim, no Iraque, onde
os atentados à bomba e os assassinatos
perduram.
Também
será por meio de nossa ação
para levar grandes países ao
desenvolvimento econômico e da
educação dos países
mais pobres que cortaremos as raízes
do terrorismo contra o ocidente. Ainda
assim, nosso dever é proteger
desde já nossos compatriotas
e nossa sociedade contra o terrorismo
de massa.
Nosso
país tem a sorte de dispor de
serviços de informação,
de forças de segurança
e de serviços de socorro classificados
entre os melhores do mundo. Graças
a eles, nós sabemos antecipar
as ameaças, desmantelar os projetos
mais criminosos, nos precaver contra
os riscos tecnológicos mais elaborados.
No Ministério do Interior, peça
mestra da coordenação
interministerial em caso de crise, faço
disso uma prioridade absoluta. Farei
muito em breve propostas para avançarmos
ainda mais, tanto na área da
unidade de ação dos serviços,
quanto no das tecnologias. Minha experiência
no Ministério da Defesa mostrou-me
que a continuidade no seio de nosso
sistema de segurança interna
devia ser total e que os dispositivos
eram solidários.
Nossa
capacidade de resposta só pode
todavia basear-se num estreito diálogo
com os outros países europeus,
muitos dos quais reorganizaram em profundidade
seus dispositivos. Não se trata
apenas de um tema bilateral: trata-se
de uma questão vital para a União
Européia como um todo. Tomarei
iniciativas concretas nesse sentido,
no âmbito da presidência
francesa da União Européia.
Mas,
é preciso saber que não
existe, nesses assuntos, qualquer garantia
de segurança total.
Ainda
temos grandes esforços a produzir
para desenvolver nossa cultura do risco
e da antecipação, pois
nossa verdadeira fonte de vulnerabilidade,
aquela da qual devemos desconfiar mais,
somos nós mesmos. Nossas armas
mais eficazes são a qualidade
e a coerência de nossas instituições,
a força e o engajamento de nosso
espírito cívico.
A
boa coordenação dos serviços
especializados encarregados da informação
e da luta contra o terrorismo não
basta. Para reagir diante de um ato
de terrorismo de massa e mesmo para
desestimular a sua execução,
o que conta é a credibilidade
do sistema de decisão. O momento
chegou: a solidez da cadeia de comando
e a coesão estreita unindo os
diferentes componentes do poder executivo
é que se revelarão decisivos.
Nesse campo, assim como em qualquer
outro, não existe “deus
ex machina”.
Acrescentarei
ainda que nossa segurança baseia-se
também na conscientização
de cada cidadão a respeito dessa
realidade: que o terrorismo agora é
uma constante na vida de nossa sociedade
e tem todas as chances de permanecer
por muito tempo. Nossa sociedade, já
tão sensibilizada com o sofrimento,
o medo, o ritual da vitimação,
não deve ser estimulada a uma
forma de desresponsabilização
na qual lhe dissessem: não se
preocupem, tudo vai bem, estamos aqui,
nós cuidaremos de tudo.
Ao
invés de infantilizá-la
ou de petrificá-la pelo medo,
deve-se ao contrário dizer claramente
a verdade ao cidadão, repetir-lhe
incessantemente que uma parcela essencial
de sua segurança cotidiana está
baseada nela mesma, em seu entorno humano,
na constante vigilância e na determinação
pessoal.
A
longo prazo, a mais eficaz das respostas
à ameaça terrorista é
a solidez de nossas instituições
e a maturidade democrática de
nossa sociedade. É esta, pelo
menos, a minha convicção,
a que pretendo portar no Ministério
do Interior, do Ultramar e das Coletividades
Territoriais, que está não
só encarregado da segurança,
mas que também encarna, em todo
o território, a credibilidade
do Estado.
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