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Política Internacional e Diplomacia

VISITA AO REINO UNIDO

ENTREVISTA DO SECRETÁRIO DE ESTADO
ENCARREGADO DA COOPERAÇÃO E DA FRANCOFONIA,
JEAN-MARIE BOCKEL, PARA A AFP E A RFI

Londres, 5 de setembro de 2007


Pergunta: Como a parceria que o Senhor acaba de anunciar irá se inscrever no âmbito dos laços particulares que a França mantém com um bom número de países africanos atingidos pelo HIV?

Resposta: Estamos muito engajados, de forma unilateral, seja no que se refere ao Fundo Mundial ou outros fundos, como o UNITAID. Com relação ao ano 2008, nós fizemos o necessário, dentro de um contexto de grande rigor orçamentário, para manter os compromissos. Através desse gesto, permanecemos como o segundo maior contribuinte mundial e notamos que no espaço de sete a oito anos multiplicamos por oito ou nove a nossa participação...

P.: Atrás dos americanos? Quem é o maior contribuinte?

R.: São os Estados Unidos, é claro... Como segundo maior contribuinte mundial, nós possuímos um certo conhecimento das dificuldades que encontramos localmente. Essas dificuldades são principalmente de duas ordens. Existe, de um lado, a organização do sistema de saúde e de um seguro-saúde, que são questões às quais é preciso dar respostas duradouras para que os esforços empreendidos não beneficiem unicamente uma parte da população. Por outro lado, há o trabalho, uma dupla dificuldade com relação aos problemas de superpopulação e a emergência por que passa um certo número de países. Como prevenção, é necessário um trabalho de educação, que, pouco a pouco, possibilite a evolução da concepção do papel da mulher nas mentalidades. Embora seja necessário trabalhar dentro de uma perspectiva de longo prazo, que é a marca de nosso compromisso bilateral e multilateral, também torna-se necessário manter em mente objetivos de curto prazo. A partir do momento em que os esforços que estamos fazendo, até mesmo crescentes, não caminham em certas áreas tão rapidamente quanto a degradação da situação, é porque ainda temos um bom caminho a percorrer.

P.: UNITAID é a história das passagens aéreas?

R.: Efetivamente, mas é sobretudo a idéia de que graças a esse dinheiro e negociações com os grandes laboratórios farmacêuticos, podemos obter melhores preços para o tratamento da Aids ou outras pandemias. Além disso, podemos também pedir o financiamento de uma pesquisa para a obtenção de medicamentos adequados às crianças, pois se aqui tão poucas crianças são contaminadas pela Aids, lá são muitas as que sofrem dessa doença e não têm acesso aos tratamentos adequados. A originalidade da UNITAID é essa, mas não nos equivoquemos, a UNITAID não nos dispensa de nosso compromisso multilateral.

P.: Nessa parceria internacional de saúde, já temos definidos as urgências e objetivos mais precisos do que os que foram estabelecidos anteriormente?

R.: Minha presença francesa em nível governamental veio em decorrência de uma conversa direta entre Nicolas Sarkozy e Gordon Brown quando, entre outros assuntos, esse tema foi evocado. Nós sabemos que não há, através dessa iniciativa por si só, um aumento dos recursos financeiros, que já são bem importantes e que aumentarão progressivamente, pois nos comprometemos a isso, mas precisamos desde já colocar mais coerência, o que constitui o segundo obstáculo. Falei há pouco do primeiro obstáculo, que é a dificuldade de se obter, tanto em nível internacional, as relações diversas, relações bilaterais, quanto na maneira com que os países envolvidos acompanham essa iniciativa. Uma de minhas preocupações é chegarmos a obter com os países envolvidos uma ação de desenvolvimento mais duradoura, mais eficaz, que não tenha que ser inteiramente reiniciada a cada vez.

P.: Tem-se a impressão de que há muitos problemas na organização dessa ajuda. O Senhor falou muito durante esta entrevista dos problemas de coordenação. O Senhor tentou encontrar hoje soluções para esses problemas?

R.: Acho que um dos interesses inovadores dessa iniciativa de Gordon Brown, particularmente com relação a países que talvez estivessem menos engajados que a França, é a idéia de que com todos esses países, instâncias da ONU e os grandes especialistas, tenha-se uma melhor governança das respostas a dar aos problemas de coordenação. Essa dimensão de organização, de objetivos concertados, de coerência na forma de agir e até mesmo na forma de agir conjunta com relação a tal organismo, tal ou tal fundo no que diz respeito ao que pudemos constatar juntos localmente, foram discutidos.

P.: Os Senhores não se sentem um pouco sozinhos nesse campo, o Senhor mesmo e o Sr. Brown?

R.: Havia vários países europeus representados em diversos níveis. Estavam presentes entre eles vários membros do governo, um secretário de Estado alemão, representantes de Portugal e da presidência européia. Portanto, nós não nos sentimos sós.

P.: Não seria isso um sinal de falta de coerência por parte da ONU no tratamento dessa parceria internacional da saúde?

R.: As agências da ONU são as primeiras a pedir essa atitude, porque estão bem posicionadas para isso. Enquanto que a ONU é a maior solicitante, pois ela sabe que não pode fazer tudo.

 

 
 

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